Foo Fighters: a maior banda da atualidade no Rio de Janeiro
Resenha - Foo Fighters (Maracanã, Rio de Janeiro, 25/01/2015)
Por Marcos Neves Jr.
Postado em 28 de janeiro de 2015
Ele é o cara mais legal do Rock 'n' Roll em muitos anos, não tenho dúvidas quanto a isso. Dave Grohl poderia ser um artista encostado e preguiçoso, deitando na fama alcançada com sua antiga banda, o Nirvana, cavando notas ao estilo Caras aqui e ali, fazendo presença vip em eventos e coisas do tipo.
Mas não é. Em proporção devidamente menor, ele é como Paul McCartney e continua a se submeter à frieza, à dureza, à amargura da opinião pública, da crítica especializada e de gente como eu, um curioso que escuta música há muito tempo e gosta de dar pitacos.
Probot, Them Crooked Vultures, as inúmeras participações e contribuições com nomes consagrados do Rock e os Foo Fighters são provas dessa gana por trabalho. Ele é um workaholic do mundo pop. Não faltam raça e carisma, ao contrário, ele esbanja essas características. Dito isso, afirmo: sou fã do Dave Grohl!
Por que, então, não sou fã dos Foo Fighters, trabalho ativo mais famoso de Grohl? Porque, entre outras razões, a música deles não me toca, nem melódica e nem liricamente. "Mas quem sabe assistir a um show não ajude a tirar conclusões mais bem fundamentadas?" Faz sentido, ajuda! Ajudou.
Tomei o rumo do Maracanã em um belo domingo de sol e calor, achei meu lugar e acompanhei a todo o evento. Os Raimundos e os Kaiser Chiefs deram seu recado com muita competência e ajudaram na espera pela atração principal.
Quando os Foo Fighters subiram no palco, às 21h25, e soaram os primeiros acordes Something From Nothing, percebi um som abafado e embolado que só melhorou lá pela quarta canção, Breakout, além de gritos, muitos gritos de Dave Grohl, que duraram todo o show e não me cativaram, embora os fiéis fãs estivessem em êxtase a cada hit da banda.
Pra começar, das cinco melhores músicas apresentadas no Maracanã, quatro são covers - Detroit Rock City, do Kiss, Tom Sawyer, do Rush, e Under Pressure, do Queen, todas prejudicadas por vocais e/ou instrumentais executados com técnica abaixo da necessária para as canções; e Stay With Me, do Faces, salva pela semelhança de timbre de Taylor Hawkins e Rod Stewart. Ah, a quinta melhor música? Com certeza, This Is A Call, do álbum de estreia da banda, tocada de maneira objetiva, sem rodeios ou longas jams, que foi o segundo grande problema do espetáculo.
Como assim, um defensor do Classic Rock reclamando de jams longas? Reclamando de jams? Sim, explico: uma coisa é uma jam do Hendrix, do May, do Clapton, do Gilmour ou do Page. Outra completamente diferente é uma jam dos Foo Fighters ou, pior, várias jams dos Foo Fighters. Em quase todas as canções, big hits ou não, lá estavam grandes interrupções, longas idas e voltas e repetições que não levavam a nada e perdiam efeito surpresa pela insistências nesse artifício.
Quem ouvir atentamente a versão de Dazed and Confused do mítico show que o Led Zeppelin fez no Madison Square Garden, em 1973, vai perceber que ao longo dos mais de 20 minutos a mais que a música ganhou surge o riff básico de Achilles Last Stand, gravada três anos depois - repare na introdução improvisada de If You're Going To San Francisco que rola por volta dos últimos segundos do quinto minuto. Já os Foo Fighters, certamente, não vão aproveitar nada do que rolou no Maracanã, simplesmente porque realmente é isso, descartável.
Por que não fazer o simples? Ser mais Ramones, talvez, e tocar as músicas como são: rápidas e diretas, pois não é vergonha não ser o Led Zeppelin. Ou alguém consegue justificar músicas como Best Of You durarem mais de 10 minutos? E não foi a única. The Pretender, Breakout, Monkey Wrench e All My Life também tiveram trechos estendidos além da conta.
E o cantor Dave Grohl? Ele é o típico caso que prefiro chamar apenas de vocalista, pois ele não canta bem. É recorrente em resenhas de shows da banda a seguinte frase: "Grohl compensou a falta de voz com muita energia no palco". Eu jurava que a "falta de voz" era devida a alguma lesão ou a um resfriado, mas é falta de voz mesmo. Muitos gritos e pouca melodia.
No entanto, também há um destaque musical positivo: foi legal ver Cold Day In The Sun, pois o baterista Taylor Hawkins tem uma ótima voz e poderia ter mais números nas apresentações da banda. Também positiva, mas não necessariamente musical, é a capacidade de mobilização que a banda, na pessoa de Dave Grohl, tem. Os fãs saem, quase que todos, satisfeitos dos shows, o clima que se forma é ótimo, com camisas do Nirvana, do Black Sabbath, do AC/DC, do Paramore, mostrando como os caras são abrangentes e importantes pra essa geração do Rock.
O que concluí? Dave Grohl permanece como o cara mais legal do Rock 'n' Roll. Também é possível dizer que os Foo Fighters são a maior banda da atualidade. Digo mais, acredito que a tendência é que eles se tornem maiores ainda com o passar dos anos. Mas, como a quem é dado grande poder é também dada grande responsabilidade, eles precisam convencer a este cabeça dura que aqui escreve, o que não rolou dessa vez.
Setlist:
Something From Nothing
The Pretender
Learn to Fly
Breakout
Arlandria
My Hero
Big Me
Congregation
Walk
Cold Day in the Sun
In the Clear
This Is a Call
Monkey Wrench
Skin and Bones (Com Rami Jaffee no acordeão)
Wheels
Times Like These (Primeira metade versão acústica lenta, com apenas Dave ao Violão, segunda metade com a banda completa)
Detroit Rock City (KISS cover)
Tom Sawyer (Rush cover)
Stay With Me (The Faces cover) (Taylor on vocals)
Under Pressure (Queen & David Bowie cover) (Taylor e Dave nos vocais)
All My Life
Best of You
Everlong
Outras resenhas de Foo Fighters (Maracanã, Rio de Janeiro, 25/01/2015)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O músico que Edu Falaschi lamenta que não estará com Angra no Bangers: "Seria simbólico"
O melhor solo de guitarra do Angra de todos os tempos, segundo Edu Falaschi
A melhor música de "Virtual XI", do Iron Maiden, segundo o Loudwire
All Metal Stars anuncia gravação de DVD em tributo a Andre Matos no show em São Paulo
O Big Four do heavy metal brasileiro, de acordo com Mateus Ribeiro
Baterista do Exodus, Tom Hunting conta como é a vida sem estômago
Edu Falaschi pede desculpa a Rafael Bittencourt por conflito no Angra e ouve: "Eu amo você"
Regis Tadeu explica o que está acontecendo com a voz de Brian Johnson
A banda chamada de "novo Led Zeppelin" que tinha Metallica no bolso, e mesmo assim não estourou
A melhor música de "Brave New World", do Iron Maiden, segundo o Loudwire
Rafael Bittencourt conta pela primeira vez a promessa que fez ao pai de Edu Falaschi
O melhor disco de death metal de cada ano, de 1985 até 2025, segundo o Loudwire
A inusitada ligação entre a criação do Helloween, uma barraca de frango e o Thin Lizzy
Geoff Tate revela que "Operation: Mindcrime III" sai em maio
A música gravada pelo Whitesnake que só foi tocada ao vivo por Glenn Hughes
As três favelas citadas no clássico "Alagados" dos Paralamas do Sucesso
O clássico de Phil Collins em que ele nunca mais quis tocar piano após errar no Live Aid
Slash, há anos sóbrio, sente falta de ficar chapado? Guitarrista do Guns responde

A melhor banda de abertura que o Foo Fighters já teve, segundo Dave Grohl
O hit dos anos 80 que Dave Grohl gostaria de ter escrito: "Por isso que gravei minha versão"
Taylor Hawkins sobre tocar no Foo Fighters: "Há coisas que faço que Dave Grohl não faria"
Foo Fighters anuncia show no Rock in Rio 2026
A clássica banda prog que Dave Grohl nunca curtiu; "hippie demais pra mim"
10 discos de rock que saíram quase "no empurrão", e mesmo assim entraram pra história
O baterista que nos deixou precocemente e que Elton John disser ser um dos maiores
Deicide e Kataklysm: invocando o próprio Satã no meio da pista



