A tour de "Powerslave" quase acabou com o Iron Maiden
Por Mariana Rezende Goulart e Milena Dias de Paula
Fonte: Brave Words
Postado em 10 de março de 2008
O site KNAC.COM entrevistou em março de 2008 três integrantes do IRON MAIDEN - Steve Harris, Adrian Smith e Nicko McBrain - que falaram, dentre outros assuntos, sobre a estafante turnê do "Powerslave", de meados dos anos oitenta.
A "World Slavery Tour" de 1984 e 1985 foi uma turnê de muitos shows seguidos, onde a banda tinha poucas noites de folga. A exaustão que o grupo sentiu depois de completar todos os 193 shows foi mais mental do que física, como o baterista Nicko McBrain relembra. Embora os membros do IRON MAIDEN sempre considerarem sua banda como uma máquina de turnês desde o início, a sobrecarga quase os separou.
Quando conversamos com o baixista/compositor Steve Harris, o guitarrista Adrian Smith e o baterista Nicko McBrain, todos eles admitiram que mesmo com suas luxuosas acomodações (comparadas a turnês anteriores), estar na estrada pode ser cansativo.
"A turnê do Powerslave foi muito longa", disse McBrain. "Durou mais de 13 meses, o que foi quase a morte da banda, para ser honesto, só pelo número de show que fizemos; quatro seguidos, três seguidos, quatro seguidos, folga, três seguidos, folga, quatro seguidos, folga, dois seguidos, folga. Era muito puxado. Acho que viajamos pela América por cinco meses. Naqueles tempos tocávamos em qualquer lugar que nos recebesse".
"Foi como uma volta a anos anteriores a esse, de álbum, turnê, álbum, turnê," acrescenta Steve Harris sobre a experiência. "Acabávamos uma turnê e tínhamos uma semana de folga e depois íamos direto escrever o próximo álbum e ensaiar e depois sair direto para a próxima turnê mundial. E nós fizemos isso pelos primeiros quatro ou cinco álbuns. Era loucura, então naquela época, depois da turnê do 'Powerslave', nós estávamos acabados. Tivemos que dizer ao nosso empresário, 'Olha, nós queremos um tempo'. E todo mundo estava muito destruído. Isso afetou as pessoas em maneiras diferentes. Foi difícil, mas na época, eramos rapazes invencíveis e tínhamos vontade de fazer turnês. Mas no final da turnê, estávamos esgotados. Cinco ou seis noites por 30 meses, duas horas por noite. Fisicamente estávamos ótimos, mas mentalmente, estávamos péssimos," confessa o baixista.
"O tipo de turnê que o Maiden fez durante esse período, sem contar o tipo de agenda massacrante que tínhamos, poderia afetar a voz do vocalista". Harris reconta esse fato sobre o seu companheiro de banda, amigo e confiável piloto da banda. "Bruce estava tão acabado que nem podia escrever nada. Pelo menos nada coerente (risos), para o próximo álbum. Sem dúvida, ele foi o mais afetado. Quando você está cantando... Eu nem posso imaginar como era cantar da maneira que ele cantava toda noite. É incrível. É muito a se pedir para alguém. Ele tem agudos fantásticos, mas pedir para ele fazer isso toda noite por seis noites por semana, duas horas por noite por 13 meses, é muito a pedir para alguém, mesmo. Eu acho que ele não tinha percebido isso antes de sair em turnê - nenhum de nós percebeu - o que isso ia fazer conosco, porque senão, provavelmente, não teríamos feito tudo isso (risos)! Nós provavelmente teríamos dito 'Ok, vamos ter um mês de folga no meio de alguma coisa,' e provavelmente teríamos recarregado nossas baterias e teríamos continuado bem. Mas passar meses assim, é loucura. Mas acho que tem que se passar por esse tipo de coisa para descobrir."
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