Deep Purple: Mostrando como fazer um grande concerto de rock
Resenha - Deep Purple (Espaço das Américas, São Paulo, 12/11/2014)
Por André Ferreira Gransoti
Postado em 19 de novembro de 2014
Por volta das 20:30 a banda de abertura, a paulistana Cruz, entrou no palco e tocou músicas de sua autoria, com um estilo alternativo, de vocais rasgados e instrumental simples, porém, bem elaborado e muito bacana por sinal, infelizmente como não conhecia a banda, não me recordo quantas foram e nem o nome das músicas tocadas por eles, mas a receptividade do público foi bastante positiva, em nenhum momento pedindo pra entrada da atração principal da noite, vaias, nem nada do tipo, foram bem aplaudidos e acolhidos pelo público.
Após esse aquecimento, quase que pontualmente, com dez minutos de atraso do horário marcado (22h00) começou a soar a intro "Mars, The Bringer of War" e aos poucos os veteranos do DEEP PURPLE começaram a tomar seus postos, para delírio do público.
Diferente do show de Brasília em que a banda abriu o show com "Apres Vous" do último álbum "Now What ?!", no show de São Paulo logo após a intro começaram as primeiras notas de Highway Star, como já é tradição da banda abrir com esse clássico. A banda mostrava uma ótima forma, inclusive Ian Gillan com sua saúde frágil nas últimas aparições, não deixou o público na mão e mostrou entusiasmo e vigor, cantava toda suas partes, dançava e interagia com o público o tempo todo; mas a todo solo ou parte da música que não precisava de sua presença se encaminhava para trás do biombo montado aos fundos da bateria para recarregar suas energias.
Sem esperar o som cessar mandaram mais três músicas seguidas, sim, para os senhores do rock não tem tempo ruim. Foram elas: "Into the Fire", "Hard Lovin’ Man" e "Strange Kind of Woman", está última com direito a brincadeira entre Steve Morse e Ian Gillan em que um copiava o que o outro fazia cada um com seu instrumento, no caso de Gillan com sua voz.
Depois essa quadra de clássicos, o público já estava aquecido para ouvir a primeira do último álbum, a excelente "Vincent Price", Com seu som pesado e toque sombrio dado pelos teclados de Don Airey. Em seguida vieram "Contact Lost", quase que figurinha carimbada no set list dos últimos anos da banda e com o também famoso e belo solo de Steve Morse. Por seguinte veio "Uncommon Man", mais uma do "Now What ?!", música dedicada à Jon Lord, que tem um belo efeito de metais de uma banda marcial, ou fanfarra.
Após essa bela homenagem à Lord, "The Well-Dressed Guitar", mostrando toda a sintonia da banda e a virtuose de Morse com o instrumento, dando um tempo para Gillan tomar um ar. Em seguida foi a vez de Ian Paice entoar as primeiras batidas de "The Mule" e fundir um ótimo solo de bateria que incluiu em certa parte baquetas com pontas de leds que mudavam de cor a cada batida.
Ainda restava muitos clássicos a serem tocados, então Don Airey começou um dos seus tantos momentos brilhantes da noite e após uma breve introdução com Paice começou o que seria um dos grandes momentos da noite, "Lazy", música que dispensa apresentações e está entre as grandes obras da banda britânica, Gillan tocou suas partes de gaita com maestria e o público retribuiu com muita energia.
Na sequência vieram "Hell to Pay" do último álbum; e enfim foi a vez de Don Airey mostrar todos seus dotes, no seu solo que mistura música clássica e partes psicodélicas, o que mais chamou a atenção foi o curto trecho de "Mr. Crowley", além de tocar clássicos da MPB com direito a trechos de "Aquarela do Brasil" e "Garota de Ipanema", o que fez o público ir ao delírio. Seu solo terminou com o início de "Perfect Strangers" e assim mais um clássico da banda foi executado com total maestria e o público cantando junto toda a música em alto e bom som.
Nos momentos finais do show, vieram as infaltáveis "Space Truckin’" e "Smoke on the Water", essa última com direito a refrão cantado somente pelo público, como não poderia deixar de ser, se tratando talvez do maior clássico da banda e um dos maiores de toda a história do rock mundial.
O bis veio com "Green Onions" um cover da banda "Booker T. & The MG’s" emendando com "Hush". Roger Glover deu uma palinha do seu talendo em um breve solo com o acompanhamento de Paice para então surgir "Black Night", última música da noite e enfim aquela noite mágica havia acabado próximo de 1h50 de show.
Mais uma vez o DEEP PURPLE mostra como se fazer um grande concerto de rock, Glover muito simpático e sempre interagindo com o público, Morse e Airey sempre sorridentes e mostrando que não devem nada à Blackmore e Lord (RIP), Paice sempre concentrado e impecável em sua apresentação, nem uma baqueta derrubou sequer e Gilan mostrando que mesmo com toda sua saúde frágil, como um frontman faz um show de verdade!
Espero ver esses senhores em breve em nossa terra para conferir novamente!
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