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Cavalera Conspiracy: a espera que gerou o caos

Resenha - Cavalera Conspiracy (Bar Opinião, Porto Alegre, 14/09/2014)

Por Tiago Alano
Fonte: All That Metal
Em 21/09/14

Depois de duas décadas de espera para o retorno dos irmãos Max e Iggor Cavalera para a capital dos gaúchos, a dupla fundadora do Sepultura finalmente aportou em nossas terras sulistas com o Cavalera Conspiracy. Prestes a lançar seu novo álbum, batizado "Pandemonium", a banda dos irmãos mineiros apresentou diversas faixas dos trabalhos gravados com a banda que fundaram em 2007, além dos já esperados clássicos do Sepultura que atraíram tantos fãs ao Bar Opinião.

Os trabalhos da noite começaram por conta da banda Capadocia, grupo que tem origem na cidade de Santo André/SP e prepara-se para lançar seu debut, intitulado "Leader’s Speech". O som do Capadocia tem como base boas doses de Groove e Thrash mesclados com outras influências diversas. Com uma performance bem energética, a banda foi conquistando o público aos poucos conforme o Opinião ficava cada vez mais cheio.

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Apesar da banda ter sido formada em 2011, os músicos do Capadocia já tem muita experiência e isso é visível (ou melhor, audível!) através de faixas como "Standing Still" e "Leaders In Fog". O set list ainda teve espaço para um cover de "Blackened", do Metallica, com direito a resposta imediata do público perante tal clássico. Particularmente, gostaria de destacar "Sounds Of An Empty Gun" com seu breakdown impossível de manter alguém sem bater cabeça.

Pontualmente às 21h o baterista Iggor Cavalera surge no palco ao lado do guitarrista Marc Rizzo, para logo depois Max juntar-se a eles e dar início aos caos sonoro que instalou-se no recinto. A abertura foi com a faixa-título do primeiro álbum do Cavalera Conspiracy, "Inflikted", com Iggor já destruindo seu instrumento de trabalho. Sem nem deixar um breve espaço de tempo para os fãs respirarem, a banda já mandou na sequência "Warlord" e "Torture", ambas do disco "Blunt Force Trauma" de 2011. Interessante notar que apesar de boa parte do público estar presente para escutar os clássicos do Sepultura, a recepção para as músicas do Cavalera Conspiracy não ficaram devendo em nada, sempre prontamente recebidas com muita insanidade pelos presentes.

Como consegui viver de Rock e Heavy Metal

Dentre as observações iniciais, podemos constar que mais um integrante do Soufly foi adicionado a formação da banda que está em turnê, pois o baixista Tony Campos está substituindo Nate Newton. Outro fator relevante foi a presença de palco de Max em comparação ao ano passado, quando ele esteve nesse mesmo palco do Opinião com o Soulfly. No ano passado o show pode ter sido excelente, mas era visível o cansaço de Max, o que não aconteceu dessa vez, visto que presenciamos um frontman muito mais interativo com a plateia e com mais presença de palco. Lógico, tenha em mente um Max com presença de palco usando como parâmetro os dias atuais e não os tempos de Sepultura onde ele bebia meia garrafa de whisky antes de cada performance.

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Os primeiros clássicos do Sepultura presentes no repertório vieram na forma de um medley que envolvia "Beneath The Remains", "Desperate Cry" e "Troops Of Doom", com direito ao público cantando a plenos pulmões o riff inicial dessa última. Uma trinca de faixas do disco "Inflikted" veio na sequência, com "Sanctuary", "Terrorize" e "The Doom Of All Fires", fazendo-se notar novamente o quanto o público recebeu bem a banda que uniu novamente os fundadores da maior banda de Metal brasileira. Mas é claro que clássico é clássico e todos esperavam por canções dos velhos petardos, sendo prontamente atendidos com "Wasting Away", presente no único disco do Nailbomb ("Point Blank", de 1994).

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"Babylonian Pandemonium" foi apresentada ao público gaúcho antes de seu lançamento, conforme tem sido feito ao longo da turnê pelo Brasil, com direito a Max pedindo para o público cantar ao final da música. E de uma novidade a banda foi direto para um dos momentos mais esperados: o tradicional medley de "Arise" e "Dead Embryonic Cells", gerando um êxtase coletivo no local e alguns dos maiores 'circle pits' da noite. Em contrapartida, o único ponto baixo da noite veio na sequência com "Killing Inside". É uma ótima música, disso não há o que duvidar, mas ela realmente não soa do mesmo jeito ao vivo, parecendo muito mais crua do que na versão de estúdio.

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Mandar na sequência as duas faixas de abertura do mega clássico "Chaos AD" é uma tremenda covardia, mas assim foi feito com a execução de "Refuse/Resist" e "Territory", mais uma vez fazendo as paredes do Opinião tremerem. Ritchie Cavalera, enteado de Max, juntou-se a banda no palco para a performance de "Black Ark", mais uma do "Inflikted", certamente um dos momentos mais marcantes da noite. Sem deixar o povo descansar, mandaram mais uma nova, "Bonzai Kamikaze", provando que Max estava falando a verdade de que este vai ser o álbum mais brutal do Cavalera Conspiracy.

O final da primeira parte do show foi com "Inner Self" e "Attitude", fazendo a felicidade geral de quem compareceu querendo escutar os clássicos que forjaram uma lenda da música brasileira. Me pergunto se algum fã conseguiu ficar parado nesse momento do show, especialmente o pessoal das antigas em "Inner Self" por tratar-se de um hino da cena nacional. A promessa foi da banda retornar se a plateia fizesse barulho, o que sucedeu-se com a banda tocando "Orgasmatron", cover do Motörhead que o Sepultura imortalizou nos tempos de "Arise". O encerramento não poderia ser mais óbvio com "Roots Bloody Roots", mas confesso que bateu aquela sensação de tristeza por saber que já estava acabando e o final mais rápido que a banda está tocando para esta música é como a última oportunidade de você enlouquecer no show.

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É óbvio que qualquer fã das antigas não tem como sair 100% satisfeito de um show como esse, pois sempre faltam inúmeras músicas que você gostaria de escutar e não estavam no repertório. Um exemplo disso é "Necromancer", que segundo Max na entrevista que realizei com ele seria tocada nessa turnê, mas no final das contas esteve presente apenas no show de Belo Horizonte com participação de Jairo Guedz. Mas tudo bem, após tanto tempo de espera valeu cada segundo para quem estava lá e assistiu os irmãos Cavalera fazendo história em Porto Alegre novamente. Forte candidato a melhor show do ano!

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Sobre Tiago Alano

Tiago Alano cresceu em meio aos maiores clássicos do Rock da coleção de discos de vinil de seu pai, mas foi quando conheceu o Iron Maiden aos 13 anos que sua vida mudou por completo. É publicitário, fotógrafo e escreve sobre música desde 2005. Além de colaborar com o Whiplash, também possui seu próprio blog, o All That Metal, e é um dos apresentadores de um programa na Rádio Putzgrila voltado para bandas independentes.

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