Como foi a reconciliação dos irmãos Cavalera, segundo eles mesmos
Por Mateus Ribeiro
Postado em 09 de dezembro de 2025
Nascidos respectivamente em agosto de 1969 e setembro de 1970, Max e Iggor Cavalera figuram entre os nomes mais importantes da história da música brasileira. Os irmãos ganharam reconhecimento mundial por terem fundado o Sepultura, maior expoente do metal sul-americano.
A trajetória da banda começou a tomar forma em 1984, quando os dois ainda eram adolescentes aficionados por música pesada. Max assumiu a guitarra e os vocais, enquanto Iggor se estabeleceu como baterista.
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Com o apoio de diferentes músicos ao longo dos anos, os Cavalera ajudaram a projetar o nome do Sepultura no exterior. Discos como "Beneath the Remains" (1989), "Chaos A.D." (1993) e "Roots" (1996) evidenciaram a força de um grupo que, mesmo enfrentando adversidades, saiu de um país com pouca tradição no metal e conquistou admiradores ao redor do mundo.
Max deixa o Sepultura
Apesar do sucesso, o Sepultura enfrentou um período turbulento em 1996. Insatisfeito com a demissão da empresária Gloria - sua esposa - por decisão dos demais integrantes, Max decidiu deixar o grupo. A ruptura foi marcada por forte tensão, como aponta matéria publicada pela revista Metal Hammer.
O vocalista saiu oficialmente após o show realizado em Londres, em 16 de dezembro daquele ano. As lembranças não são das melhores, como ele próprio recorda:
"Acho que não foi no camarim. Foi mais no ônibus a caminho do aeroporto. Eu provavelmente tinha bebido um pouco, então estava meio alterado. Eu disse a eles: 'Se vai ser assim, que se danem todos vocês, estou fora daqui'."
A separação dos irmãos
Após a saída conturbada, Max rompeu relações com seus ex-colegas - incluindo Iggor. O vocalista seguiu com o Soulfly, enquanto o baterista permaneceu no Sepultura. A cisão, naturalmente, abalou os irmãos.
"A parte mais difícil foi o Iggor, porque ele era meu irmão. Eu pensava: 'Como você pôde fazer isso comigo?'. Não sei, cara. Teve um pouco a ver com ganância, teve um pouco a ver com a natureza humana", comentou Max.
Iggor, por sua vez, relembrou o momento com amargura: "Foi horrível. Eu e o Max éramos muito próximos há muitos anos. Com irmãos, não se resolve apenas conversando. É preciso que algo extremo aconteça para que ambos entendam o que está acontecendo", pontuou o baterista.
Iggor deixa o Sepultura e se reconcilia com Max
Em 2006, Iggor também deixou o Sepultura, o que marcou a saída do último membro fundador. Para ele, a decisão foi menos complicada do que continuar afastado do irmão.
"A decisão de sair do Sepultura não foi difícil. Foi mais difícil continuar sem meu irmão. Tínhamos acabado de ter um filho, e minha esposa estava muito triste: 'Seu irmão nunca viu nosso filho, isso não está certo'. E eu pensei: 'Ela está certa'. Então, entrei em contato e conversei com ele. Esse foi o primeiro passo."
Infelizmente, o fato extremo citado por ele se concretizou: Dimebag Darrell, guitarrista do Pantera e do Damageplan, foi assassinado em 8 de dezembro de 2004, enquanto fazia um show. A tragédia acelerou o processo de reconciliação.
"Fomos muito influenciados por toda a situação com o Pantera, a história do Dimebag – tipo, 'Olha, esses caras não podem fazer o que estamos fazendo agora'. Sabemos como a vida é, ela é super curta. Então eu pensei, 'Que se dane, eu só quero ficar com meu irmão'", relatou Iggor.
"Ele voltou atrás e pediu desculpas", relembrou Max. "Disse à Gloria que estava errado, o que é ótimo. Admitir que estava errado em toda essa situação foi muito legal da parte dele", complementou.
Os Cavalera unem forças novamente
A reconciliação extrapolou o campo pessoal. Max chamou Iggor para fundar um novo projeto, que acabou batizado como Cavalera Conspiracy. De acordo com entrevista que o vocalista concedeu ao apresentador Danilo Gentili, foi preciso um "migué" para convencer o irmão.
"Foi no camarim do show em Phoenix [Arizona, EUA]. Teve um show do Soulfly, que é meu grupo. E o Iggor foi pra Phoenix pra me visitar depois desse telefonema. Aí, tava no show, eu falei: 'vamos tocar duas músicas juntos, vamos terminar o show'. Ele tocou, a galera pirou, foi ao delírio, foi aquela coisa meio surreal.
Aí falei com o Iggor, até menti pra ele. Eu falei: 'Ah, véio, eu já tenho dez músicas prontas pra gente fazer um disco'. Não tinha porra nenhuma, tinha uma só. Convenci ele."
Desde então, o Cavalera Conspiracy segue firme, enquanto seus líderes mantêm outros projetos paralelos. Unidos novamente, Max e Iggor seguem fortalecendo não apenas os laços familiares, mas também o legado do metal brasileiro.
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