Kiss: esbanjando vigor e competência no Rio de Janeiro
Resenha - Kiss (HSBC Arena, Rio de Janeiro, 18/11/2012)
Por Marcelo Prudente
Postado em 28 de novembro de 2012
Em meados dos anos 1970, quando o movimento rock n’ roll passava por um dos seus melhores momentos – senão o melhor e significativo – era fácil ver grupos de amigos empunhando instrumentos a fim de respirar toda aquela mística e criativa áurea que pairava no ar. Dali surgiram formações seminais para história da música contemporânea, que, sem a menor gota de dúvida, serão objetos de apreciação, e porque não, objetos de estudos de gerações futuras.
Nesse baú de preciosidades infinitas da década 70, o nome Kiss veio ser a combustão perfeita para uma juventude ávida por heróis que fugissem a cartilha do politicamente correto e que pudessem, a todo custo, transformar a vida dos mais conservadores o pior pesadelo jamais visto. Com composições simples e de grande carga emotiva, adicionando à receita uma das mais geniais sacadas do mundo da música: o apelo visual com as mascaras, o Kiss tomou de assalto a posição de maior espetáculo de rock do planeta, o que se perdura até os dias de hoje.
Perto de completar 40 aninhos de bons serviços prestados à música, a instituição Kiss esbanja vigor e competência que sempre lhe fora peculiar. Isso se aplica tanto às apresentações ao vivo quanto aos recentes registros de estúdio. E o melhor lugar para ver todo o poderio sonoro e cênico dos americanos é em seu habitat natural, o palco. Com três datas no país – Porto Alegre (14); São Paulo (17) e Rio de Janeiro (18) – o Kiss mostrou, mais uma vez aos brasileiros, o porquê de ser a banda mais quente do mundo.
A festa na capital fluminense começou com os trabalhos da banda paulista, Viper, que vem rememorando de uma maneira muito feliz os dois primeiros discos de estúdio, Soldiers of Sunrise (1987) e Theatre of Fate (1989), lançados nos idos dos anos 1980. Canções como "To Live Again", "Living for the Night" e "Rebel Maniac" sempre serão festejadas pelos entusiastas do bom rock n’ roll. Uma pena que essa reunião esteja com data marcada para acabar, porque, ao contrário de algumas outras tantas desastrosas, essa renderia um bom caldo no estúdio.
A expectativa que gira em torno das apresentações dos mascarados é algo incomum no mundo da música, afinal, são poucos os nomes com semelhante credencial. Desta feita não fora diferente, o público carioca só conseguiu esvair de tal emoção sob os acordes da emblemática, "Detroit Rock City". "Shout It Out Loud" não deixa por menos e só retifica que pelas próximas horas a capital mundial do rock é, sim, a cidade do Rio de Janeiro.
Antes de anunciar a próxima canção, o vocalista/guitarrista Paul Stanley agradece a presença do público e promete uma noite mais do que especial a todos. Promessa feita e cumprida, diga-se. "Calling Dr. Love" é cafajeste e debochada no sentido mais malicioso que você, leitor, consiga imaginar. Fazendo os pseudo-críticos morderem a língua e tomarem doses cavalares de seus próprios venenos, a banda prova fácil, fácil que o presente faz, sim, frente ao seu passado brilhante, vide as canções do novo álbum, Monster, como: "Hell or Hallelujah"; "Wall of Sound" e "Outta This World".
Nunca foi escondido a sete chaves o fato do primeiro nome do rock a incorporar atividades cênicas nas apresentações ao vivo remeter ao lendário, Alice Cooper. Se a tia Alice inventou tal prática, o Kiss foi o responsável em elevar tudo a patamares inimagináveis, que desde a citada década 70 faz muito marmanjo marejar os olhos como uma criança em dia de visita ao parque de diversões.
Digno dos melhores circos dos horrores, os mascarados trazem à festa cusparada de fogo, sangue, fogos de artifícios, labaredas, bateria que tem seu praticável suspendido, baixista que é içado às alturas, tirolesa, chuva de papel, telão que projeta imagens ora complementar as canções e ora com símbolos sem nexo algum e, lógico, alguns sutiãs e calcinhas fornecidos prontamente pelas mais atenciosas fãs.
A experiência de quase quatro décadas na estrada gabarita os músicos a construir um repertório bacana que tanto satisfaça banda quanto o fiel exército de fãs. Temas como "God of Thunder"; "I Love It Loud"; "War Machine"; "Love Gun" e "Psycho Circus" garantiram que a temperatura na Arena HSBC ficasse perto do estado de ebulição. Os fãs que já estão maturados pelos anos de rock n’ roll se deliciaram com o adendo de "Won’t Get Fooled Again" (The Who) na canção "Lick It Up", assim como os primeiros dedilhados de "Stairway to Heaven" (Led Zeppelin) em "Black Diamond".
O final apoteótico ficou na responsabilidade da clássica, "Rock n’ Roll All Nite", que teve a recepção mais calorosa da noite, afinal, emanava dos PA’s o maior hino do rock n’ roll de todos os tempos. Os antigos já alertavam para ir com pouca sede ao pote, porque tudo que é bom tende a durar pouco. Batata! Como num piscar de olhos, a apresentação dos mascarados chega ao fim sob incessantes e efusivos aplausos, mas com a certeza de ter entregado aos cariocas um dos maiores espetáculos de rock do planeta.
Publicado originalmente em
http://rockonstage.blogspot.com.br
Outras resenhas de Kiss (HSBC Arena, Rio de Janeiro, 18/11/2012)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A banda que recusou Rock in Rio 1985: "Pessoas decidiram que não era boa ideia"
O guitarrista apontado como melhor do mundo que Alex Lifeson não curte: "Não me tocava"
Sepultura esgota ingressos do último show da carreira
Mantas, guitarrista original do Venom, homenageia Cronos
Gary Holt e Mille Petrozza homenageiam Cronos, falecido nesta quinta-feira
As 5 melhores músicas do Metallica que foram gravadas por Cliff Burton, segundo a Revolver
O vocalista que Tony Iommi demitiu do Black Sabbath porque ele "estava cheirando muita cocaína"
A música do Megadeth que fala sobre o vício em jogos e apostas
Power to the People, festival organizado por Tom Morello, será transmitido ao vivo
O álbum do Led Zeppelin que Jimmy Page acredita que ninguém conseguiria fazer hoje
A arrepiante música do Nirvana que foi sua última gravação e último hit
O curioso tema do TCC de Fernanda Lira que professora reprovou e a fez largar a faculdade
Os bastidores da saída de Fabio Lione do Angra, segundo Marcelo Barbosa
3 clássicos do rock que nasceram de temas banais, segundo a American Songwriter
O conselho de Andreas Kisser para seu filho não passar o que ele passou com Max Cavalera
Roger Waters confessa que não tem o mínimo interesse em AC/DC ou Van Halen
O lendário guitarrista que Jimmy Page considera como seu igual: "Paralelo a mim"
Ex-Kiss, guitarrista Bruce Kulick prepara novo álbum solo
O guitarrista que se tornou fã do Kiss após abrir turnê da banda
Eddie Kramer contou o que o Kiss negou por anos sobre o disco ao vivo "Alive!"
A banda clássica que Pete Townshend descartou como uma "paródia do rock"
Shows no Brasil que encerraram ciclos em carreiras de bandas internacionais
Os dois piores álbuns da discografia do Kiss segundo seu vocalista Paul Stanley
A relação entre Gene Simmons e um ídolo que começou com uma condenação ao inferno
Quando Peter Criss percebeu que o Kiss estava deixando de ser uma banda de rock
O chilique que Sammy Hagar deu quando foi abrir show do Kiss nos anos 70
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida
Em 16/01/1993: o Nirvana fazia um show catastrófico no Brasil



