Gene Simmons explica por que o rap não diz nada pra ele como o rock'n'roll
Por Bruce William
Postado em 09 de fevereiro de 2026
Durante conversa com Ben Weiss, do podcast Legends N Leaders, Gene Simmons foi perguntado sobre a relevância musical e cultural do Kiss e, em vez de entrar no modo "release", preferiu bater de frente com a própria palavra "relevância". Conforme transcrição do Blabbermouth, ele resumiu a irritação assim: "Eu não ligo. Você trouxe um assunto com o qual eu estou pouco me fodendo… Têm 'popular' e tem palavras como 'relevância'. Quem determina relevância? Críticos? […] 'Nós, o povo'. Isso é relevância pra mim."

Daí ele puxou um exemplo que, pra ele, mostra como as placas mudaram de lugar. Simmons citou o fato de o Iron Maiden ainda não estar no Rock And Roll Hall Of Fame mesmo lotando estádios, enquanto nomes do hip-hop já entraram. É nesse ponto que ele conta que já teve um vai-e-vem com Ice Cube sobre o assunto, diz que o respeita, mas deixa claro que a música não é a dele: "Não é minha música. Eu não venho do gueto. Não fala minha língua."
A crítica dele vira uma briga de definição: se o prédio se chama Rock And Roll Hall Of Fame, porque hip-hop entraria ali? Ele compara com ópera e orquestras sinfônicas, e provoca com a piada que ele mesmo usa como "teste do absurdo": se o rock não entra no "Hip-Hop Hall Of Fame", por que o inverso seria normal? A fala é do tipo que você já imagina a discussão começando antes mesmo de ele terminar a frase.
Quando entra no "por quê", ele tenta dar uma explicação mais técnica (do ponto de vista dele) sobre o que diferencia estilos. Simmons diz que rótulos existem porque descrevem uma abordagem e, no caso do rap/hip-hop, ele define como arte de palavra falada com batidas por trás: "Em grande parte, rap e hip-hop são uma arte de palavra falada. Você coloca batidas por trás… existem algumas melodias, mas, em geral, é verbal - rima e tal." Aí vem a conclusão que ele repete sem cerimônia: "Eu desejo mais sucesso pra ele. Eu realmente não estou nem aí. Só não é pra mim."
Da palavra falada ele passa para a questão da "complexidade" e solta outra tese que ele adora: fazer uma canção simples e memorável seria o mais difícil. Em seguida ele cutuca EDM e, ao mesmo tempo, diz que gosta do estilo por fazer gente feliz - só que faz a distinção do jeito mais Gene Simmons possível, citando a ausência de "tributos" e covers e descrevendo o ritual de pista com sarcasmo pesado: "Eu adoro a paixão - a galera faz de tudo ali, seja lá o que for. Eu nunca fui de ficar chapado."
A entrevista também vira um mini-discurso sobre indústria. Ele insiste na palavra "music business" e diz que sempre foi negócio: até na Renascença, compositor sobrevivia com patrocínio. E emenda o ponto que ele acha mais triste hoje: o próximo Beatles ou o próximo Elvis não teria chance porque gravadoras não adiantam dinheiro como antes e, com consumo "de graça", o músico não consegue viver do trabalho.
Na parte final, Simmons tenta desenhar uma linha do tempo do que ele considera "música que fica": de 1958 a 1988, ele lista uma sequência de artistas que ainda "ressoam" e continuam sendo tocados em bar e por banda cover. Depois, diz que há artistas populares (ele cita Taylor Swift como talvez a mais popular de todas), mas separa fama de algo "mais profundo", e usa um exemplo bem pop pra fechar a lógica: "Você sabe qual foi a maior música de todos os tempos? 'Gangnam Style'... bilhões de downloads... Isso mexe o ponteiro? Não. É diversão. Como açúcar... dá aquele pico e some."
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