Os Paralamas do Sucesso: tocando por amor à música
Resenha - Os Paralamas do Sucesso (Teatro SESC, Sorocaba, 30/10/2012)
Por Hugo Alves
Postado em 18 de novembro de 2012
No último dia 30 de outubro Sorocaba teve mais uma vez o prazer de receber a banda Os Paralamas do Sucesso. Esta foi a segunda passagem da banda pela cidade neste ano, sendo a primeira no Teatro do recém-inaugurado SESC e a terceira na cidade em dois anos. Mas isso não quer dizer que se trata de uma simples figurinha carimbada, ou mesmo de atração repetida; desta feita, Os Paralamas do Sucesso mostraram a que vieram: presentear Sorocaba (admitidamente uma das cidades mais queridas de Herbert Viana e cia.) com um setlist extenso que passou por praticamente todas as fases da carreira da banda e ainda reservou algumas surpresas.
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Independente de ser uma terça-feira, o Teatro do SESC estava com sua capacidade de 2.500 pessoas preenchida, só pelo prazer de ver Herbert Viana (voz e guitarra), João Barone (bateria e voz) e Bi Ribeiro (baixo), acompanhados pelos músicos de apoio João Fera (teclados), Monteiro Jr. (saxofone) e Bidu Cordeiro (trombone), promoverem seu mais recente disco, "Brasil Afora", lançado em 2009. Entretanto, a única canção deste álbum que se fez presente foi "Sem Mais Adeus", que iniciou o show de maneira um pouco "morna" – os mais jovens agitavam, enquanto os mais velhos esperavam pelas canções pré "Vamo Batê Lata" (1995). Mesmo assim, todos estavam felizes por ver a banda, e é sempre uma sensação maravilhosa ver gerações diferentes reunidas para ver o mesmo artista.
O ritmo foi acelerando à medida que clássicos cada vez mais importantes para a carreira da banda iam sendo executados. "Dos Margaritas" é uma música gostosa e com refrão que puxa a participação da plateia, mas o primeiro grande momento foi quando "Óculos" soou nos PA’s – e não importa quantas vezes Herbert Vianna faça isso, mas quando ele canta o verso adaptado "em cima dessas rodas também bate um coração", é de emocionar qualquer um que o veja no palco e saiba um pouquinho da sua história. Antes que Herbert se comunicasse pela primeira vez, ainda deu tempo de "Ela Disse Adeus" e "O Beco", e então o vocalista disse estar emocionado com a recepção que a banda teve novamente em Sorocaba, demonstrando todo o seu carinho. Foi a deixa para "Cuide Bem do Seu Amor", clássico recente e carregado de emoção, seguida de "Tendo a Lua", que a banda desenterrou de seu passado após a cantora baiana Pitty emplacar sua regravação da canção.
A animação e o tom dançante tomaram conta do Teatro do SESC na trinca formada por "Bora-Bora" (com seu estranhamente divertido verso inicial "Te imagino com outro cara numa praia em Bora-Bora... Agora!"), "Perplexo" e "Melô do Marinheiro". Mas é lógico que quando se fala de uma banda com a história e os feitos d’Os Paralamas, não há como não esperar boas surpresas, e elas vieram com a dupla homenagem a um dos maiores nomes da música brasileira, o "síndico" Tim Maia, quando a banda tocou "Você" e emendou com "Gostava Tanto de Você". Emocionante!
E, tanto para os fãs da banda como para os do filme "Tropa de Elite 2", ao soar a introdução imediatamente cantada de "O Calibre", foi um momento e tanto, seguido pelo clássico absoluto "Meu Erro", que teve seu refrão urrado pelos presentes – tanto os mais velhos como os mais novos. O show oscilava entre agito e emoção e neste momento não foi diferente, com uma das canções mais esperadas, "Lanterna dos Afogados", com sua introdução marcante no teclado, seguida de um dos solos de guitarra mais inspirados da história do nosso Rock. Histórico!
Para os saudosistas do que pode ser descrito como a fase de maior sucesso da banda, que também foi um tanto contemplativa, por assim dizer, houve como se deleitar com a classuda "Caleidoscópio" e a confessional "Uns Dias". A prazerosamente longa primeira parte do show foi encerrada com a viajandona "La Bella Luna", seguida de "A Novidade" (que já ganhou boas versões de artistas como Jota Quest, Toni Garrido e Ana Cañas) e "Uma Brasileira".
Passados alguns minutos durante a tradicional pausa antes do "bis", eles retornaram ao palco e, após mais agradecimentos de Herbert ao público de Sorocaba, eles mandaram outra agradável surpresa: "Sonífera Ilha", canção imortalizada pelos Titãs. O final se deu com as antigas "Ska", "Cinema Mudo" e a semi-biográfica "Vital e Sua Moto". Mais agradecimentos, muitos aplausos, um público animado e a banda deixou definitivamente o palco.
Os Paralamas do Sucesso têm uma carreira sólida e que deixou sua marca, não só no meio do Rock, mas para a história das músicas brasileira e latina. Não precisam provar mais nada a ninguém, principalmente após a novela real de superação de Herbert Viana, mas uma banda de verdade é isso: tocar por amor à música e por não querer fazer outra coisa. Bom para eles, que atingiram seu patamar intocável de sucesso, e para nós, que podemos sempre vibrar e nos emocionar com suas canções.
1. Sem Mais Adeus
2. Dos Margaritas
3. Óculos
4. Ela Disse Adeus
5. O Beco
6. Cuide Bem do Seu Amor
7. Tendo a Lua
8. Bora-Bora
9. Perplexo
10. Melô do Marinheiro
11. Você (Tim Maia)
12. Gostava Tanto de Você (Tim Maia)
13. O Calibre
14. Meu Erro
15. Lanterna dos Afogados
16. Caleidoscópio
17. Uns Dias
18. La Bella Luna
19. A Novidade
20. Lourinha Bombril
21. Alagados
22. Uma Brasileira
23. Sonífera Ilha (Titãs)
24. Ska
25. Cinema Mudo
26. Vital e Sua Moto
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