Flogging Molly: um sonho realizado em São Paulo

Resenha - Flogging Molly (Via Funchal, São Paulo, SP, 10/11/2012)

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Por Pedro Henrique Cardoso Carvalho
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O Flogging Molly é uma banda estadunidense formada em 1993 em Los Angeles, encabeçada por Dave King (ex-vocalista da Fastway, banda de heavy metal dos anos 80,e irlandês), mas foi só em 2000, já com a formação atual, Bridget Regan (violino e flauta e esposa de Dave), Dennis Casey (guitarra), Matt Hensley (acordeão), Nathen Maxwell (baixo), Bob Schmidt (bandolim e banjo) e George Schwindt (bateria e percussão), que lançaram seu primeiro álbum pela SideOneDummy Records, intitulado Swagger. O nome da banda vem do pub onde tocavam que se chamava Molly Malone e a cada apresentação, ficava mais lotado. Floggin vem de “to flog”, que em tradução literal é algo como “açoitar”.

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A banda já está em seu 5° disco de estúdio e o objetivo da turnê brasileira é divulgar o novo trabalho Speed of Darkness, que continua com elementos de música celta, porém, mais pendente para o Rock ‘n Roll do que para o punk dos outros álbuns. Trabalho Igualmente maravilhoso.

É impossível falar do Flogging Molly sem se envolver profundamente com a banda. Por não ter um estilo musical claramente definido, agrada fãs de diversos gêneros, desde Punks, headbangers, psychobillies e até quem não é fã de nada se contagia com as músicas altamente dançantes e que invariavelmente nos remetem aos pubs irlandeses cheios de cerveja e pessoas felizes brincando e dançando.

Por ser uma banda “non-mtvable” como o próprio Dave King diz, nunca pensei que o Flogging pisaria em terras brazucas. Para surpresa de todos os fãs, os shows no Brasil foram anunciados no começo do segundo semestre. Não preciso dizer que garanti meu ingresso no primeiro dia de venda, não é mesmo!?

O que vocês estão prestes a ler, com as devidas desculpas, é um relato de um fã incondicional da banda que nesse momento não consegue ser imparcial. É impossível revisitar a memória do show e não me emocionar. De verdade, nunca pensei que os veria no Brasil.

Vamos ao que interessa!

A abertura ficou por conta dos irmãos João e Eduardo Suplicy, mais conhecidos como Brothers of Brazil.

Musicalmente, o som deles é bem interessante, misturando bossa nova com elementos de punk rock e rock ‘n roll clássico. Falar do Supla é sempre complicado, até por conta da história de vida do cara é difícil acreditar que ele tenha vivenciado tudo que escreve nas músicas, mas tenho que dar o braço a torcer e admitir que o cara tem cojones para se compor músicas como ele faz, subir no palco e ainda fazer uma boa apresentação.

O que eu achei interessante foi uma declaração dada no palco por ele mesmo: “Música original, cover de ninguém!”. Ok, tem meu respeito.

Quando os Brothers terminaram a apresentação, em meio a aplausos e vaias, os roadies logo arrumaram o palco, tudo ficou escuro e para a surpresa geral, Dave entra no palco cantando The Wrong Company! Demorou para cair a ficha que eu estava alí, cara a cara com o Flogging Molly!

A galera foi ao delírio, foi emocionante de verdade, todo mundo cantando junto! Acho que o Dave deve ter ficado surpreso ao ver o Via Funchal inteirinho cantando junto com ele. Eu também fiquei.

Quando ele acabou de cantar, se apresentou, agradeceu a nós por termos comparecido ao evento e os acordes de The Likes of You, foram entonados. É difícil falar “tal música é emocionante” porque todas são!

Na maioria das apresentações, Swagger é a música que vem na sequência e não foi diferente pra gente. Swagger é uma música instrumental que dá título ao primeiro álbum de estúdio do FM e quem escuta, sabe que é uma paulada na orelha! Acho que por ser instrumental, todos são tomados por uma alegria instantânea, foi engraçado ver o que seria a tradicional ‘roda’, transformada num grande salão onde as pessoas dançavam abraçadas e balançando a cerveja de um lado para o outro, exatamente como nós imaginamos que seja! É magia celta isso, só pode.

A próxima música foi a música de trabalho do novo CD, Speed of Darkness. Agitou bastante o público, pois tem uma pegada um pouco diferente. Um pouco mais rápida do que as outras e bem melódica. Tem até um “lararararáááá” onde é possível fazer um coro. E, uma coisa que eu já percebi, nós brasileiros somos ótimos para fazer coro. Assim foi. (me fala um sinônimo de “emocionante” aí, pra não ficar repetitivo)

Revolution, essa música é contagiante! O FM tem uma “coisa” meio voltada para o operariado. Essa temática é pertinente nas músicas britânicas, e esse álbum novo deixa bem claro que o FM também abraça essa causa. A música é muito boa, mas segue na linha diferenciada do folk tradicional.

Nesse momento, alguém surgiu com uma bandeira do Brasil, que o Dave prontamente solicitou e claro, foi atendido. Prontamente amarrou nas costas e tocou as próximas duas músicas enrolado na nossa bandeira. O que engraçado durante toda a apresentação foi o Dave elogiando o povo brasileiro, dizendo que nos somos lindos e tal. Vindo dos shows do Sul e do Rio de Janeiro, acredito que ele tenha ficado perplexo com tamanha a diversidade do nosso povo. Realmente, o povo brasileiro é diferente de qualquer outro povo do resto do mundo! E ele fez questão de deixar isso bem claro! A Banda de um modo geral, é muito simpática. A presença de palco deles, é gigante! Parece que o palco e a plateia são uma coisa só, como acontece nos pubs!

As próximas músicas foram Life in Tenament Square, Whistles in the Wind e Saints and Sinners do disco novo, muito boa essa música. Bastante melódica o que favorece a cantoria conjunta com a plateia. Diversão 100%.

Entre uma música e outra, surgia alguma brincadeira cultural, Dave pediu desculpas pelo cabelo que ele estava perdendo e não deu tempo de arrumar, então ele disse que estava parecido sabe com quem???? Neymar! Pô, esse tiozinho é muito engraçado, não tem como não gostar dessa banda!

A próxima música, podemos dizer que foi o ápice da apresentação. Drunken Lullabies. Sim amigos, essa música foi tocada! Não preciso dizer que fomos a loucura não é mesmo!? Todo mundo cantou a música inteira, teve agito, teve roda, teve o povo dançando abraçado, teve gente jogando a cerveja pra cima! Estávamos em estado de êxtase! Poucas vezes, ou quase nenhuma, em todo esse tempo de show, eu vi tanta empolgação por parte do público. Foi fantástico! Essa foi a primeira música do Flogging Molly que eu escutei lá por meados de 2004. Acredito não ter sido o único. “Cause we find ourselves in the same old mess, singing drunken lullabies.”.

Requiem for a Dying Song, do álbum Float, foi a próxima música seguida da dramática The Power’s Out, que Dave fez questão de dedicar ao povo do nordeste dos Estados Unidos atingidos recentemente pelo furacão. A apresentação dessa música foi excepcional, teve direito a megafone, Dave fazendo barulho de sirene, e tudo mais. Essa música fala sobre como a crise atingiu as pessoas na cidade de Detroit, mais uma música sobre o que está acontecendo atualmente nos EUA. Pesada. O gran finale foi a ultima estrofe “And the power’s out!” e todas as luzes se apagaram!

Uma surpresa para nós paulistas foi eles terem tocado The Wanderlust, do álbum Within a Mile From Home. Pelo que me consta, essa música não foi tocada nas outras apresentações.

A Prayer For Me In Silence e um cover do Bob Dylan, The Times They are a Changin foram as músicas que precederam outra bomba músical, BLACK FRIDAY RULE! Sim, Black Friday Rule foi tocada na integra! Eu escuto bastante o Whiskey on a Sunday e pra mim, de longe é a melhor execução do álbum. Não foi diferente na apresentação em São Paulo. Foi fantástico. Essa música tem uma energia que te faz querer cantar junto com o Dave em todos os momentos. É triste e feliz ao mesmo tempo. Chega a ser paradoxal. Nessa música tem um interlúdio onde a banda sempre faz alguma graça. Dessa vez foi o guitarrista Dennis Casey que fez uma performance quase teatral arrastando sua guitarra pra lá e pra cá. E nos presenteando com um solo incrível.

A próxima música, Oliver Boy, é uma referência à história de Oliver Cromwell, um líder militar que viveu em 1660 e participou do destrono do Rei da Inglaterra e declarou guerra a todos que ainda eram leais a coroa. Oliver Cromwell ainda dirigiu uma grande campanha em todo Reino Unido (a independência da Irlanda é recente) perseguindo e matando milhares de Irlandeses e católicos. Apesar da música ser carregada de história, é uma clara referência ao momento político vivido atualmente nos Estado Unidos, onde os dois partidos se atacam de maneira feroz, como faziam protestantes e católicos.

Para desbaratinar da atmosfera pesada de Oliver Boy, Rebels of the Sacred Heart foi executada seguida da dançante Devil’s Dance Floor! Essa última tem um trecho com flauta, altamente pegajosa. Mas como todas as músicas do Flogging, muito divertida e mais uma vez, a roda foi convertida num dance hall! Mais cerveja voou, mais pessoas felizes e alegres!

If I Ever Leave This World Alive já virou classic e veio na sequência. Como eu falei lá em cima, entre uma música e outra, Dave sempre fazia alguma brincadeira, dessa vez, ele ficou feliz de ter visto um ruivo na plateia. Ele ficou tão empolgado com a nossa diversidade que ele falava “I can’t believe there’s a redhead here! Now i’m not feeling so ulgy!”.

What’s left on the flag e para finalizar com chave de ouro, Seven Deadly Sins. Outro clássico da banda! Música para levantar a moral!

Eles agradeceram e se despediram. Foi tudo tão rápido que eu nem vi que eles já tinham voltado pro Bis! Eu juro que não sabia que isso aconteceria. Risos.

Mais dois clássicos foram executados, The Worst Day Since Yesterday e Salty Dog. Essa última tem um final muito legal com um cachorro uivando. A plateia fez as vezes do cachorro e foi muito legal! Todos uivando juntos!

O Flogging Molly fechou a apresentação com Float. Uma música meio de despedida mesmo. Todas as músicas são muito bem contextualizadas! Daí sim a banda se despediu de verdade.

Bob e Dennis ficaram tão empolgados que depois da apresentação, eles desceram do palco, pularam a grade e foram pro meio da multidão! Admiro músicos que tem essa humildade!

O balanço geral do show? Foi um sonho realizado! Faltaram umas 2 ou 3 músicas (Laura e Another Bag of Bricks por exemplo), mas foi uma apresentação na medida! Mais do que eles tocaram, ficaria chato e menos, ficaríamos com aquela sensação de quero mais! Não que não queiramos, mas foi sensacional. Uma experiência incrível. Ver gente do Brasil inteiro em São Paulo para ver o Flogging Molly, com certeza deve ter emocionado eles. A música deles tem o poder de unir diversos estilos, como eu disse no começo do texto, vi metalheads, punks, carecas, psychobillies, todos cantando as mesmas músicas! Isso foi lindo! Isso demonstra o poder que uma boa música tem! Independente do estilo, música boa pode ser reconhecida de qualquer lugar!

Para quem não conhece o Flogging Molly, nunca ouviu. Meu conselho: Escuta pelo menos uma música, vale a pena!!!

Set List:

The Wrong Company
The Likes Of You Again
Swagger
Speed Of Darkness
Revolution
Life in Tenement Square
Whistles of the Wind
Saints & Sinners
Drunken Lullabies
Requiem For A Dying Song
The Power's Out
The Wanderlust
A Prayer For Me In Silence
The Times they are a Changin
Black Friday Rule
Oliver Boy (All Of Our Boys)
Rebels of the Sacred Heart
Devil's Dance Floor
If I Ever Leave This World Alive
What's Left of the Flag
Seven Deadly Sins

Bis:
The Worst Day Since Yesterday
Salty Dog
Float

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