Dream Theater: um show magistral no domingo em São Paulo

Resenha - Dream Theater (Credicard Hall, São Paulo, 26/08/2012)

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Por Fernando Araújo Del Lama
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Credicard Hall lotado. Com um pequeno atraso, nada fora da normalidade, apagaram-se as luzes e se inicia a exibição de um vídeo com uma animação da banda, nos três telões em forma de cubo localizados ao fundo do palco. O vídeo mostra os integrantes “cartoonizados” e o garotinho que anda num monociclo da capa do último álbum, “A Dramatic Turn of Events”. Ao fim do vídeo, a banda entra mandando ver em “Bridges in the Sky”, do já citado último álbum, que soou muitíssimo bem ao vivo.

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Petrucci é uma lenda. O cara toca músicas complexas de forma tão simples, fazendo parecer que até eu posso pegar numa guitarra e sair tocando. Ainda bem que terei o prazer de revê-lo em outubro, ao lado do Satriani e do Morse, com o G3.

Em seguida, veio uma de minhas favoritas: “6:00”, do álbum “Awake”. Uma coisa precisa ser dita: Mangini se saiu muito bem na introdução desta música, uma das levadas mais características de Portnoy. Depois desta, LaBrie fez “aquela” pausa diplomática para saudar os presentes e adiantar algumas novidades sobre o um vindouro álbum. Em seguida, tocaram “The Dark Eternal Night”, do “Systematic Chaos”.

Em seguida, vieram a bela “This is the Life”, do novo álbum, com um solo bastante inspirado de Petrucci, seguida de “The Root of All Evil”, do controverso “Octavarium” e “Lost Not Forgotten”, também de “A Dramatic Turn of Events”. Parece que todas as músicas do álbum mais recente soam extremamente bem ao vivo.

Geralmente, acho os solos de bateria desnecessários; utilizo este momento dos shows para buscar cerveja ou qualquer coisa do tipo. Mas isso se torna impossível quando se assiste a uma banda com um monstro chamado Mike Mangini na bateria: com um kit enorme, o sorridente Mangini “passeou” durante o solo por toda a bateria com maestria e versatilidade. Mas o melhor ainda estava por vir: em determinada altura, ele diminuiu o ritmo, abandonou uma das baquetas e comeu uma banana que alguém lhe serviu! Ao final da apresentação, ele agradeceu a recepção com um grande “obrigado”.

Em seguida, veio “A Fortune in Lies”, do longínquo “When Dream and Day Unites”, o primeiro álbum da banda. Um detalhe que vale a pena ser mencionado é o aparato visual do show, desde o jogo de luzes até os 3 telões ao fundo do palco: tudo funcionava, de fato, de modo impecável! Interessante como o show ganha toda uma “roupagem” diferenciada com esses pequenos detalhes.

É chegada a hora daquele momento intimista do show, o set acústico! As músicas apresentadas foram a bela “The Silent Man”, do “Awake”, e “Beneath the Surface”, do trabalho mais recente. Eu nunca fui muito fã do James LaBrie, pois o achava tecnicamente inferior aos demais músicos da banda; sempre achei sua voz bonita, mas quando ele precisava cantar notas mais altas, sua voz ficava bastante forçada. Após a primeira audição do último álbum, entretanto, passei a vê-lo com outros olhos: ele se saiu muito bem em todas as músicas, pois, ao que me parece, elas estão mais adequadas à sua tessitura (será que há alguma relação com a saída de Portnoy?). No show de domingo, enfim, minha opinião sobre o vocalista passou por uma “reviravolta dramática”: ele tem uma presença de palco incrível, canta com emoção todas as músicas, além de ser bastante carismático, interagindo bastante com os demais músicos e com a plateia.

Voltando para as músicas em versões “plugged in”, a próxima foi “Outcry”, do último álbum. Em seguida, vem o momento “mágico” do show: o solo do “mago” Jordan Rudess é brilhante. Além de tocar demais seu teclado (posicionado sobre uma base giratória) é bastante irreverente, fazendo brincadeiras com LaBrie e interagindo com a plateia a todo instante. Em seguida, é hora de nostalgia no Credicard Hall: quando soa a introdução de “Surrounded”, do insuperável “Images and Words”, uma salva de palmas incrível toma conta do show. Foi nessa música que ocorreu o momento mais memorável da noite: os músicos pararam de tocar e um coro imenso, cantando os versos “I know it’s easier to walk away than look it in the eye”, toma conta do show. De arrepiar! Tenho que reavaliar isso com mais calma, mas depois de domingo, talvez “Surrounded” tenha ultrapassado “Another Day” no posto de “Balada favorita do Dream Theater”...

Em seguida, mandaram “On the Backs of Angels”, música que levou a banda a concorrer a um Grammy, porém – injustamente – sem faturá-lo. Na sequencia, vieram “War Inside My Head” e “The Test that Stumped Them All”, ambas do “Six Degrees of Inner Turbulence”. Em seguida, vem um solo de Petrucci acompanhado por Rudess. Para terminar o set regular, as escolhidas foram a belíssima e emocionante balada “The Spirit Carries On”, única do álbum “Metropolis – Part 2” e “Breaking All Illusions”, do “A Dramatic Turn of Events”. Depois desta, abandonam o palco.

Não é novidade dizer que John Myung toca muito. Porém, o que ele tem de habilidoso, ele tem de inexpressivo: embora ele cumpra seu papel de modo muito bem feito ao longo de todo o show, praticamente não interage com a plateia, fazendo-o parecer um músico de apoio que toca mais à frente no palco. Acho isso bastante estranho. LaBrie nem o apresentou ao público ou o elogiou, como fez com Petrucci, Mangini e Rudess. Vai entender qual é a desses orientais...

Para fechar a noite de domingo de forma magistral, eles voltaram ao palco com “Metropolis – Part 1”, outra de “Images and Words”, que é, talvez, a música mais famosa da banda. Para aqueles que, como eu, estavam acompanhando os setlists dos últimos shows, esta música já era esperada, tendo em vista que em Porto Alegre, a escolhida para fechar o show foi “Pull Me Under”. Vale observar que é impressionante como essa música compreende todos os principais elementos que caracterizam o som do Dream Theater, como complexidade e melodia, fazendo deste som um verdadeiro porta-voz da banda.

Contudo, como nem tudo são flores, seguem agora algumas críticas: particularmente, gosto do Dream Theater porque, embora seja uma banda composta por músicos extremamente virtuosos e habilidosos, suas músicas não deixam de lado uma “pegada rock n’ roll”. No entanto, não vejo muito sentido em ficar fritando o instrumento, esbanjando talento e técnica, como ocorreu, por exemplo, no solo que precedeu “The Spirit Carries On”, e deixar de fora do setlist, por exemplo, músicas como “Pull Me Under” (não entendo porque não a integram ao setlist oficial...) e “Build Me Up, Break Me Down” – uma das melhores músicas de “A Dramatic Turn of Events”. Em minha modesta opinião, os solos deveriam ser mais curtos – até mesmo se tratando de um Petrucci –, pois quando muito longos, soam cansativos e quebram a atmosfera do show.

Outro detalhe importante: o horário do show foi muito bem calculado, pois os fãs, digamos “desfavorecidos economicamente” – nos quais eu me incluo! – conseguiram chegar até a estação de trem/metrô mais próxima, não precisando faltar do trabalho no dia seguinte.

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