Lollapalooza: mudança climática e música pesada no domingo
Resenha - Lollapalooza (São Paulo, 08/04/2012)
Por Daniel Duque
Fonte: Da morte ao Mito
Postado em 09 de abril de 2012
Por Daniel Duque
Sol e chuva forte, poucos atrasos e muita música boa. Assim pode ser resumido o 2º dia do Lollapalooza (8/4) - festival de rock que aconteceu nesse final de semana, pela primeira vez no Brasil e apenas pela segunda vez fora dos Estados Unidos. Contando no domingo com um público de cerca de 60 mil pessoas, o lugar contava com quatro palcos: o Butantã e a Cidade Jardim, onde tocariam as atrações principais, o Perry’s, uma tenda de música eletrônica com acréscimos de Hip hop, além de o Alternativo, onde tocaram bandas mais desconhecidas.
Começando o dia no calor das duas primeiras horas do festival, os veteranos do rock nacional Cascadura e Plebe Rude dividiram uma platéia ainda escassa, mas com relativo sucesso. O vocalista da segunda banda, Philippe Seabra, ainda se gabou: "Fomos a única banda brasileira a representar nosso país no Lollapalooza Chile e, sinceramente, representamos o Brasil muito bem!". Tocando clássicos ainda conhecidos, como Pânico SP, emendado com Geração Coca-Cola, da eterna Legião Urbana, o público foi à loucura.
Quem surpreendeu a todas as expectativas, no entanto, foi a Gogol Bordello. Com sua música "punk cigana", a banda multiétnica levou toda a platéia a levar seus corpos (suados devido ao sol escaldante) a várias danças durante uma hora seguida, em uma massa movida a sons alternativos e animados. Suas performances admiráveis e suas músicas folclóricas criaram um sentimento de catarse com o público que provavelmente poucos esperariam àquela hora.
As duas horas seguintes foram seguidas por uma disputa entre os palcos principais e a tenda Perry’s. Enquanto a banda de funky e reggae Thievery Corporation dividiu seu tempo (e sua plateia) com os DJ’s da Killer on the Dancefloor, que criaram um ambiente de festa noturna em plena luz do dia, os ingleses da Friendly Fires tiveram pouco êxito em tirar o público da tenda, que no momento apreciava o som da Pretty Lights.
Com o sol já tomado por nuvens carregadas, boa parte do Lollapalooza se deslocou novamente para a Cidade Jardim, para assistirem o show dos barbudos da Manchester Orchestra, banda para a qual, sem nem eles saberem, muitos tinham ido ao festival para assistir. Com músicas pesadas e carregadas emocionalmente (muitas vezes, inclusive com duas baterias sendo tocadas ao mesmo tempo), o vocalista Andy Hull afirmou, em um de seus poucos momentos de conversa com a platéia: "Não imaginávamos que, tendo vindo do outro lado do mundo, teríamos tantas pessoas aqui para nos ver". Tocando clássicos como "Simple Math", a banda conseguiu levar muitos daqueles que tinham vindo para dançar às lágrimas.
Entra, finalmente, a noite e o céu começa a ameaçar alguma chuva. Apesar de muitos irem para a tenda, o público se locomoveu em massa para assistir a banda psicodélica MGMT, que, apesar de toda expectativa, providenciou um show morno, sem muitas músicas animadas. Tendo começado a chover cada vez mais, muitas pessoas acabaram se deslocando para o Perry’s, aguardando o DJ da Skrillex, que surpreendeu a todos com seu dubstep contagiante e sua performance animada, mesmo disputando seu tempo com os indies da Foster the People, que tocou um setlist praticamente idêntico ao do seu show no Rio de Janeiro.
O pior da chuva passou e muitos começam a se aglomerar novamente no palco Butantã, para uma das bandas mais aguardados do dia. Afinal, é impossível falar do Lollapalooza sem falar do Jane’s Addiction, a superbanda californiana dos anos 80, que conta com o lendário guitarrista Dave Navarro e o vocalista Perry Farrel, aquele para o qual foi homenageado a tenda Perry’s.
Sem poupar recursos visuais, os músicos criaram um sexy horror show, com direito a dançarinas e telões com os mais variados vídeos. Tudo isso aliado a músicas pesadas, solos contagiantes e uma grande performance do próprio Perry, que, apesar da idade, não parecia se cansar de dançar e gritar ao público. Clássicos como ‘Ted, just admit it’ e ‘Jane says’, levaram o público a um coro geral de milhares de pessoas. Tendo se estendido demais no repertório (embora não para os fãs), Perry disse: "Quando eu cheguei aqui no Brasil, eu fui direto para a praia e, sinceramente, muito obrigado a vocês, é um país lindo esse que vocês têm. Eu sei que, enquanto eu estava lá, imaginei que seria assim que o oceano soaria.". Logo em seguida, a banda tocou sua última música: ‘Ocean Size’, iniciada com um dedilhado emocionante de Dave Navarro.
Mal tendo acabado esse último show, a grande massa do evento se deslocou para o palco Cidade Jardim, já lotado por aqueles que estavam lá apenas para ver uma banda: os Arctic Monkeys. Os ingleses conhecidos por seus singles dançantes estavam sendo aguardados com muitas expectativas adversas, devido ao último cd que lançaram, ‘Suck it and See’, que, de tão diferente do som original da banda, gerou opiniões conflitantes mesmo em seus fãs mais fiéis.
Pouco pareceu importar, no entanto, quando eles entraram com um de seus singles mais recentes: ‘Don´t sit down ´cause I´ve moved your chair’. Embalados por uma bateria animada, os Arctic Monkeys conseguiram levar seu vasto público à loucura. Com a platéia já quente, a banda conseguiu conduzir o show com performances modestas (especialmente do baixista Nick O’Malley), um setlist equilibrado de músicas antigas e novas, além de frases curtas, com sotaque inglês carregado, devido ao qual muitas frases passaram sem ser entendidas. Um dos pontos altos da noite, no entanto, foi com a declaração de Alex Turner: "This one is for the ladies", começando a tocar em seguida um de seus mais famosos singles ‘I bet you look good on the dancefloor’. A banda se despediu pela primeira vez com sua música mais recentemente lançada, ainda sem álbum, ‘R U Mine?’.
A verdadeira catarse, no entanto, foi atingida na volta, quando eles tocaram seus singles mais famosos ‘When the Sun Goes Down’ e ‘Fluorecent Adolescent’, sendo acompanhados por toda a platéia na hora de cantar. Respeitando os horários como bons ingleses, se despediram definitivamente com Alex se desculpando "Now you really have to go..." e tocando por fim ‘505’, música lenta que embalou as 60 mil pessoas de volta para suas casas.
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