House of Bones & Hangar: aula de Metal no interior paulista
Resenha - House of Bones & Hangar (Bebedouro, SP, 14/01/2012)
Por Netto Cruanes e Leo Mazzer
Postado em 18 de março de 2012
Muita expectativa cercou este evento, por dois motivos: seria a primeira apresentação do Hangar na cidade, e também a primeira aparição do House of Bones, nova banda capitaneada pelos irmãos Rodrigo Carmo e Gustavo Carmo (vocal e guitarras, ex-VersOver, cujo segundo álbum, baseado no livro "A Casa de Ossos", de Adriano Villa - que estava presente no evento -teve grande repercussão nacional e inspirou o nome da banda em questão). Para esta nova banda, os irmãos reuniram um verdadeiro time de feras, a saber: Fabio Caldeira (Maestrick) nos teclados e backing vocals, Aquiles Priester na bateria (Hangar, ex-Angra) e o mais novo do grupo, porém não menos talentoso, Leandro Moreira no baixo.
Uma ótima estrutura, com grande palco e som a altura, deu suporte a dois shows impecáveis, uma verdadeira aula de Heavy Metal em pleno interior paulista.
Aos sons de tiros com uma trilha sonora extraída de um dos filmes do Rambo, o House of Bones entra em cena com a impactante "First Blood". Já na primeira música, a banda mostrou que veio pra ficar, com uma cozinha técnica e precisa, as já esperadas guitarras matadoras de Gustavo, e a performance enlouquecida de Rodrigo, um dos mais carismáticos vocalistas do metal nacional, que trouxe um pedestal personalizado, feito com ossos!
A pesadíssima "Prologue" deu início a uma sequência de cinco músicas do VersOver, onde o público agitou o tempo todo, cantando as letras junto com Rodrigo. "Thoughts of a Stranger" mostrou a banda afiadíssima, com Aquiles Priester mostrando uma precisão impressionante (elogiar Aquiles é quase uma redundância, não?) antecedendo a antiga e ótima "Thrist". Um dos pontos altos da noite veio a seguir, com "Touch the Walls", que mistura técnica e peso com um refrão melódico e, por que não, "grudento", colocando todos os presentes a erguer os punhos e gritar.
Uma bela versão acústica de "Signs of the Past" chamou atenção e preparou o público para mais duas novas composições que vieram na sequência: "Braille" e "MILF" (esta última, minha preferida, inspirada no filme American Pie, misturando uma pitada de bom humor e uma pegada Hard Rock à solidez do Heavy Metal).
Claro que não poderia faltar aqui um já clássico do metal nacional, "House of Bones" do VersOver, que, vale repetir, inspirou o próprio nome desta banda, e "Dead Hour" que com uma execução matadora, mostrou que a banda tem muita lenha para queimar.
O excelente cover de "Symphony of Destruction" do Megadeth soou homogêneo com o trabalho do House of Bones, e confesso que tive uma ótima surpresa aos primeiros acordes de "The Evil That Men Do", do Iron Maiden, que incendiou de vez o público. O tiro de misericórdia veio com "Enter Sandman" do Metallica, presente inclusive no DVD ao vivo lançado pelo VersOver, já era de certa forma esperada, e como Rodrigo disse antes de executá-la: "A gente toca essa música faz tempo, mas é boa pra car#*#*o, então, porque vamos parar?" Sábias palavras, das quais ninguém pode ousar discordar. A primeira apresentação do House of Bones termina de forma impecável, sob muitos aplausos, enquanto Aquiles já se prepara para o seu segundo show da noite. (NC)
Após a música de introdução da banda, André Leite, Eduardo Martinez, Nando Mello, Fabio Laguna e Aquiles Priester subiram ao palco disparando "The Infallible Emperor (1956)", primeira faixa do álbum "Infallible", dando início ao espetáculo. Em seguida, Aquiles Priester puxa a devastadora virada de "Hastiness". Se alguém ainda não havia entrado no espírito do show, não havia mais como ficar impassível diante de toda aquela energia que a música contém.
"Your Skin and Bones" foi a próxima música. É notável como esse vocalista representa à altura a voz que o Hangar precisa, seu timbre um pouco parecido com o do ex-vocalista Nando Fernandes encaixou perfeitamente nas músicas da banda. (LM)
O final veio em grande estilo, para surpresa de todos, as duas bandas subiram juntas ao palco para uma memorável execução de "Master of Puppets" do Metallica.
Aquiles ainda encontrou energias para descer do palco após o show para tirar fotos e dar autógrafos, sem nenhuma pressa e sendo atencioso com todos, garantindo que cada pessoa ali, sem exceção, saísse deste grande evento, plenamente satisfeito. Que seja o primeiro de muitos! (NC)
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