Resenha - Dark Funeral (10° Extreme Metal Fest, Carioca Club, São Paulo, 10/12/2011)

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Por Durr Campos
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Organizado pela Tumba Produções, o Extreme Metal Fest chega à sua décima edição trazendo como headliner um dos maiores nomes do black metal mundial, os suecos do DARK FUNERAL. A iniciativa que já trouxe nomes como Vader, Belphegor, Obituary, Marduk, dentre outros, desta vez contou ainda com os irlandeses do GAMMA BOMB, além de dois representantes do nosso país: HAMMURABI e ANARKHON. A Whiplash.Net esteve neste sábado no Carioca Club, local que abrigou a devastação sonora na capital paulista. Acompanhem nas próximas linhas nossas impressões sobre este que, provavelmente, foi o último grande evento de metal extremo do ano.

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Texto: Durr Campos/ Fotos: Pierre Cortes

Por conta do cancelamento da banda punk/hardcore norte-americana The Accused semanas antes, os horários foram levemente modificados, mas sem transtornos ao público, pois o início manteve-se intacto, isto é, às 16h, quando o ANARKHON entrou em cena com seu gore/splatter bastante eficiente. Fizeram um set curto devido a problemas com o som, mas agradaram em cheio ao, então, pequeno público que chegara mais cedo. Tocaram canções do álbum "Into the Autopsy", alguns sons novos e encerraram com uma fabulosa versão para o clássico "Sacrificial Suicide", do Deicide.

Os mineiros do HAMMURABI eram os próximos. A banda vem crescendo significativamente no underground brasileiro e a "culpa" disso refere-se ao lançamento do mais recente álbum Extinction Root, material cuja qualidade apresentada honra as veteranas de Minas Gerais. Basicamente, suas canções apresentam andamentos mais cadenciados, mesclando um thrash/death na velha escola e belíssimas harmonias de guitarra. O power-trio formado por Daniel Lucas (guitarra/vocais), Wesley Ribeiro (baixo) e Crisley Rodrigo (bateria) estava muito feliz em mostrar sua música e o fizeram com maestria. Destaques para a ótima "Blessed By Hate" e a ponderosa "The End Is Near", do EP Shelter of Blames (2008).

Pouco antes das 18h o GAMMA BOMB já estava no palco esbanjando simpatia e muita vontade. Para quem não conhece, o som é um thrash metal clássico, mega veloz, calcado nos anos 80, na linha de AGENT STEEL, NUCLEAR ASSAULT e HALLOW'S EVE - para ficarmos apenas nesses nomes. Os temas de suas letras abrangem filmes de terror, vídeo games e ótimo humor. A garra é tamanha que mesmo não reconhecendo boa parte do repertório, a plateia era conquistada a cada acorde. Logicamente que a performance dos caras ajudou, em especial do simpaticíssimo vocalista Philly Byrne e seu timbre único de voz. O set-list foi baseado em toda a carreira, com ênfase nos mais recentes "Citzen Brain" (2008) e "Tales From the Grave in Space", lançado este ano pela Earache Records, mas ainda inédito no Brasil. Durante os 60 minutos de show apresentaram itens deliciosos como "Hammer Slammer", "We Respet You", "Zombi Brew" e "Mussolini Mosh". Porém, foi com as excepcionais "OCP" (baseada no filme Robocop), "Last Ninjas Unite", "Bullet Belt" e a última da noite, "Final Fight", que o Carioca Club veio abaixo. Deixaram uma ótima impressão e, certamente, voltarão.

Cinco anos após sua última visita ao país, o DARK FUNERAL era muito aguardado, principalmente pela presença do novo vocalista Nachtgarm (aka. Steve Marbs). O alemão, que também canta no Negator, calou a boca de todos os que, por algum motivo, duvidavam da qualidade da nova formação, completada pelo baixista Zornheym (aka. Tomas Nilsson), o exímio baterista Dominator (aka. Nils Fjellström, também no Aeon e Sanctification) e os guitarristas Chaq Mol (aka. Bo Karlsson) e Lord Ahriman (aka. Micke Svanberg), líder do grupo e único membro fundador. Iniciaram com "Stigmata", do derradeiro de estúdio com o ex-cantor Magnus "Emperor Magus Caligula" Broberg, Angelus Exuro pro Eternus (2009). Deste registro ainda executaram "My Funeral", cujo vídeo você confere mais abaixo.

O set foi muito bem pensado, mesclando novas e velhas blasfêmias. Desde as inigualáveis "Open the Gates" e "Shadows Over Transylvania", ambas do primeiro e mítico registro de estúdio Dark Funeral, de 1994, passando pelos ritos "The Birth of Vampiir", "Enriched By Evil"; as perversas "The Arrival of Satan's Empire", "Atrum Regina" e "Vobiscum Satanas"; bem como da malevolência do quilate "Heart of Ice", tudo remetia ao inverno, obscuridade e escuridão. Aliás, o Dark Funeral é expert nesta tríade e, convenhamos, fazem como ninguém.

O encore, bastante generoso, iniciou com a clássica "The Secrets of the Black Arts", da estreia de estúdio lançada em 1996, calorosamente cantada, seguida de "Hail Murder" do ótimo Diabolis Interium (2001), da já citada "My Funeral" e, por fim, da grande surpresa da turnê, a perfeita "An Apprentice of Satan", do polêmico EP Teach Children to Worship Satan que, além desta, trazia ótimas versões para clássicos do King Diamond ("Trial"), Slayer ("Dead Skin Mask"), Sodom ("Remember the Fallen") e Mayhem ("Pagan Fears"). Uma verdadeira celebração ao cramunhão feita por quem aborda o assunto há anos, mesmo nos tempos em que não era "hype" ser black metal.

Set-list Dark Funeral

1. Stigmata
2. 666 Voices Inside
3. Enriched by Evil
4. Goddess Of Sodomy
5. The Arrival of Satan's Empire
6. Open The Gates
7. The Birth Of Vampiir
8. Atrum Regina
9. King Antichrist
10. Vobiscum Satanas
11. Shadows Over Transylvania
12. Heart Of Ice

Encore
13. The Secrets OfThe Black Arts
14. Hail Murder
15. My Funeral
16. An Apprentice of Satan



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Sobre Durr Campos

Graduado em Jornalismo, o autor já atuou em diversos segmentos de sua área, mas a paixão pela música que tanto ama sempre falou mais alto e lá foi ele se aventurar pela Europa, onde reside atualmente e possui família. Lendo seus diversos artigos, reviews e traduções publicados aqui no site, pode-se ter uma ideia do leque de estilos que fazem sua cabeça. Como costuma dizer, não vê problema algum em colocar para tocar Napalm Death, seguido de algo do New Order ou Depeche Mode, daí viajar com Deep Purple, bailar com Journey, dar um tapa na Bay Area e finalizar o dia com alguma coisa do ABBA ou Impetigo.

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