Judas Priest: resenha do show em SP no Roque Reverso
Resenha - Judas Priest (Anhembi, São Paulo, 10/09/2011)
Por Flavio Leonel
Fonte: Roque Reverso
Postado em 25 de setembro de 2011
Uma aula de heavy metal. Esta é a classificação que pode ser dada ao show que o Judas Priest fez na Arena Anhembi no último dia 10 na capital paulista. Com um público aproximado de 25 mil pessoas, o lendário grupo britânico, criado ainda no final da década de 60, mostrou que ainda está longe de uma eventual aposentadoria e que continua reunindo condições para empolgar os amantes do rock pesado de várias gerações.
O show fez parte da pequena turnê pelo País que a banda realizou ao lado do Whitesnake. Enquanto a banda de hard rock dava sequência à tour internacional relacionada ao seu mais recente álbum "Forevermore", o Judas incluiu o Brasil na sua última turnê mundial, a "Epitaph World Tour".
Importante dizer que última turnê mundial não significa o fim do grupo. Vale lembrar que o vocalista Rob Halford anunciou recentemente que a banda prepara um disco novo para ser lançado em 2012. O que poderá ser visto é o grupo reduzindo o número de shows pelo planeta, mas ainda na ativa e com a possibilidade de apresentações ao vivo, para a alegria dos fãs.
Após o bom show de abertura do Whitesnake, não havia dúvida que o Judas Priest iria vir com algo devidamente pesado para mostrar a diferença entre hard rock e heavy metal. Sobravam, no entanto, perguntas entre os fãs sobre a ausência de K.K. Downing, guitarrista fundador que deixou o grupo neste ano. A pressão estaria portanto sobre o jovem Richie Faulkner, que, no decorrer do show provou que tem condições de pertencer à banda e não fazer feio.
Depois dos ajustes necessários para o começo da apresentação do Judas Priest, foi estendida na frente do palco uma enorme bandeira avermelhada com a palavra "Epitaph" escrita. As pancadas iniciais da bateria e os primeiros acordes foram ouvidos e, depois de a bandeira cair para o chão, a banda apareceu para o público mandando logo de cara a música "Rapid Fire", do megaclássico álbum "British Steel", de 1980.
O som estava extremamente alto, mais do que o normal verificado em shows em espaços abertos, fazendo com que, pelo menos o público presente na Pista Vip, onde estava também a imprensa, tivesse a impressão de que estava numa casa fechada de shows, tamanho o impacto sonoro. O que mais surpreendia era o som que vinha dos bumbos, com o baterista Scott Travis fazendo uma apresentação elogiável e ensurdecedora.
Ao fim da música, as primeiras labaredas foram vistas nas laterais do palco, o pano de fundo foi trocado para um com a capa de "British Steel" e o Judas iniciou mais um clássico: "Metal Gods", que foi recebido com entusiasmo pela plateia. Rob Halford dava um show à parte nos vocais, enquanto o guitarrista Glenn Tipton e o baixista Ian Hill completavam apresentação com o talento de sempre.
"The Priest is back", disse Halford, para iniciar na sequência a música "Heading Out To The Highway", do disco "Point of Entry", de 1981. Com uma tradicional levada heavy metal, a música mostrou a banda bem entrosada e mereceu destaque a dobradinha de guitarras entre Glenn Tipton e Richie Faulkner.
Na sequência, espaço para músicas de tempos diferentes: "Judas Rising", do álbum Angel of Retribution, de 2005, e "Starbreaker", do disco "Sin After Sin", de 1977, tudo sempre com as capas originais aparecendo no telão de fundo.
Um grande momento da apresentação viria a seguir, com os acordes iniciais de "Victim Of Changes". A longa canção do ótimo álbum "Sad Wings of Destiny", de 1976, hipnotizou e empolgou o público, com direito a solos marcantes de Tipton e Richie Faulkner, interpretação impecável de Halford, show de luzes e fumaça no final.
O Judas Priest revisitava toda a carreira e voltou para o início dela com a música "Never Satisfied", do álbum de estreia "Rocka Rolla", de 1974. Depois, emocionou os fãs com a canção "Diamonds and Rust", composta pela lendária cantora folk Joan Baez e regravada pela banda em 1977 no álbum "Sin After Sin".
Em seguida, Halford voltou ao palco com uma capa prateada e um tridente; o telão de fundo trouxe uma referência ao álbum "Nostradamus", de 2008; a introdução "Dawn Of Creation" foi executada; e a boa música "Prophecy" foi tocada, com direito a faíscas saindo do tridente carregado pelo vocalista no final.
Ninguém podia reclamar do set list, já que era clássico atrás de clássico. E o show continuou com "Night Crawler", do disco "Painkiller", de 1990. No cenário, destaque para dois enormes tridentes que apareceram ao lado da bateria de Scott Travis.
Nem mesmo a fase mais pop do Judas passou despercebida, pois o grupo emendou na sequência a música "Turbo Lover", do disco de mesmo nome lançado em 1985. Depois, foi a vez da ótima "Beyond The Realms Of Death", do álbum "Screaming for Vengeance", de 1982, em mais um show de interpretação de Halford e mais uma aula musical dos demais integrantes. Simplesmente perfeito!
Também foram tocadas "The Sentinel", do disco "Defenders of the Faith",de 1984, e "Blood Red Skies", do disco "Ram It Down", de 1988. Ambas as músicas não empolgaram tanto como as demais, mas o Judas não deixou a peteca cair e emendou "The Green Manalishi", cover do Fleetwood Mac, gravado pela banda de metal em 1978 no álbum "Killing Machine".
Novamente com o público ganho, o golpe definitivo de Halford & Cia. viria na sequência, com o megaclássico "Breaking the Law". O vocalista simplemente virou o pedestal do microfone para o público e a música foi cantada exclusivamente pelos fãs! Depois, foi a vez de um solo de bateria de Scott Travis anteceder a espetacular "Painkiller", esta sim com Halford voltando aos vocais e contagiando a plateia.
A banda agradeceu e saiu do palco para o merecido descanso. Mas não demorou muito para voltar para o primeiro bis, puxado pela dobradinha ultraclássica "The Helion/Eletric Eyes", do álbum "Screaming for Vengeance", que levou os fãs à loucura.
Na sequência, foi a vez de "Hell Bent For Leather" e "You’ve Got Another Thing Comin’". Óbvio que, na primeira música, do álbum "Killing Machine", Halford entrou no palco em cima da tradicional moto Harley-Davidson, para delírio de todos, que ainda viram vários efeitos especiais com fumaça, em mais um show de produção.
"You’ve Got Another Thing Comin’", por sinal, não estava no set list divulgado à imprensa e contou com vários momentos interessantes. Halford comandou o público no refrão e ficou enrolado numa bandeira brasileira. O novo guitarrista Richie Faulkner, por sua vez, também não fez pouco e presenteou os fãs com um solo de guitarra que contou até com um trecho do Hino Nacional do Brasil.
Já no segundo bis, a banda trouxe outra que não estava no set list inicial: "Living After Midnight", do "British Steel". Halford, em mais um gesto de simpatia, estendeu a bandeira brasileira sobre a Harley-Davidson que ainda estava ainda no palco.
Com mais esse clássico do rock, o Judas Priest encerrou mais uma aula de heavy metal em solo tupiniquim. Quem acompanhou as vindas da banda por aqui sabe que os shows dificilmente são feitos sem energia e categoria. Desta vez, para muitos, os britânicos surpreenderam com uma apresentação ainda melhor, que ficará guardada por um bom tempo na mente dos fãs.
Veja no Roque Reverso o texto original, fotos oficiais, o set list executado, além de vídeos selecionados no YouTube.
ROQUE REVERSO
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