From Hell: Quatro bandas de Metal na noite carioca
Resenha - From Hell (Heavy Duty, Rio de Janeiro, 19/02/2011)
Por Marcos Garcia
Postado em 25 de fevereiro de 2011
A última noite do horário de verão brasileiro de 2010/2011 foi longa, embora não tão quente quanto de costume, e o conhecido Heavy Duty, conhecido point de Rock da cidade do Rio de Janeiro, recebeu mais uma versão do evento From Hell, produzido pelo conhecido DJ Terror, um conhecido batalhador da cena carioca, e fez com que a sonorização do evento fosse em bom nível para todas as bandas.
A primeira banda da noite: MALLEUS, que estreou sua nova formação e estava retornado à atividade após um período de hibernação. Black Metal simples e direto, revisando o áureo período do estilo, ou seja, a primeira metade da década de 90. Apresentando bons vocais, base rítmica consistente e guitarras simples, mas pesadas, a banda foi bem, apesar da postura de palco carente e de faltar um pouco de conjunto à banda, mas torno a citar que este line-up é novo, logo, a banda tende a evoluir futuramente.
Depois de um intervalo, sobe ao palco o DIVA, que fez um excelente show em todos os sentidos. A musicalidade da banda, ou seja, Death Metal técnico e bem feito com certas nuances de Thrash anos 90, é intensa, agressiva e bem trabalhada, algo extremamente surpreendente, fora a energia e garra que não podem ser, de forma alguma, relegados a um segundo plano. Angélica Burns no palco é uma vocalista diferenciada, pois além de cantar bem, interage com o público e não pára de agitar um segundo, bem como Pedro Viana esbanja técnica nas seis cordas e agita o tempo todo, bem como a cozinha de Eduardo Seabra e Bráulio Azambuja é compacta, técnica e pesada. O set da banda se alterna entre músicas próprias que constam em seu primeiro lançamento, o EP ‘Warsaw’, e alguns covers, onde o de ‘Ruin’, do LAMB OF GOD, teve Alan, vocalista do ÁGONA, subindo ao palco e dividindo os vocais com Angélica. ‘Condemned’, ‘Forged in Blood’ e ‘Age of Death’ levaram o público ao headbangin’ incessante, e a banda saiu do palco merecidamente ovacionada, e este que vos escreve abre um breve parênteses para dizer que está muito feliz em ter a boca calada pelo trabalho deles, tendo em vista que a resenha de seu EP não foi positiva, mas como todo bom crítico, a felicidade está quando as bandas nos fazem elogiar seu trabalho. Eles têm um futuro brilhante à frente, com certeza.
Comprometidos até os dentes com seu Fasthrash bem personalizado e agressivo, o trio ANDRALLS foi a terceira banda da noite, e mais uma vez, fizeram um ótimo show. Lançando mão de músicas presentes em todos os seus CDs, a banda mostrou ótima movimentação, garra, energia, espontaneidade e bom humor em sua apresentação, coisa que quem já os viu outras vezes, sabem que eles esbanjam. Não há como não agitar até ter torcicolo em faixas como ‘Hate’, ‘The Age of Rage’, ‘Andralls on Fire’ ou no cover de ‘Beber até Morrer’, do RDP. Este trio se completa, pois não se pode deixar de dizer que Xandão ‘Xandralls’ é um ótimo baterista, que tem pegada bem pesada, bem como Cléber consegue ir bem tanto cantando quanto segurando as bases e solos nas guitarras, e o baixista Eddie é uma casa de força tocando seu baixo ou nos backing vocals, agitando e sempre com alto astral, mas isso é coisa de quem toca com o coração, algo que não se pode explicar a quem não é do meio.
Fechando, veio o LACERATED AND CARBONIZED, banda principal da noite, lançando enfim seu primeiro CD, ‘Homicidal Rapture’, para o público carioca. Muita garra, energia, técnica e agressividade sonora é o que existe em sua música, e ao vivo, um show do quarteto é algo que realmente é espantoso. Postura de palco ótima, não parando um segundo sequer de agitar, destacando a ótima interação entre o vocalista Jonathan Cruz e o público; a pegada e técnica de Victor Mendonça na bateria, que anda a passos largos para ser um dos melhores em seu instrumento no Brasil no tocante à Metal; e a segurança tanto de Paulo Doc no baixo quanto a de Caio Mendonça nas guitarras, e acreditem: não há exagero algum nessas palavras. Vejam a banda ao vivo quando puderem e vejam por si mesmos.
‘Cephalic Crusher’, ‘Chainsaw Deflesher’, ‘Obliteration of Mass Deceit’ e ‘Triune Filth’ já se tonaram músicas bem conhecidas e cantadas pelo público junto com a banda, e haja pescoço para tanto banging.
Noite memorável, e esperemos as próximas versões do evento, que prometem surpresas ótimas para o futuro. E para dar um gostinho aos que perderam, aqui vai um dos vídeos do show do DIVA, de ‘Condemned’, cedido gentilmente por Eduardo Seabra.
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