Stone Temple Pilots: em plena forma no Rio de Janeiro
Resenha - Stone Temple Pilots (Circo Voador, Rio de Janeiro, 11/12/2010)
Por Gabriel von Borell
Postado em 16 de dezembro de 2010
Uma das mais representativas bandas do movimento grunge, que marcou a década de 90, o Stone Temple Pilots lotou o Circo Voador, no Rio de janeiro, neste último sábado (11) e provou que o retorno da banda (o STP havia entrado em hiato entre 2003 e 2008) é um ganho para o universo do rock.
Fotos: Guito Moreto
Em plena forma, Scott Weiland (vocal), Robert DeLeo (baixo), Dean Deleo (guitarra) e Eric Kretz (bateria), subiram ao palco do Circo com pouco mais de meia hora de atraso (a apresentação carioca estava marcada para as 23h) e fizeram cada fã presente no local levantar as mãos para o céu e agradecer por aquela noite de aproximadamente 1h40m de rock n’ roll.
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Foram mais de 15 anos de espera e os problemas com álcool e drogas do seu frontman sempre colocaram o futuro do Stone Temple Pilots em risco. Felizmente, Weiland parece bem mais tranqüilo e centrado hoje em dia. Nem de longe lembra aquele roqueiro problemático da última década.
Embora o grupo tenha lançado um novo álbum, auto-intitulado, neste ano de 2010, o show foi um apanhado de toda a carreira do Stone Temple Pilots. Não que o último disco não merecesse destaque, pelo contrário, mas um repertório das antigas foi bem especial. O público da noite sabe disto.
O STP abriu a apresentação no Rio de Janeiro com a empolgante "Crakerman", que imediatamente sacudiu o ansioso público, e depois seguiu com a ótima "Wicked Garden". Uma sequência do aclamado álbum de estréia "Core", de 1992. Mas foi com "Vasoline", do segundo trabalho, "Purple", que o público carioca explodiu de vez. E assim a banda liderada por Weiland foi avançando pelos hits de sua carreira. Em seguida vieram "Heaven and Hot Rods", do CD "N° 4", e as novas "Between the Lines" e "Hickory Dichotomy".
O vocalista estava à vontade no palco, trajando um figurino cheio de estilo e segurando um megafone na mão. Weiland, animado, se equilibrava nas caixas de retorno de som e depois descia para fazer sua dancinha peculiar. Enquanto isto, o público, alucinado, abria uma pequena rodinha ao mesmo tempo que algumas pessoas passeavam por cima da platéia.
Em meio a muitos "obrigado", o frontman do STP fazia algumas breves interações com o público. Em determinado momento, Weiland chegou a pegar um cartaz estendido por um fã com os dizeres em inglês: "não precisamos de outro herói da guitarra". Já em outro instante, o cantor fez o que a maioria costuma fazer quando vem para cá: se enrolou em uma bandeira do Brasil.
O set list seguiu com "Still Remains", Cinnamon" e "Big Empty". Até que veio o excelente cover de "Dancing Days" do Led Zeppelin, que não interessou muito o público. Pouco depois chegou a hora do ponto alto da noite. Como não poderia deixar de ser, "Plush" marcou o clímax da apresentação. Os fãs cantaram cada palavra da letra junto com a banda e foram ao delírio com o maior sucesso do STP.
Por outro lado, o ponto baixo foi marcado pela falta de educação de algumas pessoas que insistiam em jogar cerveja no palco. Volta e meia um roadie era obrigado a surgir em cena para secar o piso molhado. Alguns destes "arremessos" atingiram Weiland e o baixista Robert, em momentos diferentes. Ainda bem que o vocalista não é nenhum Axl Rose e o show continuou sem maiores problemas.
Já a maior surpresa da noite aconteceu quando o Stone Temple Pilots retornou ao palco para o bis. Robert DeLeo apareceu com um violão em punho e tocou "Garota de Ipanema", incentivando o público a cantar a letra. A maioria dos fãs se enrolou com as estrofes da canção de Tom Jobim, mas isto pouco importava. O que interessava é que a banda fugiu do set list batido de toda a turnê e incluiu uma música a mais para os cariocas, mesmo que de improviso.
Após este momento inesperado, o STP finalizou sua apresentação no Rio de Janeiro com "Dead & Bloated" e "Trippin’ on a Hole in a Paper Heart". Esta última fechou a noite com chave de ouro já que o público cantou a música ensandecidamente. O repertório não incluiu "Big Bang Baby", música que os fãs pediram em coro durante o show inteiro.
E por um momento parecia até que o Stone Temple Pilots cederia à pressão da galera, seja por constrangimento ou vontade de agradar. Mas Weiland achou melhor não. Tudo bem. O público não podia reclamar. Todos tinham acabado de testemunhar a fantástica performance de um dos maiores frontman da história do rock e de seus competentes companheiros.
Set List:
1- Crackerman
2- Wicked Garden
3- Vasoline
4- Heaven & Hot Rods
5- Between The Lines
6- Hickory Dichotomy
7- Still Remains
8- Cinnamon
9- Big Empty
10- Dancing Days
11- Silvergun Superman
12- Plush
13- Interstate Love Song
14- Huckleberry Crumble
15- Down Play
16- Sex Type Thing
Bis
17- Garota de Ipanema
18- Dead & Bloated
19- Trippin’ On A Hole In A Paper Heart
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