Paul McCartney: calor, lágrimas e rock em Porto Alegre
Resenha - Paul McCartney (Estádio Beira-Rio, Porto Alegre, 07/12/2010)
Por Evandro Saldanha Jochims
Postado em 26 de novembro de 2010
Posso me dizer um privilegiado, pois já fui a uma porção de shows internacionais. Porém, apesar da euforia sempre presente e de toda a adrenalina e emoção que se sente, eu nunca tinha chorado durante um show. Isso mesmo: TINHA, porque no domingo passado, no show de Paul McCartney, isso mudou.
Às 21:10, quando as luzes do palco se apagaram e um sorridente Paul McCartney apareceu, saudando a multidão em bom português, as lágrimas rolaram. Por todo o estádio, onde quer que se olhasse à nossa volta, senhoras de mais de 60 anos, jovens e adolescentes estavam de queixo caído, sorrisos largos que logo se transformavam em choro de felicidade.
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No palco, aquele senhor-moleque de 68 anos esbanjava carisma e simpatia ímpares, enquanto desfilava sucessos que a galera estava acostumada a ouvir já há uns bons 40 anos ou mais, sem nunca ter tido a oportunidade de ver o artista em pessoa, bem ali na nossa frente. Uma lenda da música, o cara que ajudou a dar vida e poesia ao rock, levava aquela multidão de 52 mil pessoas ao êxtase.
E não foram poucos os sucessos: 36 músicas em 3 horas de show. Não se tinha tempo nem para se recompor de uma música e já vinha a próxima. "Oi, tudo bem?! Boa noite Porto Alegre!", e tome "All my loving!", "Letting go" e "Drive my car". Em dado momento, demonstrando espanto com a animação do público, Paul chegou a soltar um "Mas bah tchê!", com entonação típica do gauchês, fazendo a multidão gritar muito. Aquilo era mais que um show de rock, era uma celebração. Mas calma, ainda tinha "Band on the run", "Let it be", "Hey Jude", "Yesterday", e muitas, muitas outras.
Antes de executar "My love", Paul disse: "Eu escrevi essa música para minha gatinha Linda! Mas esta noite, ela é para todos os namorados!". Como não se emocionar com esta declaração, ainda mais vinda de um homem que durante 30 anos cantou seu amor por uma mesma mulher, sua amada Linda McCartney.
Já passava da meia noite quando uma demorada salva de palmas marcou o final daquela apoteose rockeira. São poucas as vezes na vida em que se pode sentir fazer parte da história. O domingo passado, durante aquelas 3 horas, foi um desses momentos. Ao deixarmos o estádio Beira Rio, podíamos nos sentir plenamente realizados e felizes. Depois de 40 anos de espera, o sonho tinha se tornado realidade.
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