Quando Paul McCartney apresentou o AC/DC para Dave Grohl; "Eu gosto de rock alto"
Por Bruce William
Postado em 04 de dezembro de 2025
À primeira vista, Beatles e AC/DC parecem habitar mundos diferentes - épocas, países e propostas quase opostas - mas as histórias das duas bandas se cruzam mais de uma vez, seja nos bastidores da indústria, seja numa mesa de restaurante depois do Grammy. Sem contar que Oaul McCartney nunca escondeu que gosta de guitarra alta. Ele chegou a comentar em vídeo: "Eu gosto de rock alto, basicamente. Sabe os caras do AC/DC. Eles tocam alto. Já viu eles ao vivo? Oh, baby!", disse o ex-Beatle, sorrindo.

Do lado dos Beatles, a virada dos anos 60 viu o quarteto montar a Apple Corps e a Apple Publishing, abrindo espaço para lançar não só os próprios singles, como "Hey Jude", mas também artistas de fora. Foi nessa rede que entrou Alex Young, irmão mais velho de Angus e Malcolm. Usando o nome George Alexander, ele se tornou o primeiro compositor contratado da Apple e ganhou uma banda montada em torno de suas músicas: o Grapefruit, batizado por John Lennon. John e Paul ainda produziram o segundo single, "Lullaby", e o grupo chegou a emplacar dois álbuns, embora sem grandes resultados comerciais.
Enquanto isso, na Austrália, outro irmão, George Young, fazia sucesso com os Easybeats e, depois, virou produtor ao lado de Harry Vanda. Dessa parceria sairiam os primeiros discos do AC/DC, banda fundada pelos caçulas Angus e Malcolm em 1973. Ou seja: antes de Paul elogiar o volume do AC/DC, a família Young já tinha passado pela órbita dos Beatles via Apple e Grapefruit, numa ligação curiosa entre o rock britânico dos anos 60 e o hard rock australiano dos anos 70.
Décadas depois, outra conexão ainda mais pessoal aconteceria por meio de Dave Grohl. Em entrevista ao programa Anders Bøtters Tiny TV, o líder do Foo Fighters contou que não iria tocar no Grammy em questão, apenas apresentar uma das atrações. Ele explicou como a noite tomou outro rumo graças a um telefonema de McCartney: "Eu não ia tocar no Grammy, mas apresentei uma das atrações. Sou afortunado de dizer que Paul McCartney é um amigo, eu o amo muito. Por mais que ele seja um herói pra mim, também é um cara muito doce e um amigo. E ele estava na cidade, me ligou e perguntou 'O que você vai fazer depois do Grammy?' e eu respondi que iria jantar com Pat e Taylor. Paul então disse 'Você se importa se eu e Nancy também formos?'".
Grohl, claro, não tinha motivo nenhum para recusar. Só que a situação ficou ainda mais interessante quando McCartney esbarrou com integrantes do AC/DC em um hotel. Segundo Dave, Paul simplesmente chamou os australianos para se juntarem ao jantar: "Daí Paul esbarrou nos caras do AC/DC em um hotel ou algo assim, e perguntou pra eles: 'Querem ir jantar conosco?'". Com isso, em seguida, a confirmação veio: "A esposa de Paul ligou pra minha esposa e perguntou se a gente se importaria se o AC/DC também viesse ao jantar". Até ali, Grohl nunca tinha encontrado a banda pessoalmente.
Esse detalhe torna a cena ainda mais forte quando lembramos da relação de Dave com o grupo desde a infância. Ele contou que viu "Let There Be Rock" por volta dos dez anos de idade, antes mesmo de conhecer punk rock, e que aquela performance mexeu com ele de um jeito diferente. "Quando eu tinha uns dez anos de idade assisti aquele filme 'Let There Be Rock', foi antes de conhecer o punk rock. Foi a primeira vez que vi e ouvi uma performance que me dava vontade de sair quebrando tudo. E até hoje uso isso como referência para os shows que eu faço. Eu sempre quis ser o AC/DC que conheci no 'Let There Be Rock', aquilo sim é uma banda ao vivo".
Anos depois, o garoto que queria "sair quebrando tudo" por causa de um filme do AC/DC estava sentado à mesa com os próprios músicos, por intermédio de um ex-Beatle que sempre gostou de rock alto. Sobre aquela noite, Grohl resume de forma simples: "Então tivemos aquela noite maravilhosa, com uma banda de jazz tocando. Foi uma das maiores noites de toda a minha vida". Na prática, foi o dia em que Paul McCartney não só dividiu o jantar com Dave Grohl, como também apresentou oficialmente o AC/DC ao fã que cresceu usando "Let There Be Rock" como régua emocional para seus próprios shows.
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