Peter Frampton: técnica exuberante em show no RJ

Resenha - Peter Frampton (HSBC Arena, Rio de Janeiro, 11/09/2010)

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Por Cécil
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O globo espelhado diante do palco do HSBC Arena, no Rio de Janeiro, lembra que, para mim o Peter Frampton sempre foi música para dançar. As faixas do "Frampton Comes Alive" tocavam em deliciosas matinés de domingo em discotecas, onde a partir das 17 dançava e paquerava fogosas adolescentes, algumas com mãe ou tia responsável ao lado. Bons tempos.

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Bons tempos para o Peter Frampton também que nos meados dos anos 70 lançou um álbum duplo ao vivo em meio às crises de petróleo que tornavam caros os LPs para a jovem burguesia que comprava os álbuns. Um foguete nas paradas de sucesso. Um pouco mais barato do que os álbuns com encartes luxuosos, por exemplo "All Things Must Pass", do George Harrison onde o próprio Peter Frampton participou. "Frampton Comes Alive" (1976) foi um sucesso justificado na qualidade de suas músicas e a energia sincera das interpretações. Nesta apresentação foi pioneiro na sua marca registrada o talk-box um tubo ligado a sua guitarra e que distorcia sua voz (deixando parecida com a voz do Pato Donald) Depois lançou outro disco com viés pop o "I'm In You" sem a mesma energia nem o mesmo sucesso do anterior. Um dos maiores sucessos comerciais para a gravação de um disco ao vivo, um marco histórico.

Peter Frampton é o caso de um artista melhor ao vivo do que no estúdio. Com excelente técnica, durante os anos 1969 a 1971 integrou o Humble Pie e contribuiu com seu fraseado refinado para o som embebido na crueza do rock'n'roll primitivo, de Chuck Berry, por exemplo. "Take Me Back"; "Big Black Dog"; "Earth and Water Song"; "Shine On", composições de Peter Frampton que podem ser apreciadas nos álbuns deste mítico supergrupo. Para este contato uma excelente antologia é "Hot'n'Nasty: The Anthology" (A&M 1994).

A abertura do show no Rio de Janeiro é música do Humble Pie e uma brincadeira com o público. Apesar dos holofotes voltados para a estrela do rock, quem canta e pode ser visto nos dois telões laterais é o tecladistab (Rob Arthur), com o Peter Frampton fazendo cara de indignado e gesticulando. Uma outra vez e quem canta agora é o baixista. Finalmente o Peter Frampton solta a voz e ela ressoa pela arena. Ainda uma bela voz roqueira, o peso da idade só se faz sentir ao final da apresentação quando sua voz vai se extinguindo como a chama de uma vela. Mas na guitarra sua técnica continua exuberante. O uso de sua marca registrada está lá - o talk Box -, através do tubo ele dialoga com a platéia, chama pela mulher Oprah e pode cantar seu mega-hit "Do You Feel Like We Do". "Show me The Way" é balada romântica e contagiante, não há como negar.

Alguns números instrumentais do álbum "Fingerprints" (2006) poupam sua voz e mostram sua técnica na guitarra e a força da banda que o acompanha. A banda (Rob Arthur, teclados, guitarra, vocais; Regan, baixo; Adam Lester, guitarras e Dan Wojciechowski, bateria) é muito profissional. Eles estão no novo álbum "Thank You Mr Churchill" (Universal, 2010), com novas composições de aspecto nostálgico e retrospecto de sua carreira. Peter Frampton apresenta o LP de vinil e lembra a todos Vinil, Album, LP, muito nostálgico. Falando o português de sempre, com um "Obrigado" ele estabelece contato com a platéia brasileira que sempre o acolheu bem. E desta vez não foi diferente.

O astro ainda segue em sua excursão por São Paulo e Curitiba, cujas plateias certamente vão ficar contagiadas de emoção roqueira nas suas apresentações. Suas canções contagiam e embalam a plateia que dança como nos bons tempos das discotecas nos anos 70 e me faz olhar outra vez para aquele globo espelhado, só que agora casado, feliz e com um casal de bons amigos presentes para compartilhar estes bons momentos.




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