John Corabi: em São Paulo como se estivesse em casa

Resenha - John Corabi (Blackmore Rock Bar, São Paulo, 26/03/2010)

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Por Otávio Augusto Juliano
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Se até hoje os brasileiros nunca tiveram a oportunidade de ver a banda MÖTLEY CRÜE ao vivo no país, pelo menos nesses últimos meses puderam se contentar com apresentações solo dos vocalistas do grupo: VINCE NEIL, o “frontman” original e atual, esteve em São Paulo em fevereiro; e agora foi a vez do vocalista e guitarrista JOHN CORABI, que integrou a banda nos anos 90 e fez uma apresentação acústica no Blackmore Rock Bar.

CORABI, acompanhado apenas de seu violão e de seu parceiro Chris Nolen, veio a São Paulo com a proposta de shows acústicos e repertório variado, passando por músicas de suas ex-bandas THE SCREAM, UNION, e MÖTLEY CRÜE, conforme set list anunciado previamente pela produção.

E às 00h25 CORABI, no esquema “banquinho e violão”, abriu a noite com “Love (I Don´t Need It Anymore)”, do UNION e “If I Never Get To Say Goodbye”. Devido ao número pequeno de fãs presentes, todos puderam acompanhar a apresentação do vocalista de muito perto, o que serviu para dar um ar mais intimista ao show, como se CORABI estivesse em casa tocando para um grupo de amigos.

Prestes a completar 51 anos, CORABI mostrou que mantém suas cordas vocais em dia, pois sua voz continua marcante e muito afinada. Além disso, mostrou-se um artista muito simpático e atencioso com o público presente – procurou ouvir e atender, na medida do possível, os inúmeros pedidos de música.

Nesse clima de “pocket show”, o vocalista aproveitou para homenagear algumas de suas influências musicais e tocou canções dos BEATLES, do AEROSMITH – uma versão muito legal de “Season Of Wither” e ainda CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL.

De sua antiga banda THE SCREAM, foram tocadas a muito pedida “Man In The Moon”, a bonita balada “Father Mother Son” e ainda “Never Loved Her Anyway”, caracterizada por sua levada country. Durante a execução dessa última, CORABI ainda aproveitou para contar um pouco de sua vida pessoal, dizendo que teve dois casamentos e suas ex-mulheres levaram boa parte dos lucros acumulados com o sucesso das músicas e a venda de discos.

Essas paradas para brincadeiras, histórias e conversas com o público presente foram constantes, o que tornou o show ainda mais divertido. Em meio a interessantes versões acústicas das músicas de sua carreira, o vocalista protagonizou muitas situações engraçadas, provocando muitos sorrisos na platéia.

Como não podia deixar de ser, músicas da sua fase de vocalista do MÖTLEY CRÜE não ficaram de fora. “Hooligan's Holiday", “Loveshine” e “Driftway”, todas do álbum auto-intitulado de sua ex-banda, foram as escolhidas para integrar o set list, apesar do prévio anúncio de que muitas outras seriam tocadas no show. Mas as ausências de músicas como “Misunterstood” e “Poison Apples” acabaram sendo compensadas pela inclusão das totalmente inesperadas “Smokin’ In The Boys Room” e “Home Sweet Home”, canções gravadas originalmente por VINCE NEIL e não por CORABI.

Pouco antes do final da primeira parte do show, JOHN e Chris Nolen ainda receberam da produção caprichadas caipirinhas e brindaram com o público a primeira visita dos músicos ao Brasil.

Após pouco mais de uma hora de show, CORABI se despediu da platéia, para voltar alguns minutos depois até encerrar sua apresentação por volta de 02:00hs.

Infelizmente fica o registro do pouco público presente – por volta de 150 pessoas. Com preços bastante acessíveis, a passagem de CORABI por São Paulo merecia uma presença maior de público, embora isso não tenha feito a menor diferença para CORABI – o músico tocou como se estivesse se apresentando para milhares de pessoas, dando um ótimo exemplo de humildade e profissionalismo. CORABI mostrou muito carisma e deu uma aula de como se portar diante de fãs, conduzindo seu show acústico de forma muito educada e simpática. E isso vale também para o músico Chris Nolen, que o acompanhou com muita competência.

Ao final, CORABI ainda cantou a música “Live Wire”, ao lado do Mötley Screw, banda cover do MÖTLEY CRÜE que foi responsável pelo fechamento da noite e de forma muito paciente atendeu fãs no mezanino do bar, para autógrafos e fotos.

Um show talvez frustrante em termos de público, mas ótimo em qualidade. Felizes daqueles poucos fãs que estiveram no Blackmore Rock Bar, pois puderam acompanhar um show acústico de um respeitado vocalista de Hard Rock como se estivessem em casa reunidos com amigos.

Agradecimentos a Ricardo Dallal (Free Pass Entretenimento) e a Adriano Coelho pela cordialidade e atenção no credenciamento.

Set List:
1 – “Love (I Don't Need It Anymore)" (UNON)
2 – “If I Never Get To Say Goodbye” (JOHN CORABI)
3 – “Season Of Wither” (AEROSMITH)
4 – "Father Mother Son" (THE SCREAM)
5 – “Hooligan's Holiday" (MÖTLEY CRÜE)
6 – “Smokin’ In The Boys Room” (MÖTLEY CRÜE)
7 – "October Morning Wind" (UNION)
8 – “Robin’s Song” (UNION)
9 – "Never Loved Her Anyway" (THE SCREAM)
10 – “Driftway”/”Home Sweet Home” (MÖTLEY CRÜE)
11 – “Bad Moon Rising” (CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL)
12 – "Man in the Moon" (THE SCREAM)

BIS
13 – “Oh! Darling” (BEATLES)
14 – “Blackbird” (BEATLES)
15 – “We Can Work It Out” (BEATLES)
16 – "Hypnotized" (UNION)
17 – “Loveshine” (MÖTLEY CRÜE)

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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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