Metallica: um grandioso show em Porto Alegre
Resenha - Metallica (Parque Condor, Porto Alegre, 28/01/2010)
Por Henrique Caveira
Fonte: Cripta do Caveira
Postado em 01 de fevereiro de 2010
Baterista do Exodus, Tom Hunting conta como é a vida sem estômago
Levou quase 11 anos para que a maior banda de heavy metal do planeta voltasse a tocar na capital gaúcha, mas a espera valeu. O Metallica fez um show histórico, trazendo toda a sua produção de palco, telões e fogos de artifício, coroando tudo isso com um setlist capaz de infartar qualquer fã de longa data da banda. O resultado foi um show ainda mais incrível do que o de 1999 (que, aliás, foi sensacional, ao contrário do que alguns desinformados andam comentando por aí, inclusive na suposta mídia "especializada").
A entrada do Metallica no palco estava prevista para as 21h30min, e a banda entrou com míseros quinze minutos de atraso. Antes disso, a já tradicionalíssima abertura com os telões exibindo cenas do filme de faroeste "The Good, the Bad, The Ugly" ao som de Enio Morricone (a banda costuma abrir shows desse jeito há quase vinte anos).
E na sequência entra o Metallica já emendando de cara a velha e clássica "Creeping Death". Essa abertura de show foi uma das mais infartantes que se pode imaginar, pois foi seguida de "For Whom the Bell Tolls" e "Ride the Lightning". Sim, nada menos do que três clássicos do álbum "Ride the Lighting" de 1984, tocados um atrás do outro já de cara. Coisa para fazer qualquer fã de thrash metal cuspir o coração pela boca!
Os fãs mais informados já sabiam que haveria uma música do álbum "Reload" (1997) no repertório. A dúvida era se seria "Fuel" ou "The Memory Remains". Para Porto Alegre, o Metallica reservou a segunda. Da mesma forma como ocorreu no show de 1999, foi uma grande satisfação para mim ver quase trinta mil pessoas cantando a plenos pulmões essa que foi uma música extremamente criticada da banda na época, saída da fase heavy-rock mais radiofônica que o grupo adotou na segunda metade dos anos 90 (e que até hoje é frequentemente pichada por fãs mais radicais, apesar do imenso sucesso de crítica, público e vendas dos álbuns "Load" e "Reload").
Fiquei surpreso quando a banda começou as primeiras notas de "Fade to Black". Com essa, a banda tocou nada menos do que quatro músicas do "Ride the Lightning" ao longo do show, o que representa nada menos do que metade do álbum! Meu Deus, que começo de show matador!
Após essas cinco primeiras músicas, a banda apresentou um bloco de faixas do mais recente álbum, "Death Magnetic" (2008). "That Was Just Your Life" e "The End of the Line" foram muito bem recebidas, mas aparentemente a que mais agradou a multidão de fãs foi "The Day That Never Comes", o primeiro single do álbum.
Depois dessa trinca de músicas novas, Hetfield faz a clássica pergunta "Do you want Heavy? Metallica gives you Heavy, baby!", e quem já viu o DVD "Cunning Stunts" sabe que se trata da deixa para o hit "Sad But True", do folclórico "álbum preto". A execução dessa faixa não deixou dúvidas de que, apesar da imensa quantidade de fãs da banda ali presentes, a maioria é entusiasta mesmo do black album, de longe o disco mais bem sucedido comercialmente do Metallica até hoje.
Hetfield pergunta para a platéia se o pessoal têm o novo álbum "Death Magnetic", se gostaram dele e qual outra música gostariam de ouvir desse disco. De cara, eu berrei "My Apocalypse!!!", mas já sabendo que essa faixa não está rolando nos shows da atual turnê. A executada foi a empolgante "Cyanide", um dos sons de mais fácil assimilação do novo álbum, e que funciona muito bem ao vivo.
Apesar da empolgação com as músicas novas, o melhor estava reservado para a parte final do show. Uma série de explosões, chamas e barulhos de guerra ao fundo anunciavam a clássica "One", do álbum "And Justice for All" (1988), faixa que gerou o primeiro videoclipe da história da banda e representou seu primeiro hit nas rádios. E em seguida, veio "Master of Puppets" e "Battery". Juro: nem sei como sobrevivi para escrever essas linhas! Eu já estava dolorido e cansado de berrar a essas alturas, mas durante "Master of Puppets" pulei e urrei a letra inteira como se não houvesse amanhã. Os caras do Metallica realmente pareciam determinados a matar os fãs do coração.
Apesar disso, os fãs cujo conhecimento da discografia da banda é mais restrita ao black album não ficaram na mão: o setlist básico do show terminou com a dobradinha "Nothing Else Matters" e "Enter Sandman", deixando todo mundo feliz como pinto no lixo. Até os fãs mais comedidos e menos headbangers pularam, berraram e se sacudiram com essa última.
Foi engraçado, ao final de "Nothing Else Matters", ver a imagem no telão principal focada na palheta de James Hetfield. Ele lentamente exibe cada um dos lados da palheta estilizada, com o logo da banda e a imagem da capa do álbum "Death Magnetic", e depois levanta o dedo do meio para a platéia, rapidamente ocultando o gesto com a outra mão. A brincadeira faz todo mundo cair na risada até que a graça vira euforia com o começo das primeiras notas de "Enter Sandman".
Quem estava acompanhando os setlist dos shows anteriores da turnê sabia que o bis teria três músicas, mas ninguém sabia quais seriam. Normalmente, uma delas é um cover, e a escolhida pela banda para Porto Alegre foi "Die, Die My Darling", música do The Misfits coverizada pelo Metallica no álbum duplo "Garage Inc" (1998). Nem todo mundo parecia familiarizado com esse som, mas eu não poderia ter ficado mais feliz (a menos, é claro, que a banda tivesse optado pelo hino "Last Caress", também do Misfis).
Na sequência, uma surpresa: "Phantom Lord", uma das grandes músicas do álbum de estréia do Metallica, o lendário "Kill'em All" (1983). Fiquei de boca aberta, pois por essa eu não esperava! NUNCA na minha vida eu poderia imaginar que veria o Metallica tocando essa música ao vivo. A única palavra na qual posso pensar é "inacreditável".
Como já era previsto, a "saideira" foi "Seek and Destroy", também do "Kill'em All". A música arrancou as últimas energias da platéia, que cantou e berrou tanto quanto pôde.
Perto do final do show, Hetfield repetiu uma gafe que disse anteriormente: que aquele era "o primeiro" show do Metallica em Porto Alegre, aparentemente esquecendo-se do show de 1999 no Jóquei Club. Kirk Hammet, nessa hora, fez um "dois" com os dedos, sinalizando que pelo menos ele estava ciente de que era na verdade o segundo show da banda na capital gaúcha. No final do show, Lars Ulrich brincou ao microfone: "sou só eu que acho que nós já tocamos em Porto Alegre onze anos atrás?". A cara de Hetfield demonstrava um misto de constrangimento e perplexidade. Hilário.
O show terminou com os quatro músicos enchendo um sujeito do staff da banda de tortas na cara. Hetfield apresentou ele como sendo "o Presidente do Metallica", e puxou um Parabéns Pra Você acompanhado de toda a platéia presente. Depois disso, rápidas saudações ao microfone, algumas palhetas e baquetas distribuídas aos fãs e a banda sai do palco, deixando todos os presentes com a certeza de que tinham testemunhado o que provavelmente foi o mais incrível, grandioso e bem produzido show já feito em Porto Alegre.
Agora, só nos resta esperar que a banda retorne para esses lados antes do ano 2021...
Confira mais fotos do show em:
http://musica.uol.com.br/album/metallica_2010_portoalegre_album.jhtm?abrefoto=20
SETLIST DO SHOW
Creeping Death
For Whom The Bell Tolls
Ride The Lightning
The Memory Remains
Fade To Black
That Was Just Your Life
The End Of The Line
The Day That Never Comes
Sad But True
Cyanide
One
Master Of Puppets
Battery
Nothing Else Matters
Enter Sandman
BIS
Die, Die My Darling
Phantom Lord
Seek and Destroy
Outras resenhas de Metallica (Parque Condor, Porto Alegre, 28/01/2010)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O Big Four do heavy metal brasileiro, de acordo com Mateus Ribeiro
O músico que Edu Falaschi lamenta que não estará com Angra no Bangers: "Seria simbólico"
O melhor disco de heavy metal de cada ano da década de 80, segundo o Loudwire
O melhor solo de guitarra do Angra de todos os tempos, segundo Edu Falaschi
5 bandas de metalcore se tornaram "rock de pai", segundo a Loudwire
Baterista do Exodus, Tom Hunting conta como é a vida sem estômago
Usando Pink Floyd como exemplo, Sammy Hagar diz não querer mais contato com Alex Van Halen
Os melhores discos de metal de cada ano dos anos 2000 - de Iron Maiden a Mastodon
Rafael Bittencourt conta pela primeira vez a promessa que fez ao pai de Edu Falaschi
Edu Falaschi pede desculpa a Rafael Bittencourt por conflito no Angra e ouve: "Eu amo você"
A lição de Bruce Dickinson e Dave Murray do Iron Maiden que marcou Edu Falaschi
A música do Queen que Brian May diz ter sido "a mais bonita" que Freddie Mercury escreveu
All Metal Stars anuncia gravação de DVD em tributo a Andre Matos no show em São Paulo
A viagem do Ramones que mudou a história da música para sempre; "A gente não sabe tocar"
Filme com os últimos shows de John Lennon chega aos cinemas em abril

10 solos lendários de guitarra que parecem fáceis - mas vai tentar tocar pra ver!
A banda chamada de "novo Led Zeppelin" que tinha Metallica no bolso, e mesmo assim não estourou
Os álbuns do Metallica que soaram "forçados", segundo James Hetfield
O filme de guerra que inspirou uma das maiores músicas do Metallica de todos os tempos
O clássico do Metallica que fez James Hetfield se encolher: "Aquilo foi ruim"
O disco do Metallica que Regis Tadeu compara a clássicos de Beatles, Led Zeppelin e Floyd
Bruce Dickinson encontra "Dustin", de Stranger Things; "Coisas estranhas em New Jersey"
A cantiga infantil sombria dos anos 1990 que o Metallica tocou ao vivo uma única vez
Lars Ulrich, do Metallica, acha que Bon Scott é o vocalista mais legal de todos os tempos
A melhor música do "Black Album", do Metallica, segundo a Metal Hammer
Deicide e Kataklysm: invocando o próprio Satã no meio da pista


