O popstar que semeou discórdia no Van Halen graças à genialidade de Eddie
Por Bruce William
Postado em 22 de maio de 2026
O Van Halen já tinha conflitos suficientes dentro de casa antes de Michael Jackson aparecer na história. Eddie Van Halen queria ampliar possibilidades, testar teclados, gravar ideias diferentes e seguir a própria cabeça. David Lee Roth, por outro lado, parecia mais interessado em manter a banda dentro daquele pacote explosivo de hard rock, palco, pose, humor e guitarra incendiária. O equilíbrio funcionou por alguns anos, mas nunca foi exatamente pacífico.
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A participação de Eddie em "Beat It", lançada no álbum "Thriller", de 1982, entrou nessa rachadura como gasolina em chão quente, conclui a Far Out. Para o público, foi uma colaboração brilhante: o maior astro pop do planeta recebendo um solo de guitarra de um dos músicos mais influentes do rock. Para Eddie, aparentemente, era só uma participação divertida, feita sem grande cálculo comercial. Para Roth, porém, aquilo soou como uma traição de bastidor.
O problema não era apenas Eddie tocar com outro artista. Era fazer isso em uma música de Michael Jackson, em um disco que logo se tornaria um fenômeno mundial, sem conversar com a banda antes. Roth contou que ouviu o solo e pensou: "Agora isso soa familiar… Alguém está copiando os licks de guitarra de Ed Van Halen." Depois descobriu que era o próprio Eddie. "Era Ed, no fim das contas, e ele tinha ido fazer o projeto sem discutir com ninguém."
A frase mostra bem o incômodo. Eddie não estava apenas emprestando talento; estava colocando a assinatura sonora do Van Halen em outro universo, sem que o resto da banda tivesse participação na decisão. E, para piorar, fez isso de graça. Anos depois, a história ficou ainda mais absurda porque "Thriller" virou um dos discos mais vendidos de todos os tempos. Se Eddie tivesse pedido uma pequena porcentagem, provavelmente teria ganhado uma fortuna só com aquele solo.
Mas a questão com Roth parecia menos financeira e mais simbólica. O Van Halen vivia de uma identidade muito forte, quase tribal. Eddie era o nome da guitarra, claro, mas Roth era o rosto, o comunicador, o sujeito que vendia a festa inteira. Ver o guitarrista atravessar a cerca e aparecer no disco de Michael Jackson sem avisar deve ter reforçado a sensação de que cada um já começava a cuidar do próprio território.
A ironia é que "Beat It" também aumentou a lenda de Eddie. Em poucos segundos, ele atravessou a fronteira entre o hard rock e o pop sem pedir passaporte. Muita gente que talvez nunca tivesse parado para ouvir Van Halen conheceu aquele som de guitarra por meio de Michael Jackson. O solo não diluiu Eddie; mostrou que sua linguagem podia sobreviver fora da bolha da banda. Para um guitarrista, isso era quase irresistível.
Roth também testaria seu próprio caminho pouco depois, com o EP "Crazy from the Heat", lançado em 1985. A saída dele do Van Halen naquele mesmo período não pode ser colocada apenas na conta de "Beat It", mas o episódio ajuda a entender o clima. A banda já vinha se dividindo entre ambições diferentes, egos fortes e ideias opostas sobre o futuro. Michael Jackson não criou a discórdia, mas apareceu exatamente no ponto em que ela podia crescer.
No fim, o popstar que nunca entrou no Van Halen acabou participando de uma das histórias mais curiosas da banda. "Beat It" virou clássico, Eddie ganhou mais uma prova de genialidade, e Roth ganhou mais um motivo para desconfiar de que o guitarrista já estava jogando outro jogo. Às vezes, uma banda não racha por causa de uma briga enorme. Às vezes, basta um solo perfeito no disco errado.
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