A música que Robert Plant usaria para mostrar o que era o Led Zeppelin
Por Bruce William
Postado em 21 de maio de 2026
Se alguém pedisse a Robert Plant para explicar o Led Zeppelin em uma única música, ele não escolheria necessariamente a mais famosa. Nada de "Stairway to Heaven", "Whole Lotta Love" ou "Kashmir". Segundo Jason Bonham, filho de John Bonham, a faixa que Plant apontaria para alguém ouvir seria "Achilles Last Stand", a abertura de "Presence", disco lançado em 1976.
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A escolha chama atenção porque "Presence" nasceu em uma fase difícil da vida de Plant. Conforme relembra a Far Out, em 1975, ele sofreu um grave acidente de carro na Grécia e ainda se recuperava quando gravou os vocais do álbum. Em vez de estar no palco como o "Golden God" do Led Zeppelin, estava lidando com dor, limitações físicas e uma rotina de gravação bem distante da imagem gloriosa que muita gente associa à banda.
Jason Bonham contou que conversou com Plant em Nashville e aproveitou a chance para perguntar qual era sua música favorita do Led Zeppelin. Plant respondeu com uma ressalva importante: "O que você tem que lembrar é que às vezes algumas dessas músicas trazem de volta um período da minha vida que não foi ótimo. Eu estava em uma cadeira de rodas depois de quase morrer em um acidente de carro naquela época. Então eu estava com dor."
Mesmo assim, "Achilles Last Stand" ficou em outro lugar dentro da memória dele. Jason disse que Plant ainda gosta muito de "Tea for One", mas que "Achilles" tinha um peso especial. Segundo ele, Plant afirmou: "Se eu algum dia for tocar algo do Led Zeppelin para alguém... é isso. Ouça isso, isso é o que nós tínhamos."
E dá para entender por quê. "Achilles Last Stand" não é uma faixa simples, nem feita para entrar fácil em rádio. São mais de dez minutos de tensão, velocidade, guitarras sobrepostas, baixo correndo por baixo e John Bonham tocando como se segurasse uma cavalaria inteira. É um Led Zeppelin mais seco do que em outros momentos, sem a grandiosidade orquestral de "Kashmir", mas com uma urgência quase física. A banda parece empurrar a música para a frente sem aliviar.
Jimmy Page também via a faixa como um momento importante. Ele comentou que a banda poderia ter começado o disco por algo mais familiar, mas preferiu ir "direto para o fundo" com "Achilles". O guitarrista achou inicialmente que precisaria usar a guitarra de dois braços, mas percebeu que a música funcionava melhor com uma de seis cordas e diferentes efeitos. Segundo Page, quando ensaiaram pela primeira vez, "tudo simplesmente clicou de novo".
Essa ideia de "clicar de novo" combina com o que Plant via na música. Presence não costuma aparecer como o álbum favorito da maioria dos fãs, mas "Achilles Last Stand" tem cara de prova de sobrevivência. A banda estava machucada, pressionada, trabalhando em circunstâncias difíceis, e ainda assim conseguiu gravar uma faixa que soa como quatro músicos brigando contra o próprio desgaste.
Para Plant, que depois carregaria lembranças dolorosas ainda maiores ligadas ao Led Zeppelin - incluindo a morte do filho Karac, em 1977, e a morte de John Bonham, em 1980 - revisitar a banda nunca foi apenas nostalgia bonita. Muitas músicas vinham junto com perdas, acidentes e rupturas. Talvez por isso "Achilles Last Stand" tenha tanta força em sua fala: não é a lembrança de um momento perfeito, mas de uma banda que, mesmo cercada por dor, ainda conseguia soar imensa.
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