O álbum do Black Sabbath que Tony Iommi colocou no topo de sua lista negra
Por Bruce William
Postado em 22 de maio de 2026
Tony Iommi passou décadas sendo o ponto fixo do Black Sabbath. Ozzy Osbourne saiu, Ronnie James Dio entrou e saiu, Ian Gillan passou, Glenn Hughes também, Tony Martin segurou várias fases, Geezer Butler apareceu e desapareceu em determinados momentos, mas Iommi continuou ali, puxando riffs de algum lugar escuro da parede. Por isso, quando ele aponta um disco da banda como o que menos gosta, a reclamação tem peso especial.
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O álbum é "Forbidden", lançado em 1995 pela I.R.S., com Tony Martin nos vocais, Neil Murray no baixo, Cozy Powell na bateria, Geoff Nicholls nos teclados e Iommi na guitarra. Era uma formação com músicos experientes, mas o contexto não ajudava. O Sabbath já vinha de anos de instabilidade, longe do impacto comercial das eras Ozzy e Dio, tentando manter o nome vivo em um cenário musical que havia mudado muito desde os anos 70 e 80.
O detalhe mais lembrado de "Forbidden" é a tentativa de aproximar o Sabbath de uma linguagem mais atual para a época. Ernie C, guitarrista do Body Count, produziu o disco, e Ice-T apareceu na faixa de abertura, "The Illusion of Power". A mistura não era impossível em tese - rap e metal já dialogavam em vários cantos naquele período - mas ali soou como algo empurrado para dentro de uma banda que não parecia precisar desse tipo de maquiagem. O próprio site Black Sabbath Online registra Ernie C como produtor e Ice-T como participação em "The Illusion of Power".
"Há alguns de que não gosto, 'Forbidden' sendo o principal. A forma como Ernie C foi trazido para fazer aquilo foi outra ideia da gravadora na época", disse o guitarrista sem colocar panos quentes quando falou do disco, em fala recuperada pela Far Out. O problema, portanto, não era apenas uma música específica ou uma participação estranha. Era a sensação de que decisões importantes estavam vindo de fora, como se o Sabbath precisasse ser reposicionado por gente que não entendia direito o que fazia a banda funcionar.
A ironia é que a fase Tony Martin não era sinônimo de fracasso artístico. "Headless Cross", "Tyr" e "Cross Purposes" têm defensores fiéis, e mesmo quem prefere as formações clássicas costuma reconhecer que havia bons momentos naquele período. "Forbidden", porém, ficou marcado como o ponto mais frágil dessa sequência, menos por falta de talento individual e mais por falta de direção. Quando se tenta atualizar uma banda como Black Sabbath de fora para dentro, o risco é justamente perder aquilo que a fazia soar como Black Sabbath.
O incômodo de Iommi foi tão persistente que, décadas depois, o disco ganhou uma nova chance. O box "Anno Domini 1989-1995", lançado em 2024, reuniu os álbuns da fase Tony Martin e trouxe uma nova mixagem de "Forbidden", feita por Mike Exeter em conjunto com o próprio Iommi. O material também recuperou "Headless Cross", "Tyr" e "Cross Purposes", três discos que por muito tempo ficaram em situação meio nebulosa nas reedições oficiais, e que hoje também podem ser adquiridos em sua nova versão de forma avulsa.
Isso não transforma "Forbidden" em clássico perdido, mas mostra que Iommi ainda via alguma coisa ali que podia ser corrigida, ou pelo menos apresentada de forma menos prejudicada. Há riffs, há peso em alguns momentos, há músicos capazes. O que faltou foi aquele senso de identidade que fazia até as fases mais discutidas do Sabbath parecerem parte de uma mesma sombra. Em 1995, a banda tentou sobreviver ao tempo, ao contrato, à gravadora e às tendências. Sobreviveu, mas deixou um disco que seu principal arquiteto passou anos tentando consertar.
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