O Rappa abandonou Marcelo Yuka? Baixista nega e esclarece os fatos
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de maio de 2026
O baixista Lauro Farias, ex-integrante de O Rappa, negou que a banda tenha abandonado Marcelo Yuka depois do atentado que deixou o baterista paraplégico. Em entrevista ao canal Corredor 5, ele afirmou que o grupo voltou aos palcos a pedido do próprio Yuka, para ajudar a custear seu tratamento, e que o músico continuou recebendo sua parte dos shows por muitos anos.
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A declaração toca em uma das maiores polêmicas da história de O Rappa. Depois dos tiros sofridos por Yuka, parte do público passou a acusar a banda de ter seguido em frente sem o baterista. Lauro disse que essa versão não corresponde ao que aconteceu nos bastidores.
Segundo o baixista, O Rappa estava no auge quando o crime ocorreu. A banda fazia muitos shows, tinha dinheiro em caixa e vivia grande exposição. O atentado interrompeu tudo. "Depois que aconteceu isso com o Yuka, paramos total", afirmou Lauro. Ele disse que o grupo viveu uma queda brusca, "do céu ao inferno".
Lauro contou que Yuka chamou os integrantes para uma reunião em sua casa quando os custos do tratamento começaram a pesar. Estavam presentes Lauro, Xandão, Marcelo Lobato e Falcão. Segundo o baixista, Yuka foi direto: "Cara, preciso que vocês voltem para a estrada. Preciso pagar meu tratamento."
A fala, segundo Lauro, mudou a posição da banda. Até então, os músicos não viam como retomar os shows sem o baterista. "Como voltar para a estrada? Não tinha como voltar para a estrada", disse. Mesmo assim, o grupo decidiu seguir, com Marcelo Lobato na bateria e o irmão dele no piano.
O baixista afirmou que a mudança foi dolorosa. "Não é a mesma coisa, brother. É triste", disse. Ele resumiu a decisão com uma frase que, segundo ele, guiou a banda naquele momento: "Insistir, persistir sempre, desistir nunca."
Na entrevista, Lauro também rebateu a ideia de que Yuka teria sido deixado sem apoio financeiro. Segundo ele, o baterista continuou recebendo sua parte dos cachês. "O Yuka recebia a parte dele igual. A parte dele chegava na casa dele durante muitos anos. Foi assim. A parte dele era dividida por igual", afirmou.
O ponto mais sensível envolve a saída definitiva de Yuka. Lauro disse que o rompimento não ocorreu por causa dos tiros, mas por uma divergência sobre direitos autorais. Segundo ele, os integrantes queriam dividir por igual os direitos das músicas que seriam feitas dali em diante, porque o processo criativo da banda era coletivo.
"Banda é um todo. Banda é todo mundo dividir por igual", afirmou Lauro. Ele reconheceu, porém, que Yuka tinha direito sobre suas composições e que o grupo sempre entendeu isso. A discussão, segundo o baixista, era sobre o material futuro, não sobre o que já havia sido lançado.
Lauro disse que a proposta foi recusada por Yuka. "Ele simplesmente falou: 'Eu não aceito'. E saiu fora. Foi isso que aconteceu", declarou. Para o baixista, muita gente não conhece esse lado da história.
A partir dali, segundo Lauro, surgiu a versão de que a banda teria expulsado o baterista. Ele afirmou que essa narrativa foi alimentada por fãs e pela mídia. "A mídia começou a falar que fomos nós que expulsamos ele", disse. O músico afirmou que chegou a ter medo de andar na rua por causa da reação das pessoas.
Apesar da divergência, Lauro fez elogios fortes a Yuka. Chamou o ex-parceiro de "talentosíssimo" e disse que ele tinha uma personalidade marcante. "Nunca conheci uma pessoa tão extraordinária igual ao Yuka", afirmou. Segundo o baixista, Yuka "vivia criando 24 horas por dia".
Confira a entrevista completa abaixo.
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