Sisters of Mercy: poucas palavras e muita fumaça em SP
Resenha - Sisters of Mercy (Via Funchal, São Paulo, 06/06/2009)
Por Karina Detrigiachi
Postado em 15 de junho de 2009
Sabe aquela história de "quem gosta de passado é museu?" Para os fãs do SISTERS OF MERCY ela é completamente errônea, pois mesmo após 25 anos desde o lançamento do primeiro álbum da banda, voltar aos anos 80 e reviver o passado ainda é um prazer...
A abertura ficou por conta do LIBRA (não o confundam com a banda chilena de rock alternativo). Trata-se de um cantor gótico carioca que lançou em 2008 o ótimo álbum "Até que a morte não separe". O músico subiu ao palco com sua banda de suporte às 21h00 e após ter sido vaiado no show do KISS, finalmente estava no lugar certo, pois com uma belíssima apresentação agradou o público que mesmo mostrando não conhecer muito seu trabalho, o respeitou e em algumas músicas até arriscou cantar junto com ele, uma vez que suas letras melancólicas sobre amor são de fácil assimilação.
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Com uma excelente presença de palco, o LIBRA apresentou ótimas canções como "Na minha pele", "Sangue frio", "Ninguém ama ninguém", esta que no álbum conta com a participação de Aaron Stainthorpe, vocalista da banda britânica de doom metal MY DYING BRIDE, "Eletricidade" e a excelente "Quando o mundo acabar", que pode ser facilmente considerada uma das melhores músicas presentes em seu álbum.
Porém, mesmo com um repertório rico, constituído de letras profundas e arranjos muito bem trabalhados e claramente influenciado por excelentes bandas como ANATHEMA, PARADISE LOST e o já citado MY DYING BRIDE, foi com o cover de "Enjoy the silence’ do DEPECHE MODE que o LIBRA realmente ganhou o público.
Após a apresentação, a maioria dos comentários que se podia ouvir eram positivos, pois o LIBRA abriu muito bem a noite e com certeza uma nova base de fãs agora está garantida.
Às 22h00, para a infelicidade dos fotógrafos, o palco começou a receber a tradicional fumaça que tanto nos leva de volta à atmosfera dos anos 80, e, falando em fotógrafos, a maioria deles foram vetados de cobrir a apresentação sem muitas explicações. O que se comentava era que ‘"poucos fotógrafos" havia sido uma das exigências do vocalista Andrew Eldritch que não estava muito afim de aparecer, e esses comentários receberam um pouco mais de crédito minutos antes da banda entrar no palco, quando os telões do Via Funchal anunciaram que para esta apresentação não haveria a transmissão simultânea, que trata-se das imagens da banda exibidas em tempo real nos telões, facilitando a visualização dos fãs.
Não podemos afirmar se tudo isso realmente ocorreu devido a uma exigência do músico, mas vale lembrar que este ano passaram por aqui lendas como MOTORHEAD, DEEP PURPLE e HEAVEN & HELL e nenhuma dessas restrições foram necessárias. A intenção aqui não é equiparar nenhuma banda, até mesmo porque o estilo das citadas acima é completamente diferente, mas para uma banda que não lança nenhum material novo nos últimos 17 anos, restringir suas imagens ao público que ainda se mantêm fiel ao seu trabalho é realmente uma atitude a se lamentar....os fãs mereciam mais reconhecimento e valor...
Finalmente às 22h30 o SISTERS OF MERCY entra no palco e iniciam com "Crash And Burn", faixa que faz parte da compilação de singles inéditos "Some Girls Wander by Mistake" lançada em 1992.
Ao se deparar mais uma vez com o tão aclamado fervor dos fãs brasileiros, o vocalista Andrew Eldritch deixou escapar um sorriso, mas um sorriso leve com ar irônico, bem no estilo britânico de ser. O sorriso não durou mais do que quatro segundos e não voltou a aparecer durante o resto da noite.
A música seguinte foi "Ribbons", faixa de "Vision Thing", terceiro álbum da banda lançado em 1990.
As músicas estavam todas com uma roupagem diferente, o que impedia até mesmo que fossem reconhecidas de primeiro momento, e, em muitas situações os fãs começaram a cantá-las a partir do refrão, pois era este o único momento em que era possível reconhecer qual música estava sendo executada.
Os samplers estavam bem evidentes, o que fez com que muitos fãs após o show arriscassem dizer que tudo havia se tratado de playback... está aí mais uma situação que também não temos como afirmar....
O jogo de luzes no palco foi realmente um show à parte, e mesclado com a fumaça, nos fazia sentir como se tivéssemos voltado no tempo, pois a atmosfera anos 80 realmente havia tomado conta do lugar. Porém, na altura da sétima música, a excelente "Marian" do clássico "First and Last and Always" lançado em 1985, a pergunta que predominava na casa era "caramba, precisava mesmo de tanta fumaça?". Em muitas músicas tudo o que os fãs puderam fazer foi curtir o som pois não dava nem mesmo pra ver a banda no meio daquela "neblina".
Dias antes da apresentação, a banda participou de uma coletiva de imprensa e quando questionado sobre como seria o show o vocalista respondeu pragmático: "Encaro o show como qualquer outro, vamos dar o nosso melhor. Espero que seja bom para todos".
E sim, ele o encarou como qualquer outro pois durante toda a apresentação se comportou de maneira burocrática. Não houve interação com o público, e fez questão de se limitar ao seu próprio espaço, ao contrário dos guitarristas Chris Catalyst e Ben Christo que se mostravam muito animados. Catalyst não parava de pular e Christo que era só sorrisos, toda hora olhava para a platéia e sussurava uns "obrigados" enquanto Eldrich persistia em seu humor britânico.
A banda fez um apurado geral de toda sua carreira, mas as faixas que mais empolgaram o público foram as contagiantes "Dominion", "The Corrosion" e "First and Last and Always". Mesmo muito bem apresentadas, não houve como não sentir falta do coral característico.
De repente, o maravilhoso jogo de luzes oriundo dos holofotes se apaga e o silêncio predomina por menos que dois minutos quando a banda começa a esperada "Something Fast" seguida por "Vision Thing".
Os integrantes se despedem do público e saem do palco, porém para alegria dos presentes retornam com as maravilhosas "Lucretia My Reflection" e "Temple of Love".
Então, precisamente às 23h54 o SISTERS OF MERCY sai do palco. As luzes se acendem, os técnicos de som começam a retirar os instrumentos e os fãs se perguntam "Calmae, cadê ‘More’?" Exatamente, o show tinha acabado e o hino da banda havia sido excluído do set-list.
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Logicamente que não é possível agradar a todos e muitas músicas aguardadas ficaram de fora como "Walk Away", "Some Kind Of Stranger" e "Nine While Nine", mas "More" é onipresente, a cereja do bolo... e sua ausência foi realmente a decepção da noite...
Enfim... conferir uma banda clássica é sempre um grande momento, mas não se pode negar que o público merecia muito mais do que o que foi apresentado e como infelizmente nem tudo é perfeito, valeu conferir a banda em um show de poucas palavras e muita fumaça em uma viagem de volta aos anos 80...
"We want more!"
Set-list:
Crash And Burn
Ribbons
Train/Detonation Boulevard
Alice
Flood I
Anaconda
Marian
We Are The Same, Suzanne
Arms
Giving Ground
Dominion/Mother Russia
First and Last and Always
This Corrosion
(Bis)
Something Fast
Vision Thing
(Bis II)
Lucretia My Reflection
Temple of Love
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