Resenha - Angra e Sepultura (Canecão, Rio de Janeiro, 29/05/2009)

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Por Monica Fontes
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Após mais de dois anos afastada dos palcos por problemas administrativos e de empresariamento, a banda ANGRA anunciou o retorno à cena agendando uma turnê em conjunto com outro grande nome do metal nacional, o SEPULTURA. Durante o mês de maio, as duas bandas de renome internacional passaram por várias cidades do Brasil, incluindo o Rio de Janeiro, e em agosto darão continuidade à turnê seguindo para o Nordeste do país e posteriormente, a América Latina.

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Fotos: Diego Padilha

A expectativa para o show no Rio era imensa por parte do público, o que era natural uma vez que o ANGRA passou por mudanças na formação e estava há muito tempo sem se apresentar ao vivo. Uns ansiavam por conferir a performance do baterista Ricardo Confessori, que está de volta à banda em substituição a Aquiles Priester; outros queriam rever a dupla de guitarristas Loureiro/Bittencourt, considerada por muitos como a melhor do país; e de uma forma geral, todos queriam rever a banda no palco. Além disso, o público do SEPULTURA também compareceu em enorme número.




O ANGRA foi a primeira banda a se apresentar e o show começou com “Carry On” que emendou em “Nova Era”, o que já vinha acontecendo desde a turnê do último álbum de estúdio, “Aurora Consurgens”. Na época a ideia foi considerada muito boa, pois evita que o público fique pedindo “Carry On” durante o show inteiro.

O grupo tem variado o set list, que é composto por vários clássicos, passando por todos os álbuns. “Acid Rain” foi tocada no Rio, mas não em São Paulo, “Bleeding Heart” fez parte do set em Porto Alegre, mas ficou de fora no Rio, e assim por diante. A que mais surpreendeu o público até agora foi “Lisbon”, que nunca havia sido executada com a formação atual. A música tem sido bem aceita uma vez que o vocalista Edu Falaschi canta à sua maneira, sem querer simplesmente copiar a versão original na voz de Andre Matos. O resultado é excelente e vem agradando muito aos fãs. Um dos pontos altos da apresentação foi “Late Redemption”, que contou com a participação ativa (e muito bonita) por parte do público nos trechos que são cantados por Milton Nascimento. Todos da banda estavam visivelmente felizes por estar de volta aos palcos e o público certamente sentiu isso, respondendo de forma muito positiva durante todo o show.

O grupo encerrou a apresentação com “Nothing To Say”, que é uma das preferidas do público. Mas, como era de se esperar, os fãs pediram bis e a banda voltou para tocar “Rebirth”, que foi cantada em uníssono pela platéia, finalizando com “Spread Your Fire”.

Os pontos negativos foram a ausência de “Carolina IV”, “Heroes Of Sand” e “Bleeding Heart” do set list, além do som do teclado, de Daniel Santos, estar bem mais baixo que os demais instrumentos, chegando a ficar quase inaudível em algumas partes do show.

Fora isso, foi muito bom ver o ANGRA de volta à ativa e com um público sempre fiel, independente da formação da banda.




Cerca de meia-hora depois, o SEPULTURA subiu ao palco para um show forte e com muito peso. Apesar de estar completando 25 anos de carreira, alguns fãs estavam vendo a banda pela primeira vez e ficaram impressionados com a precisão do grupo, além da excelente presença de palco do vocalista Derrick Green, que agitava o público sem parar.

O show começou com a introdução do álbum “A-Lex”, “Alex I” e “Moloko Mesto”, seguido de “Filthy Rot” e “What I do!” que mostraram porque a banda é tão respeitada e reconhecida em todo o mundo. Depois vieram “Refuse/Resist”, “Manifest”, “Convicted in Life”, “Atittude”, além de um cover de “Polícia”, dos Titãs, cantada pelo guitarrista Andreas Kisser. Por sinal, ele e Derrick interagiram com a platéia o tempo todo e o vocalista brincou várias vezes com o sotaque carioca, usando termos como “sinistro”, e “beleza”. O som estava bem melhor que o show do ANGRA e o baterista Jean Dolabella, com uma performance arrasadora, mostrou que se sai muito bem em substituição a Iggor Cavalera. Na sequência vieram “We’ve Lost You”, A-Lex II/The Treatment” e “D.E.C.”, para delírio dos fãs. O grupo encerrou com “Conform” e “Roots Bloody Roots”, do álbum “Roots”, de 1996.

Alguns minutos mais tarde, as duas bandas voltaram ao palco para uma jam e começaram com “Immigrant Song”, do LED ZEPPELIN, tendo Jean Dolabella, do SEPULTURA, na bateria. Em seguida, tocaram “Paranoid”, do BLACK SABBATH, com o baterista Ricardo Confessori, do ANGRA. Vale ressaltar que um dos pontos altos da jam é a performance dos três guitarristas. Um show à parte.

Terminada a apresentação e com o público mais do que satisfeito, ficou provado que o Melódico e o Thrash são uma ótima combinação. E que a turnê sirva de exemplo para que outras sejam feitas.

Angra – Set List

Carry On / Nova Era
Waiting Silence
Lisbon
Angels Cry
The Course Of Nature
Make Believe
Acid Rain
Metal Icarus
Late Redemption
Nothing To Say
Rebirth
Spread Your Fire

Sepultura – Set List

Intro – A-lex IV
A-lex I/Moloko Mesto
Filthy Rot
What I Do!
Refuse/Resist
Manifest
Convicted in Life
Atittude
We''ve Lost You
A-lex II/The Treatment
D.E.C.
Troops of Doom
Sepctic Schizo/Escape to the Void
Inner Self
Sepulnation
Territory
Arise
Conform
Roots Bloody Roots

JAM

Immigrant Song – Led Zeppelin (Jean Dolabella na bateria)
Paranoid – Black Sabbath (Ricardo Confessori na bateria)

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Sobre Monica Fontes

Mônica Fontes - Carioca, nascida em 1968, vive no Rio de Janeiro e é tradutora de inglês e espanhol. Apaixonada por música, leitura e cinema, começou a ouvir rock aos 13 anos, já tendo presenciado grandes shows e eventos desse gênero. Além do rock, também se interessa por outros estilos, como o Pop e MPB. Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Pink Floyd, U2 e Guns N'Roses são algumas de suas bandas preferidas, sem deixar de prestigiar as excelentes bandas e artistas nacionais. Acessa o Whiplash há alguns anos e começou a colaborar por gostar de traduzir os diversos assuntos relacionados no site.

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