Resenha - Motorhead (Via Funchal, São Paulo, 18/04/2009)

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Por Marco Néo
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Lemmy é um "highlander". Só isso explica a vitalidade em cima do palco de um senhor com respeitáveis 63 anos, tocando diariamente em volumes insalubres para públicos ensandecidos ao redor do mundo sem o menor indício de que esteja cansado, sem nunca falar que vai se aposentar. Coisa de quem faz o que gosta.

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A noite em São Paulo começou estranha. Quem chegasse na porta do Via Funchal ouvia que o show iria começar com atraso. A justificativa era a de que a aparelhagem dos ingleses havia sido retida pela alfândega em São Paulo ou em Recife, dependendo da fonte. Fato é que a entrada do público, marcada originalmente para as oito da noite, somente ocorreu uma hora mais tarde. Paciência.

Contrariando as más notícias, contudo, pontualmente às dez subiu ao palco a banda de abertura, que em São Paulo foi o BARANGA, agradando com seu rock'n'roll aclamado pelos presentes. Era evidente a empolgação dos caras, dividindo o palco com uma de suas grandes influências, e eles aproveitaram a oportunidade com maestria. Depois de músicas como “O Céu é o Hell” e “Whiskey do Diabo”, certamente muitos ali que (infelizmente) não conheciam a banda ficaram com uma ótima impressão e vão pesquisar um pouco mais sobre esse grupo que merece maior repercussão na cena.

Terminado o show de abertura, mais alguma espera e, por volta de onze e quarenta da noite, mais uma vez sobe ao palco em São Paulo uma das bandas mais influentes da história do Metal. Iniciaram a mil por hora com “Iron Fist”, abertura já clássica dos shows do Motörhead, emendando com a “imexível” segunda música “Stay Clean”. Já com o público nas mãos, os ingleses mostraram duas mais recentes, “Be My Baby” e a aclamada “Rock Out”, que serviram como um crescendo para “Metropolis”, um dos vários pontos altos do show.

No decorrer, um fato curioso: Lemmy anunciou a quinta música, “Over The Top”, e... Nada! Com uma grande expressão de ponto de interrogação, o vocalista se virou pra trás e... Cadê o Mikkey Dee? Lemmy se desculpou com a platéia, dizendo que aquele dia estava trazendo “um desastre após o outro” e, com a manjada justificativa de problemas com a aparelhagem, solicitou um instante e foi, juntamente com Phil, pra trás do palco. O que aconteceu lá atrás ninguém viu, mas em questão de dois minutos o baterista estava de volta e a banda continuou sua apresentação.

De alguns anos pra cá o Motörhead tem demonstrado um renovado (e justo, diga-se) interesse pelo polêmico álbum “Another Perfect Day”. Desta feita, a música título e “I Got Mine” foram as apresentadas, para deleite dos fãs mais antigos. E aqui deve-se reconhecer que, depois de um início arrasador, o meio do show, com músicas mais novas e mais lentas, deu uma esfriada no público, que ainda assim foi bastante respeitoso com a banda, aplaudindo em todos os momentos, ainda que sem a mesma empolgação. Em meio a essa “queda de rendimento” tivemos o primeiro solo da noite, do subestimado guitarrista Phil Campbell, que abusou do wah-wah em uma performance que esbanjou melodia. Agora sim, aplausos efusivos.

E por falar em solos, era chegada a hora da já tradicional queda de queixo dos fãs: “In The Name Of Tragedy” trouxe o solo rápido porém destruidor do “melhor baterista do mundo” (palavras de Lemmy). E a destruição perpetrada por Mikkey Dee levantou de novo a temperatura do show, que dali pra frente só trouxe clássicos, uma seqüência triturante que começou com “Just ‘Cos You Got The Power” e seguiu com “Going To Brazil”, “Killed By Death” e terminou o show regulamentar com “Bomber”.

O bis começou com a já cativa “Whorehouse Blues”, em que Lemmy demonstra que carisma não é algo que se compra. O velhote não precisa mover um músculo pra ser o mais “cool” em cima do palco, ainda que o hiperativo Mikkey Dee faça tudo pra chamar a atenção. “Ace Of Spades” e “Overkill”, cuja introdução contou com a indefectível apresentação dos músicos, com Lemmy lembrando que já faz vinte e cinco anos que Phil Campbell está com a banda, terminaram de vez mais uma apresentação dos padrinhos de mais de metade dos subestilos aparecidos no Metal dos anos oitenta em diante.

Bom, quem foi pode constatar que, mais de trinta anos após sua formação, o Motörhead continua tão vital, empolgante e relevante quanto sempre. Um show sem maiores firulas, no qual a música está sempre em primeiro lugar, e um bandleader que é tão imortal quanto o estilo que representa de forma exemplar.

“Never forget us, we are Motörhead, and we play rock’n’roll”.

Motörhead – Via Funchal (São Paulo) – 18/04/2009

Iron Fist
Stay Clean
Be My Baby
Rock Out
Metropolis
Another Perfect Day
Over The Top
One Night Stand
You Better Run
I Got Mine
(Solo Phil Campbell)
The Thousand Names of God
In The Name Of Tragedy (Solo Mikkey Dee)
Just 'Cos You Got The Power
Going To Brazil
Killed By Death
Bomber
(Bis)
Whorehouse Blues
Ace Of Spades
Overkill

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Sobre Marco Néo

Nascido na primeira metade dos anos 70, teve seu primeiro contato com sons pesados quando o Kiss veio para o Brasil, em 83, mas não compreendeu bem o que era aquilo. A contaminação efetiva ocorreu um ano depois, quando conheceu Motörhead, Judas Priest, AC/DC, Iron Maiden. Desde então, tornou-se um apaixonado colecionador de tudo o que se refere a Metal e Rock'n'Roll, independentemente de subestilos.

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