Agua de Annique: a visceralidade na interpretação de Anneke

Resenha - Agua de Annique (Rio de Janeiro, 08/03/2009)

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Por Claudio Fonzi
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

A cidade do Rio de Janeiro, outrora MARAVILHOSA (com letras maiúsculas mesmo...) e amada e desejada por todos, não tem sido mais agraciada com a presença de todos os artistas internacionais que no Brasil aportam. No entanto, por alguma razão inexplicavelmente mágica, muitos dos shows nela ocorridos atingem um grau de emoção literalmente extraordinário e se transformam em uma ocasião absolutamente inesquecível para os felizes presentes.

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O nº de exemplos é enorme, mas entre alguns mais famosos estão NEIL YOUNG no Rock in Rio III, JAMES TAYLOR e IRON MAIDEN no Rock in Rio I, ROGER WATERS, ERIC CLAPTON E PAGE & PLANT na Praça da Apoteose, PAUL MCCARTNEY no Maracanã e GENESIS e RICK WAKEMAN no Maracanãzinho.

Não tão grandiosos, mas igualmente emocionantes, a lista seria maior ainda, mas alguns eternamente lembrados são EMERSON, LAKE & PALMER, ECHO & BUNNYMEN e JETHRO TULL no Canecão, ANNIE HASLAM no Scala, DEAD CAN DANCE no Imperator e LE ORME e BANCO DEL MUTTUO SOCCORSO no Garden Hall.

Os antenados com datas logo perceberão que todos estes já ocorreram há alguns anos, mas, recentemente, no dia 08 de março de 2009, aconteceu um com grau de emoção coletiva e felicidade individual perfeitamente comparáveis a qualquer um dos acima citados.

Foram apenas 200 presentes, mas, em nenhuma hipótese, tratou-se de um fracasso de bilheteria, pois o nº de ingressos disponíveis era exatamente esse. A intenção já era que fosse como uma festa intimista, pois, entre outras razões, era a feliz data de aniversário da estrela protagonista...

A ESTRELA

Foto: Cláudio Fonzi
Foto: Cláudio Fonzi

Seu nome é Anneke Van Giersbergen, holandesa, nascida em 08 de março de 1973 e que durante praticamente toda sua vida profissional foi estrela da banda também holandesa THE GATHERING.

Nesta iniciou-se ainda muito jovem, aos 21 anos e foi responsável direta pela enorme transformação sonora que a banda sofreu, não somente devido ao seu singular e envolvente timbre vocal, como também por ter participado da composição de praticamente todas as músicas e por ter escrito todas as letras.

Anteriormente, o THE GATHERING seguia uma linha bastante pesada e soturna, inicialmente em uma espécie de Death-Doom Metal e depois em uma espécie de Prog-Doom Metal, mas sempre baseada nos vocais masculinos.

Com a entrada de Anneke, logo no 1º álbum, o sensacional “Mandylion”, tudo mudou para um impressionante Gothic Metal Progressivo, ricamente melódico, com destaque para os agudos e viscerais vocais de Anneke, mas brilhante também na parte instrumental, com longas passagens repletas de guitarras e teclados. Com este trabalho obtiveram imediato sucesso e tornaram-se um dos grandes ícones do Rock Alternativo dos anos 90 e início dos 2000.

Neste período, o nome de Anneke também foi se tornando mais famoso e acabou sendo requisitada para participar de trabalhos de outros artistas. Entre eles, o mais espetacular é, sem dúvida, o mega-projeto “Into the Electric Castle” (1998), do grupo AYREON, onde, a despeito da participação de verdadeiras lendas do Progressivo como Thijs van Leer (FOCUS), Fish (MARILLION) , Clive Nolan (PENDRAGON, ARENA etc), Damian Wilson (RICK WAKEMAN, LANDMARQ etc), Tom Scherpenzeel (KAYAK) ou a “concorrente” Sharon den Adel (WITHIN TEMPTATION) era a voz celestialmente única de Anneke que se destacava.

Outras participações de destaque foram com as bandas JOHN WETTON & GEOFFREY DOWNES (2006), NAPALM DEATH (2006), FARMER BOYS (96), LAWN (97) e GLOBUS (2006). Como pode ser observado, 2006 foi um ano muito importante para ela e, unindo-se ao fato de ter recebido o prèmio de “Melhor Cantora Holandesa de 2005” (o “Devil Award”, mais importante prêmio da Música Pop holandesa), nada mais natural que percebesse que teria condições suficientes para caminhar sozinha. Dessa forma, já em 2007, anunciava sua saída para desenvolver carreira com uma nova banda – a AGUA DE ANNIQUE.

A rigor, esta banda é apenas uma base para seu trabalho solo, pois no 1º álbum todas as músicas são de sua autoria, o destaque vai todo para sua voz e até mesmo o nome do grupo se refere a ela. No entanto, foi uma medida bastante acertada, pois seria bastante perigoso jogar toda a responsabilidade desta “nova vida” apenas em si própria.

Rob Snijders. Foto: Cláudio Fonzi
Rob Snijders. Foto: Cláudio Fonzi

Além disso, há uma cumplicidade maior de seu marido, o baterista Rob Snijders, que, embora pouco destaque tenha na banda, é um músico de respeitável currículo, tendo atuado em vários campos musicais, desde o Erudito (onde recebeu elogios do Mestre Karlheinz Stockhausen) ao Rock tradicional (tocou com o guitarrista Snowy White, ex-THIN LIZZY e ROGER WATERS BAND), passando pelo Eletrônico (com a inovadora banda KONG) e o Metal (a conhecida CELESTIAL SEASON) e Pop Rock (c/ o grupo MERRY PIERCE). Até mesmo sua banda particular, a SECRETS OF NAPOLEON, lançou interessante e elogiado trabalho de Rock Alternativo (o album “Yearning Man”), onde, além de vários convidados, participam todos seus colegas de AGUA DE ANNIQUE (inclusive a própria Anneke).

Os demais membros da AGUA DE ANNIQUE não possuem grande currículo, mas são igualmente talentosos: São o baixista e vocalista Jacques De Haard e o guitarista e vocalista Joris Dirks.

O NOME

Uma grande curiosidade que logo surgiu quando foi divulgado o nome da nova banda foi PORQUE era um título em português e de onde ele teria sido inspirado:

Anneke então esclareceu que a ideía original era "Anneke´s Water", escolhido devido a sua paixão pela "água", pela fluidez, leveza e pureza que ela tão bem representa. A sonoridade, no entanto, não a agradava 100%, mas, a partir dos maiores contatos com a lingua portuguesa (principalmente a partir da amizade com os músicos do MOONSPELL), foi sugerido o título traduzido e ela imediatamente o aprovou.
Realmente, foi uma idéia bastante acertada, pois não somente proprocionou à banda uma identidade "única" como também facilita a que todos saibam como se pronuncia corretamente o nome dela... hehehe

Logo em 2007 lançaram o álbum “Air”, bem semelhante ao estilo do THE GATHERING, o que de certa forma era até previsível, mas sempre com o toque pessoal de Anneke. O CD foi bem recebido pelos fãs e ela permaneceu querida e requisitada pelo mundo do Rock. Em 2007 e 2008, participou de shows com os conterrâneos do WITHIN TEMPTATION e uma dessas performances está registrada no DVD “Black Symphony. Outras importantes participações em 2008 são nos CDs “01011001” do AYREON e “Night Eternal” da banda portuguesa MOONSPELL.

Ainda em 2008 foi anunciada a sua vinda com a banda ao Brasil e com o lançamento do belíssimo CD de regravações acústicas “Pure Air” no início de 2009, não havia dúvida que momentos inesquecíveis estavam por vir...

O SHOW

Foto: Júli Jansen
Foto: Júli Jansen

A turnê brasileira iniciou-se na véspera, na cidade de São Paulo, em local maior (o “Hangar 110” e com banda de abertura (a curitibana FAKE TWILIGHT) mas tudo indicava que a noite carioca seria mais “quente”, não somente por se tratar de uma casa pequena e aconchegante, como também pela data ser, nada mais nada menos, que a de aniversário da estrela.

Foto: Cláudio Fonzi
Foto: Cláudio Fonzi

Dessa forma, a empolgação e expectativa dos fãs era imensa, não somente em como presenteariam a aniversariante, como também em relação ao repertório a ser executado, pois a casa escolhida (a lendária “Mistura Fina”) sempre foi dedicada ao Jazz e Música Instrumental em geral, com a platéia assistindo confortavelmente em mesas.

Então, chegou a ser imaginado que o formato utilizado fosse ser essencialmente acústico e que a aproximação entre Anneke e público viesse a ser mais dificultada. No entanto, em relação à casa, tudo foi diferente, a começar pelo seu próprio nome, que, surpreendentemente havia mudado na véspera para “Posto 08” e chegou a confundir alguns desavisados. Internamente, porém, tudo que se viu foi perfeito, a descontração e liberdade foram totais, o repertório foi inteligentemente diversificado e os fãs mais apaixonados puderam, literalmente, ficar colados no palco.

Foto: Júli Jansen
Foto: Júli Jansen

O comportamento geral foi admirável, em paz e educação exemplares, até mesmo nas músicas mais pesadas. A tranqüilidade era tanta que boa parte do público pôde assistir o show sossegadamente em pé nas cadeiras. Os flashes piscavam a cada momento e juntamente com as filmadoras, captavam todos os movimentos e emoções que no palco aconteciam. Felizmente muitos desses registros podem ser relembrados e vivenciados no Universo Livre da Internet.

O repertório foi 60% baseado no álbum “Air”, com 9 músicas executadas. Os outros 40% foram divididos em 2 felizes lembranças dos tempos de The Gathering, mais duas inéditas que serão lançadas no novo CD e três covers de artistas diversos. Todas soaram maravilhosamente bem, com a platéia cantando o tempo todo, mas quatro foram particularmente espetaculares:

- A magnífica “Beautiful One”, que brilhantemente abre o CD “Air” e mostra definitivamente o seu talento como compositora e a fenomenal vocalista que é. Suas incríveis variações tímbricas e de volume, aliadas à visceralidade no interpretar, transformam o que poderia ser uma simples canção romântica em um lindo e cortante diamante.

Foto: Thiago Novaes
Foto: Thiago Novaes

- As baladas “Day After Yesterday” e “Sunken Soldiers”, ambas de “Air” e com Anneke ao piano. Além da beleza das músicas em si, entre elas aconteceu o momento de maior descontração da noite, quando foi celebrado o aguardado “Happy Birthday”, com direito ao canto da platéia, a chapeuzinhos e bandeirinhas, e a um adorável bolo com duas velas formando o nº 36.

Foto: Júli Jansen
Foto: Júli Jansen

- A fantástica “Scorpions Flower”, cover da banda MOONSPELL e mais pesada e energética da noite. Mais uma onde Anneke impressiona pela versatilidade, comprovando que também pode interpretar com perfeição músicas de “Peso Metálico”. Tal capacidade foi mostrada também em “Digging the Grave”, cover do Faith no More.

- A super-emocionante versão acústica de “My Electricity” (do clássico “How Measure a Planet”, do THE GATHERING), com Anneke solitária ao violão, mas apaixonadamente acompanhada por quase 200 vozes. Claramente encantada com tal energia, deixou-se levar por ela e soltou a voz como só alguém com “Your Electricity” conseguiria.

Para os que lá não estiveram presentes, existem vários vídeos no YouTube que bem demonstram o calor da noite, mas alguns links de maior destaque seguem abaixo:

"My Electricity":

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"Beautiful One"

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"Day After Yesterday" + "Birthday Cake":

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"Scorpion Flower":

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Ao final da emocionante apresentação, a grande maioria das pessoas permaneceu na casa, esperançosa de vê-la novamente, pegar um autógrafo ou simplesmente trocar um sorriso. Para felicidade geral, Anneke voltou e, apesar do intenso desgaste a que havia sido submetida, atendeu com total atenção e cativante simpatia a cada um que dela se aproximava.

Finalizava então uma noite inesquecível para todos e demonstrava definitivamente como um “Deus no Palco” pode ser “Humano na Terra”, sem qualquer tipo de arrogância ou preconceito.

Foto: Thiago Novaes
Foto: Thiago Novaes

A PRODUÇÃO

Tudo se iniciou em 2007, quando a gravadora paulista Overload Records fechou acordo para lançar no Brasil o CD "Air". No ano seguinte, quando a banda começou a planejar uma tour latino-americana, foi natural a oferta de se apresentarem também no Brasil. Curiosamente, a data definida para os shows em SP e RJ começou a ser divulgada justamente na véspera de Natal, em um legitimo presente para os fãs.

A Overload Records foi criada em 2005 por Gustavo Garcia e Lucas Novaes, com a finalidade de lançar o CD "Pure Impressions" da banda carioca de Prog Metal DEAD NATURE. A partir daí, lançaram no Brasil os seguintes títulos em CD:

ANTIMATTER - "Lights Out / Saviour" (duplo) – (Inglaterra)
MERCENARY - "11 Dreams" (Dinamarca)
X RAPTOR - "God From the Machine" (Brasil -SP)
MERCENARY - "The Hours that Remain" (Dinamarca)
STRAPPING YOUNG LAD - "The New Black" (Canadá)
DEREK SHERINIAN - "Blood of the Snake" (EUA)
KAMALA - "Kamala" (Brasil - SP)
ATLANTIS 1001 - "The Memory Mirror" (Itália)
AGUA DE ANNIQUE - "Air" (Holanda)

Em 2007 aventuraram-se também na área de shows, sempre na área do Metal, já tendo realizado eventos com artistas nacionais e internacionais. Suas maiores ações nessa área foram a tour brasileira da banda norte-americana CIRCLE II CIRCLE em 2008, o show dos ícones alemães de Thrash Metal do SODOM em Campinas no mesmo ano, e agora essa mini-tour do AGUA DE ANNIQUE, onde no show carioca foram muito auxiliados por Rodrigo Simas.

Empresas como essa devem ser incentivadas em todos os sentidos, não somente pela grande coragem que se deve ter para atuar na área de shows internacionais de Rock, como também por se dedicarem a produção e lançamento de CDs, em uma época onde milhões de pessoas acham que “música gravada não vale nada para se pagar algo por ela”.

A banda com Lucas Novaes. Foto: Thiago Novaes
A banda com Lucas Novaes. Foto: Thiago Novaes
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Sobre Claudio Fonzi

Nasceu em Petrópolis (RJ), em 22 de março de 1964. É Produtor Fonográfico (Som Interior Produções Artísticas) desde 1988, Programador Musical (produziu por 4 anos o programa Tribuna Progressiva, além de ter exercido por 18 meses a função de Programador Geral da emissora Tribuna FM), Produtor de shows e eventos nacionais e internacionais (entre eles, em 1997, a 1ª turnê brasileira da "Voz do Renaissance" - a cantora inglesa Annie Haslam) e comerciante de discos (proprietário da Renaissance Discos desde 1993). Além disso, publica artigos e resenhas desde 1997, em veículos variados, tais como o jornal Metamúsica (Campos - RJ), o jornal Culturarte (Petrópolis - RJ), a revista Poeira Zine (São Paulo - SP) e diversos websites e foruns de discussão.

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