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Focus no Brasil / Mais uma lenda do progressivo aqui se apresenta

Por Claudio Fonzi
Em 22/05/03

Os últimos anos tem sido extremamente pródigos para os fãs brasileiros de Rock Progressivo, pois tem se apresentado aqui boa parte dos maiores ícones do gênero. A despeito de 2 desses ícones (GENESIS e RICK WAKEMAN) terem realizado shows antológicos ainda nos anos 70, a esperança de outros comparecerem parecia se resumir a um simples e delirante sonho, pois tratavam-se de eventos de alto custo e restrito apoio da mídia.

Após um breve suspiro em 1981, com a 2ª temporada de Rick Wakeman, a grande reviravolta se iniciou em 1985, quando aqui aportou o YES, que, mesmo relativamente desfigurado, realizou 2 maravilhosos e emocionantes shows no megafestival Rock in Rio. Seu sucesso foi tão grande que proporcionou com que retornassem pelo menos mais 3 vezes, sempre com casas lotadas.

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Foto: Demian B. Bertozzi
Foto: Demian B. Bertozzi

Posteriormente, os astros do JETHRO TULL fizeram muito-bem sucedida turnê brasileira em 1988. Novamente, seu sucesso foi tão grande que acarretou seu retorno por rmais 3 vezes.

Em 1988, no Festival Hollywood Rock, veio o megapopular SUPERTRAMP, com seu Prog-Pop de primeira linha. Apesar do grande sucesso, muitos sentiram falta da voz e do talento instrumental de um de seus fundadores, o vocalista e guitarrista ROGER HODGSON. Dez anos depois, porém, essa lacuna foi preenchida, com a sua vinda em magníficos shows solo, onde executou as obras esquecidas pela banda.

Em 1991 foi a vez do infernal trio EMERSON, LAKE & PALMER, que realizou alguns dos mais extraordinários shows já ocorridos no país. Mais uma vez, o sucesso foi total e permitiu com que retornassem para mais uma excelente temporada em 1997.

Foto: anniehaslam.cjb.net
Foto: anniehaslam.cjb.net

Assim sendo, os shows Prog foram se sucedendo, com a presença de muitos outros expoentes, tais como STEVE HACKETT, MARILLION, RICK WAKEMAN e ALAN PARSONS (todos por 2 vezes) e da "Eterna Musa do Rock progressivo", a cantora ANNIE HASLAM, cuja 1ª turnê, em 1997, obteve um sucesso tão estrondoso que provocou seu retorno por mais 2 vezes em apenas 3 anos.

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A partir de 1996, porém, o cenário se tornou mais iluminado do que nunca, com o 1º Rio Art Rock Festival, que, dedicando-se aos artistas menos famosos, trouxe de cara os húngaros do SOLARIS e os franceses do MINIMUM VITAL. Nos anos seguintes, vieram os mais variados representantes do prog underground, tais como os suecos do PÄR LINDH, FLOWER KINGS (este por 2 vezes) e do ANEKDOTEN, os poloneses do ANKH e do QUIDAM, os chilenos do TRYO e do AKINETÓN RETARD, os argentinos do NEXUS, os ingleses do PENDRAGON e os franceses do XANG até desembocarem nas verdadeiras lendas-vivas do Progressivo dos ingleses do CAMEL e dos italianos do LE ORME e do BANCO.

Dessa forma, após tantos e tantos shows históricos, seria difícil imaginar um ano que pudesse superar aos anteriores. Inacreditavelmente, o ano de 2002 conseguiu essa façanha, com as hiper-históricas apresentações dos extraordinários ROGER WATERS (representando o expoente máximo do Progressivo - o PINK FLOYD), dos canadenses do RUSH e dos holandeses do FOCUS.

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Como os 2 primeiros já foram suficientemente descritos neste site, dedicaremos esse artigo ao FOCUS, lendária banda setentista, extinta há mais de 25 anos (houve apenas um insignificante e efêmero retorno em 1982) e que julgava-se jamais retornaria aos palcos.

Pois bem, não somente retornaram, como o fizeram brilhantemente rejuvenescidos e com uma qualidade técnica admirável. Tal qualidade foi totalmente reconhecida pelos fãs brasileiros, que ao lotarem todos os 3 shows da turnê obrigaram com que a banda retornasse menos de 4 meses depois para nova temporada de sucesso.

Foto: Paulo H.Leocádio
Foto: Paulo H.Leocádio

Apesar de contarem com apenas um de seus integrantes originais (o que gerou grande desconfiança no período pré-shows), descobriu-se na prática que este era o único realmente insubstituível. Trata-se do tecladista (nos shows brasileiros restringiu-se ao orgão Hammond, mas também é um excelente pianista e tecladista em geral), flautista, cantor e compositor THIJS VAN LEER.

Van Leer é simplesmente um dos maiores prog-show-man que já se viu, com extraordinária capacidade de improvisação e pura simpatia. A despeito de seus mais de 50 anos de idade, tem o fôlego de um jovem de 20, não somente no palco como fora dele, tendo sido responsável por inúmeras situações curiosas nos períodos que no Brasil esteve.

Quanto aos shows em si, coloquemos os seguintes detalhes:

- DATAS:

Em 2002, as datas e cidades foram de 06/11 no Rio de Janeiro, 07/11 em Macaé (juntamente com a banda polonesa QUIDAM), 08/11 em São Paulo e 12/11 em Belo Horizonte.

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Em 2003 foram 14/03 em S. Paulo, 19/03 no Rio de Janeiro, 21/03 em Belo Horizonte e 23/03 em Porto Alegre.

- INTEGRANTES:

Em todas as apresentações, TVL foi acompanhado pelo excelente guitarrista JAN DUMÉE (que executou magistralmente a difícilima tarefa de substituir o ícone Jan Akkerman), pelo baixista BOBBY JACOBS e pelo baterista BERT SMAAK.

- REPERTÓRIO:

Nos shows de 2002, o repertório foi executado em ordem cronológica, iniciando-se com a belíssima "Focus (instrumental)", de seu 1º album e passando pela maioria de suas obra-primas, tais como "Eruption" (infelizmente bastante encurtada), "House of the King", "Focus II", "Focus III" e "Sylvia", além do seu clássico-mor, a fantástica e energética "Hocus Pocus".

Nos shows de 2003, a ordem das músicas foi semelhante, mas com intercalação de composições do novo disco (intitulado "Focus 8"), executadas em menor número nos shows anteriores.

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Em termos gerais, o repertório agradou a todos. Houve, porém, visível decepção ao final dos shows de 2003, quando verificou-se a eliminação da belíssima "Focus IV" e a não-inserção de diferentes composições setentistas, particularmente a suíte "Hamburger Concerto" (para mim e para muitos, a obra-prima da banda) e as músicas "Birth", "Love Remembered" e "Janis"

Foto: Paulo H.Leocádio
Foto: Paulo H.Leocádio

- AS PERFORMANCES:

Em termos da guitarra de Dumée e do Hammond de Van Leer, nada a reclamar, pois ambos foram excelentes em todos os shows, com ligeiro aumento da qualidade dos solos de Dumée nos shows de março.

Em termos de baixo e bateria, ambos foram muito bem, com maior destaque nos shows de março.

Em termos de flauta, infelizmente, somente os felizardos que assistiram aos shows de 2002 é que puderam se deleitar com as atuações de TVL, pois, devido a grave problema de paralisia facial, ele não pôde executá-la posteriormente.

Fêz-se então uma curiosa substituição, com as partes de flauta sendo executadas, por ele mesmo, na escaleta, que, apesar de terem ficado interessantes, modificaram demasiadamente a sonoridade original.

No caso da música "House of the King" (que é totalmente dirigida pela flauta transversa), felizmente, tomou-se uma atitude mais eficiente para solucionar a questão, tendo sido convidados 2 flautistas brasileiros (e mais um bandolinista), que realmente sairam-se bem na execução e, principalmente, no clima festivo que proporcionaram.

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Em termos vocais, foram muito bem na sonoridade geral, mas individualmente falando, foram a grande decepção, pois TVL não mais tem o alcance necessário e boa parte deles teve de ser feita por Dumée.

Essa triste limitação de TVL pôde ser radicalmente constatada nas apresentações da celestial "Les Cathedrales de Strasbourg", principalmente no show de Macaé em 2002 e no do Rio em 2003, quando as falhas foram tais que provocaram mudanças no andamento e até a redução do tempo de execução.

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- O NOVO DISCO:

Um dos maiores temores do público era a qualidade do novo CD, pois a maioria dos novos lançamentos de antigas bandas Progressivas tem sido absolutamente lastimável. Felizmente, esse não foi o caso de "Focus 8", concebido e executado no estilo clássico da banda e repleto de belas melodias.

- AS BANDAS DE ABERTURA:

Como se sabe, a questão de shows de abertura é sempre complexa, pois 99% do público vai ao local para ver a atração principal e a presença de outro show pode agir de forma favorável ou não.

Dessa forma, a escolha do estilo de tais artistas deve ser sempre vinculada ao da atração principal e, acima de tudo, a duração do espetáculo deve ser reduzida e direcionada exclusivamente à parte musical.

Arion
Arion

Pois bem, tais exigências foram bem executadas pelas bandas ARION (em BH) e AETHER (em 2003 no Rio) e razoavelmente pelas bandas VIOLETA DE OUTONO (de qualidade indiscutível, que já são consagrados no meio roqueiro paulista, pecando apenas por seguirem um repertório mais voltado para o pop-gótico-psicodelico em detrimento do puro e simples Progressivo) e POÇOS & NUVENS (em Porto Alegre).

No 1º show de 2002, porém, a banda PROJETO CALEIDOSCÓPIO fêz tudo o que NÃO se deve fazer em um show de abertura internacional, provocando com isso as mais exaltadas e constrangedoras reações da platéia.

Para começar, o estilo da grande maioria das composições não segue a linha progressiva, devendo ser enquadrada apenas como MPB. A partir daí, já seria fácil esperar o insucesso, mas, além disso, prolongaram excessivamente o tempo da apresentação, tanto em quantidade de músicas, quanto em períodos de fala com o público, chegando ao cúmulo de prolongar o "espetáculo" por intermináveis minutos em um monólogo de interesse para apenas 0,1% dos presentes.

Como resultado, viu-se então uma das mais humilhantes e sonoras vaias já ocorridas em um show Progressivo, público normalmente comportado e respeitador.

O FUTURO

Como vimos no início desse artigo, a maioria dos grandes ícones Progressivos já se apresentou por aqui. Resta-nos então sugerir (e sonhar) aos produtores alguns nomes não tão consagrados, mas de indiscutível qualidade e capazes de atrair um público pelo menos razoável:

Foto: disciplineglobalmobile.com
Foto: disciplineglobalmobile.com

- KING CRIMSON: Em termos de banda, é o único grande expoente Prog cujas músicas jamais foram apresentadas aqui. Deve ser exigido no contrato, porém, que o repertório inclua pelo menos 60% de músicas dos anos 70, pois as atuais nem de longe deixariam felizes os fãs. Certamente lotarão qualquer show de médio porte;

- MIKE OLDFIELD: Um dos maiores gênios do Progressivo e da música moderna, teve um mega-sucesso nos anos 70 - o disco "Tubular Bells". Com uma longa e estável carreira (incluindo diversos lançamentos nacionais), certamente será um sucesso onde quer que se apresente;

- TANGERINE DREAM: Considerado pela maioria como apenas um grupo de Música Eletrônica, eles certamente tem os pés bastante enraizados no Progressivo. Extremamente populares no seu estilo e com vários discos lançados por aqui, é um verdadeiro mistério nunca terem se apresentado no Brasil;

- PREMIATA FORNERIA MARCONI: Mais popular grupo italiano, após muitos anos de carreira de baixa qualidade, finalmente retornou ao estilo progressivo. Tem realizado shows de altíssimo nível e estão fortemente cotados para se apresentar no Rio Art Rock de 2003;

- NEKTAR: Pouco conhecidos hoje em dia, mas muito populares no Brasil dos anos 70, certamente serão bem-sucedidos em shows de média proporção. Também estão cotados para se apresentar no Rio Art Rock de 2003;

- ELOY: Um dos mais populares grupos alemães, parece que não estão atuantes no momento. Apesar disso, uma sondagem merece ser feita, pois serão sucesso em qualquer lugar que se apresentarem;

Foto: kansasband.com
Foto: kansasband.com

- KANSAS: Apesar de alguns dizerem que eles já se apresentaram no Brasil, eu respondo dizendo que o que aconteceu em Jaguariúna foi um dos maiores absurdos já vistos em toda história do show-business, pois, simplesmente, NINGUÉM foi por que NINGUÉM ficou sabendo. Além do mais, com a fama e número de hits que o Kansas tem, certamente lotarão qualquer casa de média porte que se apresentarem;

- IQ: Um dos mais importantes nomes do chamado Movimento Neo-Progressivo possuem cacife para fazer sucesso em apresentações por Rio e S. Paulo;

- HAWKWIND: Apesar de terem um público reduzido, foram importantíssimos na historia do Rock, seja na linha progressiva, psicodélica ou do hard. Como tocam por puro por prazer, o custo para trazê-los deve ser muito pequeno, o que viabilizaria shows de pequeno porte nas grandes cidades;

- GRUPOS ALEMÃES: Juntamente com os ingleses, os alemães representaram o país onde Progressivo mais se difundiu, tendo gerado uma infinidade de bandas. A maior parte delas já se extinguiu, mas muitas retornaram ou podem retornar. Entre as muitas que existiram (algumas estão na ativa), destaco as de maior possibilidade de público, que seriam TRIUMVIRAT, GROBSCHNITT, JANE, NOVALIS, ANYONE'S DAUGHTER, EPITAPH, BIRTH CONTROL e FRUMPY.

Assim, encerro esse artigo por aqui e aguardem, para muito breve, a finalização do artigo "Lançamentos Progressivos de 1972".

Cláudio Fonzi

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Sobre Claudio Fonzi

Nasceu em Petrópolis (RJ), em 22 de março de 1964. É Produtor Fonográfico (Som Interior Produções Artísticas) desde 1988, Programador Musical (produziu por 4 anos o programa Tribuna Progressiva, além de ter exercido por 18 meses a função de Programador Geral da emissora Tribuna FM), Produtor de shows e eventos nacionais e internacionais (entre eles, em 1997, a 1ª turnê brasileira da "Voz do Renaissance" - a cantora inglesa Annie Haslam) e comerciante de discos (proprietário da Renaissance Discos desde 1993). Além disso, publica artigos e resenhas desde 1997, em veículos variados, tais como o jornal Metamúsica (Campos - RJ), o jornal Culturarte (Petrópolis - RJ), a revista Poeira Zine (São Paulo - SP) e diversos websites e foruns de discussão.

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