Moody Blues: "Days Of Future Passed", marco na história do Rock
Resenha - Days Of Future Passed - Moody Blues
Por Claudio Fonzi
Postado em 26 de novembro de 2000
Neste mês de Novembro, estão sendo comemorados 33 anos de lançamento de um LP que tornou-se um verdadeiro marco na história do Rock. É o album "Days Of Future Passed", do grupo inglês "The Moody Blues".
Seu valor histórico reside no fato de ter reunido, pela 1ª vez, uma série de características que se tornaram marcantes na definição de um novo estilo musical. Tal estilo recebeu o nome de "Rock Progressivo", e foi definido pela Imprensa Britânica como o "Encontro da sofisticação e lirismo da Música Erudita (particularmente a Romântica) com a energia e simplicidade da Música Jovem Moderna (o bom e velho rock'n roll)".
Com arranjos e melodias incrivelmente belos, este álbum representa até hoje uma das mais perfeitas fusões entre estes dois estilos (particularmente, na obra-prima "Nights In White Satin").
Concebido inicialmente para ser apenas uma releitura da "Sinfonia do Novo Mundo" de Dvorak, "Days Of Future Passed" acabou se constituindo em uma obra absolutamente inédita. A composição das partes orquestrais (executadas pela "London Festival Orchestra") ficou a cargo do Maestro Peter Knight e a das partes "rock" ficaram a cargo dos membros da banda.
Nesta época, os Moody Blues eram constituídos por 5 integrantes: os fundadores Mike Pinder (teclados e vocais), Ray Thomas (flauta e vocais) e Graeme Edge (bateria e vocais), além dos recém-chegados Justin Hayward (guitarras e vocais) e John Lodge (baixo e vocais), sendo que, com exceção de Pinder, todos a integram até hoje.
Além da fundamental questão da fusão musical Erudito-Rock, "Days Of Future Passed" possuiu as seguintes características adicionais:
- Todo o processo de concepção foi realizado como sendo de um disco de Música Erudita, com o resultado final apresentando um único tema (o chamado "disco conceitual", estilo extremamente incomum na música popular da época) e com todas as faixas interligadas entre si, fazendo com que cada lado do LP soasse como tendo uma única música;
- Grande quantidade de mudanças de ritmo, geradas não somente pelas alternâncias orquestra/banda, como também pelos diversos solos instrumentais (geralmente flauta e teclados) e pelo próprio processo de interligamento citado acima, que tornou-se tão complexo, que foram criadas diversas subdivisões dentro de determinadas faixas.
Para melhor compreensão dessa questão, observemos a relação das músicas:
1 - THE DAY BEGINS (5:45)
2 - DAWN: Dawn Is A Feeling (3:50)
3 - THE MORNING: Another Morning (3:40)
4 - LUNCH BREAK: Peak Hour (5:21)
5 - THE AFTERNOON (8:25)
a) Forever Afternoon (Tuesday?)
b) Time To get Away
6 - EVENING (6:39)
a) The Sun Set
b) Twilight Time
7 - THE NIGHT (7:41)
a) Nights In White Satin
b) Late Lament
- Presença de 3 faixas de longa duração, em uma época onde o máximo que se via era a presença de 1 ou 2 acima de 6 minutos.
- Presença abundante de teclados, com destaque absoluto para o famosíssimo Mellotron, instrumento que tornaria uma das mais belas marcas registradas do período 67-75. Capaz de reproduzir os timbres das Seções de Cordas, Sopros e Vozes de uma orquestra, o Mellotron (nome criado a partir do termo "Melody Eletronic") teve em Mike Pinder seu mais importante divulgador. Durante os 18 meses em que trabalhou na Streectly Electronics (única fábrica a produzí-lo), Pinder aprendeu tudo sobre seu mecanismo e chegou a fazer diversos aperfeiçoamentos. Além disso, foi o responsável pela sua apresentação aos Beatles, que logo se apaixonaram e o utilizaram pela 1ª vez ao gravarem a belíssima "Strawberry Fields Forever", canção que acabou se transformando no maior de todos os hits do instrumento.
- Foi fundamental para o Movimento Progressivo como um todo, pois obteve aceitação imediata e esteve 2 anos entre os LPs mais vendidos da Billboard. Foi relançado em 1972 e conseguiu novamente a façanha de obter o Disco de Ouro na Inglaterra e nos EUA, com o detalhe de que os singles "Nights In White Satin" e "Tuesday Afternoon" também obtiveram expressivas vendagens.
Coroando esta belíssima história, "Nights In White Satin" foi escolhida em 1999 para se integrar ao "Hall Of Fame" da National Academy of Recording Arts and Sciences (que é, nada mais nada menos, que a Academia que escolhe os ganhadores dos Grammys), honraria só concedida às gravações de 25 anos de idade (ou mais) e que possuam reconhecida importância histórica.
Finalizando esta homenagem, lembremos que, posteriormente, os conceitos de "Progressive Rock" sofreram muitas modificações e se ampliaram enormemente, mas que sem os Moodies, a história, provavelmente, teria sido outra...
Sobre esta coluna...
O título desta coluna é uma homenagem a um fato que marcou profundamente minha vida, e que, apesar de não ter se concretizado, gerou quase tudo que ocorreu posteriormente em minha vida profissional. A época era a menos propícia para o Progressivo (meados dos anos 80), mas, apesar disso, fui convidado para realizar um dos maiores sonhos de infância, que seria o de produzir um Programa radiofônico específico desse estilo.
Era a Rádio Melodia FM, a mais importante emissora petropolitana na época, que estava pretendendo modificar sua grade de programação e se dedicar às diversas correntes do rock e MPB. Ainda muito jovem, me vi emocionado desde a 1ª vez que lá entrei e tive contato com aqueles fantásticos equipamentos de audio que só conhecia de fotografias...
A seguir, escolhi minha equipe de co-produção e de locução e iniciamos as gravações, pois a Direção exigia um mínimo de 4 programas gravados antes de sua ida ao ar. Infelizmente, diversos problemas foram ocorrendo até que recebi a mais triste das notícias: a emissora havia sido arrendada para uma Igreja e todos os projetos estavam sendo cancelados. Dessa forma, desfez-se tragicamente um novo Horizonte que se abria para o Progressivo...
Apesar disso, a paixão era tanta que manteve-se incólume, e hoje, mais de 16 anos depois, aqui estou, prosseguindo nessa maravilhosa Estrada Progressiva.
Horizonte Progressivo
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