John Lawton: resenha e fotos de show no Rio de Janeiro

Resenha - John Lawton (Rio de Janeiro, 15/02/2009)

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Por Claudio Fonzi
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

O dia 15 de fevereiro de 2009 ficou marcado para os fãs cariocas de Hard Rock, quando, pela 1ª vez na cidade, apresentou-se o excelente vocalista inglês JOHN LAWTON, ex-integrante das lendárias bandas URIAH HEEP, LUCIFER´S FRIEND e ASTERIX.

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Nascido em 11 de Julho de 1946 e com cerca de 40 anos de carreira, Lawton participou também de importantes projetos, além de carreira solo.

Abaixo seguem alguns de grande relevância:


- LES HUMPHRIES SINGERS, o multi-facetado grupo Gospel que, embora formado na Alemanha, reunia toda uma série de vocalistas de diferentes etnias, de origem européia, norte-americana, caribenha e asiática.

John participou de 1971 a 76, justamente o período que a banda obteve grande sucesso, particularmente na Alemanha, Áustria e Suiça.


- THE BUTTERFLY BALL: Interessantíssimo projeto de Roger Glover, baixista do Deep Purple, foi lançado em 1974 e reuniu toda uma série de astros (do presente ou que posteriormente se tornariam) para gravar uma obra totalmente diferente do estilo normal seguido em suas carreiras.

Dessa forma, elementos como Glenn Hughes, David Coverdale, Ronnie James Dio, Tony Ashton, John Gustafson, Mike Giles e Eddie Jobson estiveram presentes no mesmo trabalho que Lawton, o que certamente deve ter sido muito enriquecedor, pois ele ainda não havia se tornado o líder vocal do Uriah Heep e sua fama era, basicamente, restrita aos terrenos germânicos.


- THE HENSLEY–LAWTON BAND: Quase uma nova encarnação do Uriah Heep, este grupo contava com John Lawton, mais 2 dos seus fundadores, o fenomenal tecladista, guitarrista e vocalista Ken Hensley e o baixista Paul Newton.

Formada para se apresentar em 6 de maio de 2000 na grande convenção de heepfãs, a inglesa Heepvention, realizada em Londres, com a boa acolhida, acabaram decidindo prosseguir. Excursionaram por vários países europeus até partirem para novos horizontes em meados de 2001.

Como legado, deixaram o CD ao vivo “The Retun” e o VHS “Salisbury Live in Concert”, este gravado em um dos últimos shows da banda, em 12/05/2001 na Alemanha.


- OUTROS PROJETOS: No decorrer dos anos, John Lawton gravou discos-solo e com diferentes bandas, tais como Rebel, Zar, Gunhill, The Lawton Dunning Project até desembocar na atual OTR- On The Rocks, com o ex-guitarrista do Focus Jan Dumeé e lançar o CD “Mamonama” em 2008.

Como grande curiosidade para os fãs brasileiros, parte deste CD foi gravada no Rio de Janeiro e os outros membros da banda são igualmente brazucas: o tecladista Marvio Ciribelli, o baixista Ney Conceicao e o baterista Xande Figueiredo.

AS BANDAS QUE O CONSAGRARAM

Como citado no início, John Lawton participou de 3 bandas essenciais para os fãs do Hard Rock setentista: uma obscura, uma relativamente famosa e uma mundialmente famosa e verdadeiro expoente do gênero.

A obscura é alemã, chama-se ASTERIX e gravou apenas um disco, em 1970. Apesar da excelente qualidade do material, o sucesso não apareceu e logo decidiram mudar de nome para LUCIFER´S FRIEND. Esta, para muitos, é a melhor banda de Hard Rock alemã da 1ª metade dos 70, de nível comparável à maioria das concorrentes inglesas e americanas.


Com eles Lawton, gravou os cinco 1ºs e melhores álbuns: “Lucifer's Friend” (70), “Where the Groupies Killed the Blues” (72), “I'm Just a Rock & Roll Singer” (73), “Banquet” (74) e “Mind Exploding” (75).

Com o sucesso desta banda e através das suas elogiadas performances, acabou sendo convidado, em meados de 1976, para integrar o ícone britânico URIAH HEEP, com nada mais nada menos que uma das mais difíceis missões humanas a cumprir...

Teria que substituir “apenas” uma das mais brilhantes, emotivas e completas vozes da história do Rock e, pra piorar, outro astro também havia saído da banda, o baixista e vocalista John Wetton. Para fechar o muro de dificuldades, a época já prenunciava que o Rock não seria mais “a bola da vez” para as rádios e gravadoras.

Dessa forma, inevitavelmente, o estilo da banda mudou, pois, na verdade, a qualidade das composições já não andava bem das pernas (vide os irregulares discos "Return to Fantasy" e "High and Mighty") e tais fatos acabaram efetivamente sendo prejudiciais para os antigos fãs.

No entanto, apesar da pesada expectativa, o 1º álbum, “Firefly” (1977) é de boa qualidade e com bela capa e o choque acabou não sendo tão aterrorizante. O posterior, porém, chamado “Innocent Victim” (1977) alternava boas composições com outras pavorosas e, para os fâs ortodoxos, o futuro da banda deveria ser a extinção...

No entanto, em um daqueles fenômenos inexplicáveis, a canção “Free Me” tornou-se um grande sucesso radiofônico, que, aliada às boas performances da banda e de Lawton nos shows, gerou toda uma nova atenção ao grupo, tanto pela imprensa (que, na maior parte do tempo nunca fora generosa com eles...) quanto, principalmente, pelo público.

O sucesso na Inglaterra foi razoável, mas, em outros países europeus foi fantástico, com destaque absoluto para a Alemanha. Talvez estimulados pela presença do “quase” conterrâneo John Lawton, os germânicos amaram este álbum, tornando-o, até hoje, o mais vendido da história da banda. Proporcionaram também todo um interesse pelos trabalhos anteriores e conseguiram a incrível proeza de ocupar 3 singles ao mesmo tempo entre os Top 20 alemães. Além de “Free Me”, entraram na lista 'Wise Man' (do “Firefly”) e a inesperada reedição de “Lady in Black” (de “Salisbury”).

Estava então o Uriah Heep de volta ao panteão dos grandes nomes do Hard Rock, sendo convidados a participar da maioria dos festivais europeus, recebendo sempre grande destaque.

Indiscutivelmente, grande parte desse sucesso se deveu a presença de Lawton e, infelizmente, isso logo gerou tempestades internas, principalmente com Hensley, que via escorrer sua liderança, inclusive em termos composicionais, pois todos os membros já haviam se manifestado contra o seu excesso de composições e essa divisão iniciou-se em “Innocent Victim” e acentuou-se no álbum seguinte “Fallen Angel” (1978).


Assim sendo, poucos meses após seu lançamento, não houve jeito: O clima pesou e Lawton decidiu cair fora.

Durante vários anos, não foram lançados registros de shows dessa fase, mas, felizmente, em 1986, o resgate foi feito através do excelente “Live in Europe 1979” em CD e LP (edição dupla).

Posteriormente, em 07/12/2001, JL participou do histórico concerto “THE MAGICIAN'S BIRTHDAY PARTY”, com a formação da época e mais Ken Hensley como convidado. Este belíssimo evento aconteceu em Londres e foi lançado em CD e DVD no ano seguinte.

O SHOW – RIO DE JANEIRO 2009

A turnê brasileira se estendeu por 4 cidades:
*** São Paulo ***
Data: 12 de fevereiro - Local: Blackmore Rock Bar
Abertura: banda Jack Flash (Tributo a Rolling Stones)

*** Fortaleza ***
Data: 14 de fevereiro - Local: Hey Ho Rock Bar
Abertura: banda Joseph K?

*** Rio de Janeiro***
Data: 15 de fevereiro
Local: Espaço Marun

***Brasília***
Data: 16 de fevereiro
Local: Teatro dos Bancários
Abertura: banda Desce A Heepa (Uriah Heep Cover)

Como podemos observar, o Rio foi a única cidade a não ter banda de abertura, mas não houve problema, a casa pequena e o “clima” absolutamente Rock´n Roll eram propícios para os grandes momentos que aconteceriam.

Utilizando um interessante sistema para viabilizar turnês internacionais de vocalistas, John Lawton veio sozinho, pois seria acompanhado nos shows por músicos brasileiros.

Esse formato já foi utilizado aqui com outros famosos vocalistas, tais como Joe Lynn Turner (ex-Deep Purple e Rainbow), Tony Martin (ex-Black Sabbath) e Jimi Jamison (ex-Survivor).

Dessa forma, Lawton chegou apenas dois dias antes do 1º show. Fez apenas um ensaio com os músicos e a química mostrou-se perfeita.

O set list havia sido previamente definido por ele e os músicos DAVIS RAMAY (Guitarra), BRUNO SÁ (Teclados), ROBERTO BATATA (Baixo) e ANDRÉ ANDRADE (Bateria) mostraram grande talento e entrosamento.

Encaixaram-se com perfeição em todos os momentos e pelo virtuosismo em seus momentos solistas.

O repertório mostrado foi bem planejado, cobrindo algumas das principais composições do Uriah Heep fase Byron, as principais da fase Lawtoniana, a mais famosa do Lucifer´s Friend e uma da sua fase solo.

As músicas foram:

URIAH HEEP: “Hanging Tree”, “Stealing”, “Free'N'Easy”, “The Wizard”, “Come Back To Me”, “Lady In Black”, “Wise Man”, “Easy Livin'”, “July Morning”, “Free Me” e “Sympathy”

SOLO: “Still Paying My Dues (For The Blues)”

LUCIFER´S FRIEND: “Ride The Sky”

Infelizmente, no show carioca, duas músicas foram retiradas do repertório: "Burning Ships" do Lucifer's Friend e "Reach Out", trabalho solo. O motivo foi cansaço, em virtude da viagem de Fortaleza, onde tocaram no dia anterior.

Apesar disso, as músicas acima foram fantásticas em sua maioria, com John mostrando uma voz ainda excelente e uma grande empolgação. A platéia esteve animada o tempo todo e era claro que quase todos ali eram verdadeiros fãs.

Os momentos mais arrepiantes foram, sem dúvida, a energizante “Rider in the Sky” e as belíssimas “July Morning” e “The Wizard”, mas a versão acústica de “Lady in Black” (com JL ao violão) também foi incrível.

“Free Me” foi acompanhada por todos e “Easy Livin´” e “Stealing” também balançaram as estruturas da casa.

Ao final, estava claro o quanto estavam todos satisfeitos e, com a atual ligação musical que JL tem no Brasil, imagina-se seu breve retorno.

A PRODUÇÃO

Uma coisa que a grandíssima maioria das pessoas não se lembra e que quase 100% da imprensa “esquece” é comentar sobre os produtores e suas respectivas equipes.

Evidentemente, nem sempre suas atuações são dignas de elogios, mas, acima de tudo, basta ser um “Produtor de Rock que queira levar alguém para tocar no Rio de Janeiro” para ser merecedor de aplausos!!!

Por incrível que pareça, já houve uma época onde TODOS vinham tocar aqui, seja que estilo fosse, mas, infelizmente, de alguns anos para cá, essa realidade se transformou radicalmente...

Os patrocinadores desapareceram e boa parte do público mudou de cidade ou mudou de preferência musical...

Dessa forma, a outrora “Cidade Maravilhosa”, responsável por históricos e inigualáveis eventos como “Rock in Rio”, “Hollywood Rock”, “Free Jazz”, “Tin Festival” e “Rio Art Rock Festival”, literalmente agoniza, dependendo apenas de poucos corajosos e apaixonados produtores.

Para o evento de agora, o principal responsável foi um desses, desde 2004 em atividade ininterrupta.

Seu nome é Rodrigo Scelza, agora junto a Wood´s Produções, com quem já anuncia o próximo evento, a banda paulista ALMAH, projeto paralelo de Edu Falaschi, vocalista do ANGRA, que se apresentará no Rio, dia 5 de abril, no Circo Voador.

De 2004 até hoje, Rodrigo produziu muitos shows em parceria com Carlos Gelio, todos relacionados ao cenário Heavy / Hard, tais como as bandas Pain of Salvation, After Forever, Epica, Angra, Destruction, Kamelot e Gottahrd e os solistas Richie Kotzen, Glenn Hughes, Eric Martin, Jeff Scott Soto, Joe Lynn Turner, Tony Martin e Jimi Jameson.

Produziu também 2 edições voltadas para o Hard Rock americano, que receberam o nome de “Hard in Rio” e onde se apresentaram Ted Poley e as bandas Firehouse, Tyketto, House of Lords e White Lion.

Para a viabilização da turnê brasileira de John Lawton, fundamental também citar o nome de Rodrigo Werneck, uma das maiores autoridades brasileiras em Uriah Heep e amigo pessoal de muitos de seus membros, que auxiliou grandemente.

Fotos do show de autoria de Henri Matthes



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Sobre Claudio Fonzi

Nasceu em Petrópolis (RJ), em 22 de março de 1964. É Produtor Fonográfico (Som Interior Produções Artísticas) desde 1988, Programador Musical (produziu por 4 anos o programa Tribuna Progressiva, além de ter exercido por 18 meses a função de Programador Geral da emissora Tribuna FM), Produtor de shows e eventos nacionais e internacionais (entre eles, em 1997, a 1ª turnê brasileira da "Voz do Renaissance" - a cantora inglesa Annie Haslam) e comerciante de discos (proprietário da Renaissance Discos desde 1993). Além disso, publica artigos e resenhas desde 1997, em veículos variados, tais como o jornal Metamúsica (Campos - RJ), o jornal Culturarte (Petrópolis - RJ), a revista Poeira Zine (São Paulo - SP) e diversos websites e foruns de discussão.

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