A revelação da NWOBHM que não quis seguir o caminho do Priest e Maiden, e quebrou a cara
Por Bruce William
Postado em 16 de março de 2026
A Spider ocupava um canto esquisito da New Wave Of British Heavy Metal: enquanto boa parte das bandas estava indo para o riff pesado e para o modelo Priest/Maiden, eles eram boogie rock até a medula, com humor, refrões fáceis e um pé na escola Status Quo/Slade. O resultado foi um tipo de sucesso que não vira "estouro": público fiel, estrada sem fim e uma sensação constante de estar fora do lugar.
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Colin Harkness, um dos líderes do grupo, guardou até conselho de bastidor. Em dezembro de 1981, com a banda abrindo shows do Slade, ele lembra de Dave Hill dizendo para não colarem demais no Status Quo e pensarem mais em melodias - e afirma que isso ficou martelando na cabeça por anos.
A Spider trabalhou como banda de guerra: tocou em tudo quanto é buraco, passou de 2.000 shows em duas décadas, e mesmo assim carregou um rótulo chato que nunca largou. Conforme relata matéria da Louder, eles acabaram "marcados" como um Status Quo de segunda linha - e, pior, quando começaram a tentar escrever coisas "mais escutáveis", quase ninguém percebeu.
O baixista Brian Burrows tenta explicar isso como incompatibilidade de cena, não como falta de som. Para ele, o metal do período estava cada vez mais "riff-based" e com uma multidão copiando Judas Priest e Iron Maiden, enquanto a Spider era outra praia: rock-a-boogie, sem o mesmo vocabulário musical do momento, e com a imprensa já afiada para derrubar quem fugia do pacote.
"Minha crença é que a gente nunca se encaixou mesmo. A maioria das bandas de heavy metal era baseada em riffs. Mil bandas estavam copiando Judas Priest e Iron Maiden. Você pode dizer que a gente soava como o Quo, se quiser, mas tinha eles e tinha a gente. A gente era uma banda de rock-a-boogie, e virou moda derrubar a gente, especialmente na imprensa daquela época."
E aí vem a parte "inacreditável, mas real" do currículo. No dia em que eles lotaram o Hammersmith Odeon, em março de 1984, o público foi mutilado por greve do metrô de Londres. Dois anos depois, quando os caminhões iam levar o terceiro disco para as lojas, a gravadora entrou em liquidação. Mesmo quando a carreira parecia engrenar, sempre pintava um obstáculo fora do controle da banda.
A história ainda tem todos os exageros de estrada que as bandas contam e depois passam vergonha: Spider fazendo pose de "rock'n'roll gypsies", vivendo em ônibus apelidado de Valhalla, distribuindo doce e papel de cigarro para agitar plateia, e uma fase em que se gabavam de "compartilhar tudo" - incluindo mulheres. O próprio Brian, décadas depois, se encolhe quando lembra do que dizia. "Jesus! Claro que hoje isso soa assustador. Mas sexo não é uma motivação para um jovem em qualquer área da vida?"
No fim, a Spider virou exemplo de banda que fez quase tudo "certo" no sentido de trabalhar sem parar, mas estava desalinhada com o que o mercado queria e com o que a cena premiava. Eles viveram o lado cruel da década: estrada pesada, imprensa hostil, gravadora pressionando por single, azar logístico e uma identidade musical que não cabia direito na foto oficial da NWOBHM.
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