Dead Fish: a mesma velha vontade de fazer um show divertido
Resenha - Dead Fish (Circo Voador, Rio de Janeiro, 06/03/2009)
Por Deise Santos
Fonte: Revoluta
Postado em 11 de março de 2009
Numa sexta-feira em que os termômetros do Rio de Janeiro quase explodiram ao marcarem 43 graus em alguns bairros, a Lapa presenciou o primeiro show da turnê do novo álbum do Dead Fish, "Contra Todos".
A noite começou com um Circo Voador meio vazio, prova de que os cariocas não se acostumam com shows começando na hora marcada. A banda Zander subiu ao palco e o público começou a chegar e mostrar que a noite prometia. Mesmo sendo uma banda ainda pouco conhecida do público, o show foi empolgante com um set curto, que mostrou faixas do EP Em Construção lançado em 2008 e abriu caminho para que a banda Confronto subisse ao palco. O quarteto que está completando 10 anos tocou músicas do álbum "Sanctuarium" e fizeram a lona virar um caldeirão, com circle pits insanos em diversas músicas, além do Wall of Death que já virou tradição. Set curto que fechou com a música "Negação", sempre muito esperada pelo público que cantou em coro.
Quinze minutos de chuva pra refrescar e colocar o público pra dentro da lona e o power trio Nitrominds começou os trabalhos. Empolgada por estar no Rio de Janeiro mais uma vez, a banda fez um show enérgico, mesclando músicas do último álbum "Verge of Collapse" e dos álbuns anteriores, nesse momento a lona do Circo Voador já estava totalmente lotada, o que deu mais energia para que o trio fizesse um show memorável.
Fim do show, luzes acesas, hora de preparar o palco para o show mais esperado da noite.
Dead Fish entrou no palco e, assim como no novo álbum, o papo foi reto, abriram com "Venceremos", seguida de "Não", duas músicas novas que deram o tom do que seria a noite: energia e diversão, recheadas de letras ácidas. A banda continua em alta e a sintonia com o novo baterista Marcão (Ação Direta e Música Diablo) é total. O set list foi digno de uma festança com "0 & 1", "Afasia", "Perfect Party", "Sonho Médio", entre outras, sempre mesclando com as músicas do novo álbum, entre elas "Autonomia", "Quente", "Asfalto" e "Shark Attack", essa tocada em homenagem aos pernambucanos presentes.
O tom de festa permeou todo o show, com o vocalista oferecendo músicas aos amigos que ele via no meio do público e recadinhos para a galera que teimava em subir ao palco. Atento e atencioso, Rodrigo avisava: "sobe mas pula logo". Infelizmente não foi atendido. O baixista Alyand esqueceu as notas e tocou a música "O Melhor" exemplo do que não seguir com as notas erradas. Com ironia Rodrigo convocou a banda a tocar tudo de novo e o público ouviu a música uma vez e meia.
O show mostrou um novo-velho Dead Fish: com uma só guitarra, baterista novo e a mesma velha vontade de fazer um show divertido, com letras que fazem pensar e sonoridade que lava a alma de quem se propõe a entrar no clima da banda.
O Melhor exemplo do que não seguir
O show teria sido perfeito, caso algumas pessoas não quisessem aparecer mais do que a banda e curtissem o show da forma mais tradicional, assistindo de baixo do palco, cantando as músicas, se empolgando, pogando e compartilhando com os amigos aquele momento.
Infelizmente não foi o que aconteceu, o que fez com que o show tivesse um ponto negativo, que já era esperado, mas que foi potencializado ao extremo pelo público: as diversas (diria: dezenas?) subidas de fãs ao palco atrapalhou a banda e fez do show um "festival de alguns segundos de fama" para os ilustres desconhecidos que teimavam em subir ao palco, driblando os seguranças, tirando as caixas de retorno do lugar e dando tapinhas na bunda do vocalista Rodrigo, fora as poses pra fotos e outras bizarrices presenciadas por um Circo Voador lotado.
Nada contra aos já tradicionais stage dives e mosh’s, eles fazem parte dos shows, assim como os circle pits e rodas de pogo. E tudo seria divertido se não fosse o exagero e a falta de senso comum. As pessoas pulavam no público em pé, o que poderia causar algum dano a quem estava somente a fim de ver o show e causou, porque ao menos um fã saiu com uma fratura. Ok, acidentes acontecem em qualquer lugar ou situação, mas no caso um acidente parecia iminente, já que a incoerência do público foi total.
A piada só foi divertida pra quem contou, ou seja, só foi legal subir ao palco pra quem subiu. Quem queria ver o show não curtiu essa atitude, os seguranças foram perdendo a paciência (óbvio) no decorrer do show e a banda tinha que driblar os fãs pra poder cumprir o que foram fazer ali: o show de lançamento de um álbum que, curiosamente fala do papel de cada um, das escolhas e do imediatismo. Estariam os invasores de palco "Contra Todos"?
Incomodava ver que por vezes o vocalista precisava "fugir" pra conseguir cantar, se abrigando ao lado do baterista ou indo pro fundo do palco.
Será que as pessoas não entenderam que era uma festa pra todo mundo se divertir? Era o primeiro show da turnê de Contra Todos e o que o público poderia fazer era retribuir a energia que sempre se recebe tanto ao ouvir os álbuns da banda quanto nos shows, que são sempre memoráveis.
Não espantaria entrar numa casa de shows e ver que os promotores resolveram colocar aquelas grades de proteção, para dividir o público da banda. Porque além de atrapalhar os músicos no palco, as subidinhas ao palco podem trazer prejuízos com a quebra de algum equipamento.
Que nos próximos shows da turnê a banda consiga executar as músicas sem a invasão do palco.
A atitude do público invasor de palco no Circo Voador na noite de estréia da turnê de Contra Todos é o melhor exemplo do que não seguir, busquem o diferencial e não se deixem levar.
Deise Santos
* Originalmente publicado em http://www.revoluta.com
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os oito discos essenciais do thrash alemão, segundo a Ultimate Guitar
Os 50 artistas de rock e metal mais ouvidos de todos os tempos no Spotify
Neil Peart, David Gilmour e Sid Wilson não concordam sobre o maior baterista do mundo
Skid Row anuncia seu novo vocalista, Justin Sargent
As 5 maiores bandas da história do heavy metal, em lista da Forbes
O único membro do Metallica que saiu por conta própria, segundo Lars Ulrich
Ed Motta diz que não é muito fã do Rush por conta da voz de Geddy Lee
Falta de dedicação teria afastado o baterista Nick Menza do Slayer, segundo Kerry King
O que James Hetfield pensa de cantores que dublam nos próprios shows
O tempo que Lemmy Kilmister levou para escrever "Mama, I'm Coming Home"
O pedido que Steve Harris negou a Nicko McBrain no primeiro show com o Maiden
O vocalista que deu cano em Slash, e o guitarrista descobriu que ele estava com medo
U2 anuncia quarto e último show no Brasil da Tour The Greatest Show On Earth 2027
Esposa de Denis "Snake" Bélanger, vocalista do Voivod, morre de câncer
David Ellefson comenta relação entre "Go to Hell", do Megadeth e "Enter Sandman", do Metallica
O músico que para Bob Dylan estava "anos luz à frente de seu tempo"
A banda de rock em que Caetano Veloso apostou: "Ninguém conhecia e eu falava na imprensa"
A história por trás das arrepiantes palavras que abrem "The Number of the Beast"

Black Label Society faz show histórico em Belo Horizonte e emociona fãs
Between the Buried and Me - um show especialmente feito para os metal geeks brasileiros
The Gathering - uma das turnês mais esperadas pelos fãs de vocais femininos
Ginger and the Peppers - O novo Rock pulsa na Casa de Cultura
Helloween - Em Porto Alegre, 2 horas e 20 minutos que pareceram passar em instantes
Maximus Festival: Marilyn Manson, a idade é implacável!
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida



