Dead Fish: a mesma velha vontade de fazer um show divertido

Resenha - Dead Fish (Circo Voador, Rio de Janeiro, 06/03/2009)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Por Deise Santos, Fonte: Revoluta Produções e Assessoria de Impre
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Numa sexta-feira em que os termômetros do Rio de Janeiro quase explodiram ao marcarem 43 graus em alguns bairros, a Lapa presenciou o primeiro show da turnê do novo álbum do Dead Fish, "Contra Todos".

5000 acessosRhapsody Of Fire: Fabio Lione anuncia sua saída da banda5000 acessosO Heavy Metal nos Limites da Simples Filosofia - Parte I

A noite começou com um Circo Voador meio vazio, prova de que os cariocas não se acostumam com shows começando na hora marcada. A banda Zander subiu ao palco e o público começou a chegar e mostrar que a noite prometia. Mesmo sendo uma banda ainda pouco conhecida do público, o show foi empolgante com um set curto, que mostrou faixas do EP Em Construção lançado em 2008 e abriu caminho para que a banda Confronto subisse ao palco. O quarteto que está completando 10 anos tocou músicas do álbum "Sanctuarium" e fizeram a lona virar um caldeirão, com circle pits insanos em diversas músicas, além do Wall of Death que já virou tradição. Set curto que fechou com a música "Negação", sempre muito esperada pelo público que cantou em coro.

Quinze minutos de chuva pra refrescar e colocar o público pra dentro da lona e o power trio Nitrominds começou os trabalhos. Empolgada por estar no Rio de Janeiro mais uma vez, a banda fez um show enérgico, mesclando músicas do último álbum "Verge of Collapse" e dos álbuns anteriores, nesse momento a lona do Circo Voador já estava totalmente lotada, o que deu mais energia para que o trio fizesse um show memorável.

Fim do show, luzes acesas, hora de preparar o palco para o show mais esperado da noite.

Dead Fish entrou no palco e, assim como no novo álbum, o papo foi reto, abriram com "Venceremos", seguida de "Não", duas músicas novas que deram o tom do que seria a noite: energia e diversão, recheadas de letras ácidas. A banda continua em alta e a sintonia com o novo baterista Marcão (Ação Direta e Música Diablo) é total. O set list foi digno de uma festança com "0 & 1", "Afasia", "Perfect Party", "Sonho Médio", entre outras, sempre mesclando com as músicas do novo álbum, entre elas "Autonomia", "Quente", "Asfalto" e "Shark Attack", essa tocada em homenagem aos pernambucanos presentes.

O tom de festa permeou todo o show, com o vocalista oferecendo músicas aos amigos que ele via no meio do público e recadinhos para a galera que teimava em subir ao palco. Atento e atencioso, Rodrigo avisava: “sobe mas pula logo”. Infelizmente não foi atendido. O baixista Alyand esqueceu as notas e tocou a música "O Melhor" exemplo do que não seguir com as notas erradas. Com ironia Rodrigo convocou a banda a tocar tudo de novo e o público ouviu a música uma vez e meia.

O show mostrou um novo-velho Dead Fish: com uma só guitarra, baterista novo e a mesma velha vontade de fazer um show divertido, com letras que fazem pensar e sonoridade que lava a alma de quem se propõe a entrar no clima da banda.

O Melhor exemplo do que não seguir

O show teria sido perfeito, caso algumas pessoas não quisessem aparecer mais do que a banda e curtissem o show da forma mais tradicional, assistindo de baixo do palco, cantando as músicas, se empolgando, pogando e compartilhando com os amigos aquele momento.

Infelizmente não foi o que aconteceu, o que fez com que o show tivesse um ponto negativo, que já era esperado, mas que foi potencializado ao extremo pelo público: as diversas (diria: dezenas?) subidas de fãs ao palco atrapalhou a banda e fez do show um “festival de alguns segundos de fama” para os ilustres desconhecidos que teimavam em subir ao palco, driblando os seguranças, tirando as caixas de retorno do lugar e dando tapinhas na bunda do vocalista Rodrigo, fora as poses pra fotos e outras bizarrices presenciadas por um Circo Voador lotado.

Nada contra aos já tradicionais stage dives e mosh’s, eles fazem parte dos shows, assim como os circle pits e rodas de pogo. E tudo seria divertido se não fosse o exagero e a falta de senso comum. As pessoas pulavam no público em pé, o que poderia causar algum dano a quem estava somente a fim de ver o show e causou, porque ao menos um fã saiu com uma fratura. Ok, acidentes acontecem em qualquer lugar ou situação, mas no caso um acidente parecia iminente, já que a incoerência do público foi total.

A piada só foi divertida pra quem contou, ou seja, só foi legal subir ao palco pra quem subiu. Quem queria ver o show não curtiu essa atitude, os seguranças foram perdendo a paciência (óbvio) no decorrer do show e a banda tinha que driblar os fãs pra poder cumprir o que foram fazer ali: o show de lançamento de um álbum que, curiosamente fala do papel de cada um, das escolhas e do imediatismo. Estariam os invasores de palco "Contra Todos"?

Incomodava ver que por vezes o vocalista precisava “fugir” pra conseguir cantar, se abrigando ao lado do baterista ou indo pro fundo do palco.

Será que as pessoas não entenderam que era uma festa pra todo mundo se divertir? Era o primeiro show da turnê de Contra Todos e o que o público poderia fazer era retribuir a energia que sempre se recebe tanto ao ouvir os álbuns da banda quanto nos shows, que são sempre memoráveis.

Não espantaria entrar numa casa de shows e ver que os promotores resolveram colocar aquelas grades de proteção, para dividir o público da banda. Porque além de atrapalhar os músicos no palco, as subidinhas ao palco podem trazer prejuízos com a quebra de algum equipamento.

Que nos próximos shows da turnê a banda consiga executar as músicas sem a invasão do palco.

A atitude do público invasor de palco no Circo Voador na noite de estréia da turnê de Contra Todos é o melhor exemplo do que não seguir, busquem o diferencial e não se deixem levar.

Deise Santos

* Originalmente publicado em http://www.revoluta.com

5000 acessosQuer ficar atualizado? Siga no Facebook, Twitter, G+, Newsletter, etc

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Dead Fish"

HumorHumor
O Quadradinho de Oito Hardcore no show do Dead Fish

Dead FishDead Fish
A proposta mais indecente que a banda já recebeu

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de Shows0 acessosTodas as matérias sobre "Dead Fish"

Rhapsody Of FireRhapsody Of Fire
Fabio Lione anuncia sua saída da banda

PreconceitoPreconceito
O Heavy Metal nos limites da simples filosofia

BucketheadBuckethead
Uma rara imagem do guitarrista sem a máscara

5000 acessosEdu Falaschi: os dez vocalistas brasileiros preferidos dele5000 acessosRaul Seixas: Por trás da letra de "Carimbador Maluco"5000 acessosCatra e os Templários: Se comparando a Coverdale e salvador do Rock'n'Roll4843 acessosMetal Sinfônico: dez álbuns essenciais do gênero5000 acessosMetallica: Coisas que talvez você não saiba sobre o novo álbum5000 acessosLamb of God: Blythe não liga para entrada de Adler no Megadeth

Sobre Deise Santos

Autor sem foto e/ou descrição cadastrados. Caso seja o autor e tenha dez ou mais matérias publicadas no Whiplash.Net, entre em contato enviando sua descrição e link de uma foto.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online