Setembro Negro: "Matinê Negra" com Sadus e Enthroned em São Paulo

Resenha - Sadus, Enthroned (Hangar 110, São Paulo, 19/09/2008)

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Por Glauco Silva
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Essa resenha deveria ser sobre a oitava edição do já tradicional festival Setembro Negro, mas fica basicamente sobre o Sadus… e por quê? Não sei se foi mais uma determinação/sandice da prefeitura paulistana quanto a casas noturnas, preocupação com transporte público após certa hora, ou horário que a produção ou a casa determinaram - mas começar um festival com cinco bandas às SETE DA NOITE?!? Se para o pessoal da capital fica difícil chegar no local a tempo, após sair de trabalho/faculdade, falar o quê de muitos que, como eu, saíram do interior? E pelo que vi, vai ter mais show gringo em Sampa nessa hora bisonha… lamentável.

Fotos: Sallua de Moura

Cheguei com minha fotógrafa no Hangar às 22h30, conseguindo assistir a apenas quatro músicas do Enthroned (Amazarak, Khrophus e Severe Torture já tinham se apresentado, infelizmente). Não tinha ouvido nada com a atual line-up, mas o pouco que presenciei foi de uma intensidade quase palpável... a passagem do Nornagest para o vocal - fora guitarra - deu muito mais punch à banda, fora sua presença de palco e grande interação com o público. Destaque ao arrasa-quarteirão "Boundless Demonication", que ficou muito mais forte com a formação corrente da banda, mas infelizmente não tenho como analisar mais a (ótima, do pouco que vi) performance dos belgas.

Após um breve intervalo pra ajuste de equipamento, abrem-se as cortinas e surgem os 'sadudes' no palco escuro. Fazia uns 17 anos que eu queria ver Darren Travis (V/G), Steve DiGiorgio (B/K) e Jon Travis (D) ao vivo, e tanta espera rendeu em partes: enquanto a performance do trio é absolutamente impecável ao vivo, o set list deixou a desejar (como na visita deles a Sampa no ano passado, pelo que todos comentaram)… mandaram uma infinidade de sons dos últimos 2 plays, mas o público só começou a se animar com a jurássica "Kill Team" - era o que todos queriam ver, o death/thrash violento que marcou a banda até o meio dos anos 90.

Mas só de ver essa figura chamada DiGiorgio ao vivo já teria valido a pena assistir ao festival. Além de mandar muitíssimo bem nos backing vocals e dominar o teclado, o que o cara faz naquele fretless de cinco cordas chega a ser obsceno… ele tem dois efeitos sobre baixistas: ou o camarada pensa "massa, vou treinar bastante e daqui a duas reencarnações toco assim", ou vende seu instrumento e se aposenta, humilhado e deprimido. Já vi muito cara daqui e gringo esmerilhar seu baixo, mas nada sequer chegou perto desse nível - e ele faz tudo parecer extremamente fácil. Meu queixo ainda não voltou do chão!

Uns problemas na guitarra do Darren logo no começo não atrapalharam, logo foram sanados e tudo voltou a correr normalmente, com direito a solos do Steve e do Jon no decorrer do show. Muita interação com o (pequeno para o evento, diga-se de passagem) público e absoluta tranqüilidade no palco enquanto desfilavam "Sick", "Out For Blood", "Down" com uma demonstração absolutamente impecável de técnica e creatividade nas composições de uns anos pra cá… mas foi na seqüência final de sons que os deathrashers lavaram a alma: começaram com "Sadus Attack" e "In Your Face", a porradaria de "Black", mais "Certain Death" do debut e a maravilhosa "Through The Eyes Of Greed".

Foi pouco para quem tanto esperava ver os clássicos destes veteranos mestres da Bay Area, mas o fã se satisfaz plenamente com as músicas que quer mesmo ver - embora não tenham sido muitas. Após saírem aclamados do palco, ainda ficaram circulando tranqüilamente entre o pessoal após o show, dando autógrafos, batendo papo e tirando fotos com os fãs… aliás, as 3 bandas estrangeiras fizeram isso, numa louvabilíssima atitude de respeito e interação com a platéia.

Ficou um amargo gosto de 'coitus interruptus' pra mim, mas valeu bastante a pena - ainda mais porque o pessoal adora meter a boca no som do Hangar e, nesta minha terceira visita à casa, ainda não tenho do que reclamar: rolaram alguns poucos problemas técnicos, mas nada que não aconteceria num, sei lá, Credicard Hall da vida. Mas esse horário de "Matinê Negra" foi realmente lamentável… e tome agüentar a madruga gelada da capital a partir da 1h30, sem nada pra fazer na rua até o metrô abrir.



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Sobre Glauco Silva

36 anos, solteiro, estudou Linguística e Engenharia de Alimentos na UNICAMP. Tem sua sobrevivência (CDs, cigarro e cerveja) garantida no trabalho em uma multinacional. Iniciado no Metal em 1988, é baixista/vocal do LACONIST (Death Metal) e acredita fielmente que o SARCÓFAGO é a melhor banda do universo.

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