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Deep Purple: Mais uma oportunidade de conferir a banda

Resenha - Deep Purple (Citibank Hall, Rio de Janeiro, 22/02/2008)

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Por Rodrigo Werneck
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Talvez a banda internacional de rock que mais tenha se apresentado no Brasil nos últimos anos, o Deep Purple novamente aportou por essas pradarias para nada mais, nada menos, do que a sua terceira visita durante a atual turnê de divulgação do CD "Rapture of the Deep", lançado em 2005.

Fotos: Rodrigo Werneck

Para quem já perdeu a conta, essa foi a oitava vinda do grupo ao país, sendo que nos últimos 5 anos eles vieram 4 vezes. De comum em todas as visitas, apenas a presença da cozinha formada por Roger Glover (baixo) e Ian Paice (bateria). As 4 primeiras incluíram ainda o tecladista original Jon Lord: a estréia (por aqui) em 1991 (turnê do disco "Slaves & Masters", ainda com Ritchie Blackmore na guitarra, mas sem Ian Gillan nos vocais, pois na época o polêmico Joe Lynn Turner estava no posto), 1997 (turnê do "Purpendicular", já com Gillan de volta, e com Steve Morse na guitarra), 1999 (turnê do "Abandon"), e 2000 (turnê do "remake" do lendário "Concerto For Group And Orchestra", incluindo orquestra e vários convidados especiais, entre os quais Ronnie James Dio). As 4 mais recentes, já apresentaram o substituto Don Airey no comando das teclas: 2003 (turnê do "Bananas"), 2005 (primeira visita da turnê do "Rapture of the Deep"), 2006 (segunda visita na mesma turnê), e agora em 2008.

Um show do Deep Purple é sempre uma experiência gratificante. A banda gosta do que faz, tem 40 anos de experiência e entrosamento (bem, pelo menos 3/5 da sua formação atual), e transpira técnica e feeling em iguais proporções. O repertório tem sido nos últimos anos uma bem selecionada mescla de clássicos com material mais novo, em especial do disco sendo divulgado. Por conta disso, não poderiam ficar de fora as indefectíveis "Highway Star", "Black Night", "Strange Kind Of Woman", "Space Truckin’", "Lazy", "Pictures Of Home" e "Smoke On The Water". Afinal, o Deep Purple conseguiu o que muitas bandas clássicas dos anos 70 tentam, e não conseguem: renovou seu público, e muitos jovens têm descoberto sua música agora no século XXI. Logo, a inclusão dos antigos clássicos se torna obrigatória, por mais que os fãs "hardcore" (no sentido literal da palavra) peçam por variações de repertório, e a inclusão de músicas menos conhecidas do grande público. De qualquer forma, para saciar tais fãs, duas pérolas do passado foram sacadas: "Into The Fire" (do disco "In Rock", de 1970) e "Mary Long" (do "Who Do We Think We Are", de 1973). Além dessas, houve também a saudosa e inesperada inclusão de "The Battle Rages On", do disco homônimo (de 1993), último de Ritchie Blackmore no grupo. A climática "Perfect Strangers", que deu nome ao disco de retorno da banda, em 1984, já virou um clássico aqui no Brasil, no mesmo nível das músicas dos anos 70 (época na qual o grupo foi mais popular). Como sempre, foi cantada em uníssono pela platéia, num volume por vezes suplantando o próprio vocal de Gillan.

Do material mais recente, foi incluída "Contact Lost, uma pequena música instrumental que fechou o CD "Bananas", e que foi composta em homenagem à astronauta indiana Kalpana Chawla, falecida no acidente com a espaçonave Columbia em 2003. Ela era fã do DP e levou alguns discos da banda para ouvir no espaço, sendo que os CDs foram encontrados nos escombros e seus restos usados pela NASA em placas feitas em homenagens póstumas. Aqui, a música serviu de introdução ao solo de Morse, que mais uma vez repetiu o truque de tocar vários riffs conhecidos de outras bandas. A "classicosa" instrumental "The Well-Dressed Guitar" destacou o entrosamento entre Morse e Airey, embora a música tenha sido composta ainda na época na qual Jon Lord fazia parte do grupo (e tenha sido tocada com ele em shows de 2002, pouco antes de sua saída). Originalmente foi gravada nas sessões do disco "Bananas", mas só veio a aparecer no CD bônus do disco seguinte, "Rapture of the Deep". Da mesma forma, a boa "Things I Never Said" também faz parte do mesmo CD bônus, uma escolha de certa forma inusitada, portanto, para o repertório fixo ao vivo. As demais músicas fazem parte da edição normal do último disco: "Kiss Tomorrow Goodbye" e a ótima "Rapture of the Deep" e sua melodia com influências orientais, uma espécie de "Perfect Strangers" da era Morse, já bem conhecida do público brasileiro.

Alguns aspectos, porém, diminuíram o brilho do espetáculo, dessa vez. Após a abertura dos trabalhos pela correta e vibrante banda Inquisição, os alto-falantes anunciaram um problema com equipamentos que teriam ficado retidos em São Paulo, e dessa forma chegado com atraso ao Rio. Por conta disso, o show do Deep Purple somente começou por volta das 23:30h, e acabou tendo sua duração reduzida: deixaram de tocar "Sometimes I Feel Like Screaming" (do disco Purpendicular, de 1995) e a primeira música do bis, "Hush" (que teria ainda incluído um solo de Paicey). Bem, teria sido uma perda maior se tivessem deixado de tocar "Loosen My Strings" (também do "Purpendicular"), inédita em shows no Brasil e que vinha fazendo parte do repertório até chegarem à América Latina (quando a substituíram por "Sometimes..." no set). O atraso para o início, somado a um aparente cansaço da banda, ocasionou uma performance um pouco menos vibrante do que nas visitas mais recentes. O show de 2006 (no Riocentro), por exemplo, foi claramente superior. Ian Gillan, por exemplo, estava com a voz nitidamente cansada nesse último show, e se poupou de dar os seus tradicionais agudos (o que não ocorreu em 2006, muito pelo contrário), embora tenha cantado corretamente todo o restante.

Bem, Gillan já anunciou que este ano a banda pretende gravar um novo disco de estúdio, logo podem escrever: em 2009 teremos mais uma oportunidade de conferir a classe dos "Purps" por aqui... Ótimo!

Setlist:
- Pictures Of Home
- Things I Never Said
- Into The Fire
- Strange Kind Of Woman
- Rapture Of The Deep
- Mary Long
- Kiss Tomorrow Goodbye
- Contact Lost
- Steve Morse guitar solo
- The Well-Dressed Guitar
- The Battle Rages On
- Lazy
- Don Airey keyboards solo
- Perfect Strangers
- Space Truckin'
- Highway Star
- Smoke On The Water

Bis:
- Roger Glover bass solo
- Black Night


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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D'Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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