Iggy Pop: Aos sessenta anos, um verdadeiro "highlander" do rock
Resenha - Iggy and The Stooges (Warfield, San Francisco, 21/04/2007)
Por Bruno Romani
Postado em 29 de abril de 2007
Para muita gente, chegar aos 60 anos sem escorregar no banheiro e quebrar a bacia já é satisfatório. Não para Iggy Pop, o vovô do punk, que comemorou no sábado (21/04) sua sexagésima primavera com uma apresentação de deixar os mais novos sem fôlego no teatro Warfield em San Francisco. Sem medo de fraturar o osso que mais assusta idosos que descobrem que não sabem voar, Iggy pulou de cabeça na platéia.
Vestindo jeans apertado de cintura baixa de fazer corar senhoras na mesma faixa etária, Iggy fingiu não se importar com a data e juntamente dos Stooges, banda que o consagrou no final dos anos 60, nocauteou a platéia com a energia bruta dos clássicos da banda. Mas mais do que testemunhar a quebra de um hiato que parece nunca ter existido, a platéia, com sua diversidade de faixa etária, era prova irrefutável de que o cantor criado em Michigan é um "highlander" do rock, um ser que parece infindável e imutável.
Sem camisa (como sempre foi), balançando os cabelos louros, (como sempre foi), ele permanece cantando que "ano passado tinha 21 anos" como se isso refletisse o tempo medido por humanos normais. Como sempre foi.
Mas Iggy não é uma pessoa normal. Para quem o assiste, a fantasia do rock nunca termina. Tanto jovens que ainda se preocupam com aparência quanto tiozinhos com cara de "tenho reunião importante na segunda-feira" dividiram espaço e se congregaram em torno da insanidade de Mr. Pop. Antes da terceira música, o clássico "I Wanna be Your Dog," ele já havia escalado os amplificadores do baixista Mike Watt e pulado na platéia duas vezes.
No melhor espírito baderneiro, "No Fun" poderia se chamar "Total Fun." "Get up here," ordenou Iggy, e assim o palco foi tomado por pelo menos 50 pessoas ao mesmo tempo, que fizeram o caminho inverso ao que Iggy percorreu várias vezes durante a noite. Mike Watt e Ron Ashton tiveram que recuar liberando espaço para aquela gente maluca que dançava e tentava ficar bem perto do vocalista, devidamente cercado por um segurança. Um dos fãs, no entanto, conseguiu chegar perto o suficiente do vovô do punk para roubar-lhe o microfone e sintetizar o que o teatro todo queria dizer. "Iggy, we fuckin love you!" O imaginário coletivo não poderia ansiar por nada mais. Iggy sabe alimentar a fantasia.
As músicas do disco novo "The Weirdness" soam ainda mais cruas ao vivo do que qualquer produção com Steve Albini pode soar. Ao contrário do homem, a obra é bem real, o que deixa claro que os Stooges podem ser relevantes com material novo num cenário musical no qual bandas nascem, crescem, reproduzem e morrem num clicar de páginas da Internet. "Trollin’" e "My Idea of Fun" foram cantadas tanto quanto "1969" ou "1970."
Durante a apresentação, apenas três momentos sugeriram que talvez exista um tal James Osterberg por traz daquela figura habitante do imaginário roqueiro. O andar coxo explicita a fragilidade física ante ao tempo. A cara de surpresa, no primeiro bis, quando ele anunciou "1969" e acabou ouvindo "Parabéns a você" tocada pela banda enquanto balões pretos e prateados caíam do teto demonstra que para o inesperado basta ser humano. A terceira é uma confissão: "We’re just happy we still exist."
E nesse mundo de fantasia, um dos roadies ao se desdobrar na sua tarefa de deixar o cenário perfeito é o personagem de carne e osso que chama atenção. Iggy derrubou água no palco? O rapaz corre com uma toalhinha branca para enxugar a área, num gesto preventivo. Balões caindo do teto? O rapaz cerca o Ron Ashton para evitar que os pedais sejam cobertos pelos inocentes apetrechos comemorativos. Iggy enroscou o fio do microfone? Lá vai o roadie com precisão e velocidade deixar o vocalista solto. Tamanha dedicação e esmero ficaram estampados no balançar de cabeça inconformado do roadie ao demorar a solucionar o problema de uma guitarra que insistia em falhar, arrancando comentários até do aniversariante do dia.
Ao final do concerto, difícil era acreditar que tudo aquilo havia acabado de acontecer diante de olhos simplórios. Como numa história de "Alice no País das Maravilhas" às avessas. De concreto para quem mergulhou na fantasia do Warfield ficou um broche comemorativo com os dizeres "Happy Birthday Iggy," que foram distribuídos gratuitamente como prova de que o vocalista realmente existe.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Ouça tributo ao Rainbow com verdadeira seleção de astros do rock e metal
Edguy esgota ingressos do primeiro show em mais de uma década
Rammstein registra novas músicas e deixa fãs na expectativa
Judas Priest lança coletânea que abrange várias fases da discografia
"A banda de abertura mais difícil que já tivemos foi o Guns N' Roses", revela Bruce Dickinson
O ex-jogador que ouvia heavy metal antes dos jogos para se motivar
As 11 melhores bandas de rock progressivo dos EUA, segundo a Loudwire
O álbum dos anos setenta que tornou possível surgir o Rage Against The Machine
A banda punk que Bono considera a melhor de todos os tempos
A banda gigante do rock que Ritchie Blackmore disse que nunca conseguiu gostar
A banda dos anos 2000 que mais orgulhava Geddy Lee por seguir os passos do Rush
A banda southern que Steve Harris considera das melhores que abriu para o Iron Maiden
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
Bruce Dickinson pretende se manter ativo depois que parar de cantar
A música do Queen que Freddie Mercury considerava melhor que "Bohemian Rhapsody"
O único compositor brasileiro na história que foi gravado por Elvis Presley
O significado de "tempestade da cor dos teus olhos castanhos" em "Tempo Perdido"
A banda que fez Robert Plant se envergonhar de ser ícone do rock


Resenha e fotos do Sweden Rock Festival 2026 - Keep the Fire burning!
Nenhum de Nós celebra show histórico de número 2.500 com teatro lotado em Belo Horizonte
Resenha e fotos do show da banda Dogma em Porto Alegre
Wolf Alice e Lykke Li transformam o Vivo Rio em ponto de encontro do indie europeu
CDM Metal Fest - Metal como resistência cultural no Sul de Minas Gerais
Metallica: Quem viu pela TV viu um show completamente diferente
Em 16/01/1993: o Nirvana fazia um show catastrófico no Brasil



