Resenha - Angra (Bar Opinião, Porto Alegre, 23/11/2006)

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Por Ronan Dannenberg
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Nos 15 anos da banda, quem leva o presente é o fã. Parece slogan publicitário, mas é uma frase que expressa uma realidade. É chegando na adolescência que, mais uma vez, o Angra pisou em solo gaúcho, desta vez para divulgar o mais recente trabalho, “Aurora Consurgens”. O povo do pampa foi presenteado em Porto Alegre com um belo set list. Em meio a clássicos e composições mais recentes, o Bar Opinião foi palco para muitas surpresas. O espetáculo não foi um primor, mas o conjunto da obra valeu a pena, tanto que a casa estava lotada – mesmo com o show do Deep Purple, que aconteceria dois dias depois.

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Fotos: Bárbara Sudbrack e Divulgação.


Antes da maestria do grupo, o público foi presenteado com uma apresentação primorosa de uma das mais promissoras bandas do cenário nacional. Os gaúchos da Scelerata, que já realizaram tour neste ano no Brasil ao lado do Edguy, subiram ao palco para executar composições do primeiro álbum, “Darkness and Light”. O início empolgante com “Holyfire” e “Eminence” foram suficientes para sacudir o Opinião. Entretanto, não foram somente as músicas que empolgaram os headbangers. A energia passada pelo grupo, principalmente pelo vibrante vocalista Carl Casagrande, fez com que o público reagisse de uma forma impressionante.

Na seqüência, havia espaço para “Spell of Time”, “Ethereal Places” e “Adonai”, mostrando extrema técnica dos guitarristas Magnus Wichmann e Bruno Sandri. Além das composições próprias, o grupo ainda colocou o Opinião abaixo com duas covers matadoras: “Master of Puppets”, do Metallica, e “Wrathchild”, do Iron Maiden. O único porém do show foi o espaço reduzido no palco, que estava tomado quase totalmente pelo equipamento do Angra – a bateria de Francis Cassol, ficou num canto. De qualquer forma, talento não falta ao grupo e o sucesso já está aí. Grande show!

Logo terminou a apresentação dos gaúchos, uma cortina negra sobe e o público já entoa gritos de “Angra! Angra!”. Foram cerca de 30 minutos para que a primeira surpresa da noite chegasse. A cortina ainda estava erguida quando “Unfinished Allegro” é executada nos PA's. Ah, meus amigos, essa música pode estar saturada. Contudo, ver a vibração total do público que veria o Angra iniciar um show com o maior clássico, é algo único. Não deu outra: “Carry On” abriu a apresentação, fazendo com que todos se entreolhassem, surpresos e alegres.

Mas dentro da própria “Carry On” estava outra surpresa. A banda não toca a música completa (até os solos, somente) e já emenda “Nova Era”. Melhor início de show que este era praticamente impossível e feito de forma inteligentemente estratégica, evitando assim os constantes e enlouquecedores pedidos dos fãs.

A partir de então o grupo começa a desfilar uma variedade de músicas que englobaram todos os álbuns dos 15 anos de carreira. E que set bem escolhido! Não só pelas composições em si, mas pelas que melhor soavam ao vivo e que vinham ao encontro das características dos músicos da formação atual. Além de “Carry On”, a banda não poderia deixar de executar “Angels Cry”. Do disco “Holy Land”, o Angra pôs força máxima com “Z.I.T.O” e “Nothing to Say”. Já do “Fireworks”, “Wings of Reality” foi a escolhida, que se constituiu em outra grata surpresa, pelo encaixe perfeito de suas linhas com o potencial do vocalista Edu Falaschi.

Mesmo com tantos clássicos, as atenções estavam voltadas para as composições mais recentes. Até porque – ora bolas – era tour de divulgação do mais recente trabalho. Porém, não foram nestas que o show teve seus melhores momentos. O curioso estava para ver como a nova sonoridade de “Aurora Consurgens”' soaria ao vivo. Em algumas músicas, como “The Course of Nature” e “Salvation: Suicide”, a execução foi primorosa. Outras como “Ego Painted Grey” e “The Voice Commanded You” já não tiveram o mesmo resultado. Uma pena.

Das baladas, “Heroes of Sand” e “Rebirth” (esta cantada somente pelo público, praticamente) tiveram excelente resposta. Músicas do disco anterior da banda, “Temple of Shadows”, como “Waiting Silence”, “Angels and Demons” e “Spread your Fire” se constituíram nos melhores momentos da noite, por terem grande qualidade técnica e soarem ao vivo de forma perfeita.

Falando em técnica, isso não falta e não faltará aos músicos do Angra. E os músicos foram inteligentes na forma de executar as composições. Já em “Carry On”, por exemplo, Edu Falaschi optou por cantar como ele sabe, não tentando chegar a tons que não são de seu alcance. Ficou ótimo!

Porém, um dos fatores que a Scelerata colocou em seu show, a banda não pôs: punch. Para quem estava celebrando 15 anos, a banda não parecia muito animada. Pobre movimentação no palco e pouca interação com o público – restringida a alguns obrigados – fizeram com que o espetáculo parecesse um show do Dream Theater, onde os presentes somente assistem e aplaudem a técnica exuberante dos músicos. A exceção ficou com algumas composições, como “Acid Rain”, fazendo o público pular.

Entretanto, estava no final mesmo do show o momento mais agradável. O grupo chamou fãs para o palco (eram para ser cinco, acabaram sendo uns 15) para “ajudar” em uma tarefa adjetivada como “diferente”. Rafael Bittencourt teve a incumbência de, então, apresentar a nova formação do Angra: o próprio nos vocais, Felipe Andreoli e Edu Falaschi nas guitarras, Aquiles Priester no baixo e Kiko Loureiro na bateria. Tudo isso para um clássico do Rock'n'Roll: “Smoke on the Water”. A música foi sabiamente escolhida, visto que praticamente o clássico riff dela é o que comanda, e isso Andreoli (um excelente músico, que executou solos maravilhosos na guitarra) e Falaschi se saíram muito bem. A “decepção” ficou a cargo de Priester e Loureiro, que não tocam porra nenhuma ao trocar de instrumentos. Mais do que engraçado!

Ao som de “Gate XIII”, a banda se despediu dos gaúchos, sendo correspondida com muitos aplausos. Foram os parabéns pelo muito que ainda virá pela frente.

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Sobre Ronan Dannenberg

Jornalista, gaúcho e gremista. Adora Rock'n'Roll, principalmente a esfera Heavy Metal. Realiza pesquisas dentro do assunto, principalmente dentro da identidade da música na comunicação. Analisa música como música, deixando de lado o gosto na hora da crítica, pois não se avalia algo pelo que se admira, e, sim, pela qualidade. É fã de Iron Maiden, Megadeth, Metallica (antigo), Angra, Helloween e Gamma Ray. Contudo, admira grupos dos mais variados e infinitos subgêneros do nosso amado Heavy Metal.

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