Edguy: Espetáculo prazeiroso, com grandes doses de diversão

Resenha - Edguy (Bar Opinião, Porto Alegre, 07/11/2006)

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Ronan Dannenberg
Enviar correções  |  Ver Acessos

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Quando o Metal deixa de ser simplesmente um gênero musical para se congregar em uma aura que une elementos a ponto de o espetáculo simplesmente tornar-se algo extremamente prazeiroso, com grandes doses de diversão, tudo fica melhor. O Edguy é uma das poucas bandas da atualidade que consegue isso. O som ruim da casa, as desafinadas, os erros, em nada chegaram a atrapalhar o clima de extrema alegria que se instaurou (novamente) no Bar Opinião, em Porto Alegre. A exemplo do primeiro show da banda em 2004, na tour do disco Hellfire Club, tudo era sorrisos.

Thrash Metal: 20 bandas brasileiras de qualidade inquestionávelOh, não!: clássicos que foram "estragados" pelo tempo

Fotos: Carlos "Iky" Porto

Eram 22h30 quando a banda subiu ao palco para tocar "Catch of the Century", música do mais recente trabalho, Rocket Ride. Viu-se então o clima que se seguiria, com a execução de um set privilegiando as composições mais recentes, que funcionam muito melhor ao vivo, passando uma grande interação de energia entre público e banda. Assim foi a com as empolgantes Sacrifice e Mysteria.

A nova fase da banda não podia deixar de ser destacada e mostrou a distância entre os discos que marcaram o início da carreira do Edguy. Tocar "Vain Glory Opera", uma música clássica e épica, e na seqüência a canalha "Lavatory Love Machine" é algo que destoa, mas anima e mostra que os padrões do Heavy Metal estão aí para serem quebrados.

O som da casa não colaborou muito com os músicos. Até o belo solo de Felix Bohnke, que tirou de forma exímia o "Tema da Armada", de Star Wars, pouco se ouvia da dupla de guitarristas Dirk Sauer e Jens Judwig. Era um som embolado, que às vezes fazia sumir até a voz de Tobias Sammet. Prova disso pode ser conferida em passagens mais velozes de músicas, quando o bumbo duplo à velocidade da luz era acionado, como na clássica (mas prejudicada) "Babylon", ou quando a grande quantidade de samplers (graças ao novo disco) acabavam ficando confusas com o que a banda executava. Paciência.

Falando em Tobias, o vocalista que vinha cantando direto, visto os três shows anteriores realizados no país, mostrou-se esforçado. Dono de um bom timbre e de uma empolgação única, ele acabou usando bem o set privilegiado em termos vocálicos. Desafinou? Sim, em algumas vezes. Mas quem se importa?. Todas as adversidades eram superadas com toda a empolgação demonstrada no palco. O que dizer de o vocalista colocar um pênis de pelúcia em Dirk enquanto a banda tocava a poderosa e hardista "Fucking with Fire"? E de Tobias mostrar para todos a camiseta com a imagem do Laçador (estátua clássica de Porto Alegre) para os presentes? Ou tocar na guitarra de (e segurada por) Jens Ludwig a introdução de clássicos como "Smoke on the Water"? E que tal o vocalista mostrar sua enorme gratidão com o público gaúcho e brasileiro, prometendo voltar em dois anos para mais um show do grupo? Isso fora as brincadeiras com o público (que não foram poucas). Não precisava de mais nada. O público estava em suas mãos.

Para climas mais intimistas (e que provocaram muitos gritos da mulherada presente), a banda não decepcionou com a nova "Save Me" (canção a qual Tobias diz que inspirava as pessoas a se depilarem, fazendo um trocadilho com "Shave Me") e a já manjada "Land of the Miracle". Para climas mais cadenciados, "Tears of the Mandrake" deu mais do que conta do recado. E para climas de verdadeira alegria, com a banda tocando a primeira parte de "The Trooper", do Iron Maiden.

Pra fechar, o público ainda esperava a cômica "Trinidad", que não veio mas foi muito bem superada por "King of Fools". Faltou algo? Hum, talvez clássicos do Mandrake como "Fallen Angels", "All the Clowns" e "Save Us Now". No entanto, toda o caráter Funny Metal passado pelo grupo foi mais do que suficiente para agradar os cerca de 1.000 headbangers presentes. Agora é esperar pelo prometido. Em até dois anos, eles estarão de volta.




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de ShowsTodas as matérias sobre "Edguy"


Musos do Heavy Metal: Agora é a vez das garotas!Musos do Heavy Metal
Agora é a vez das garotas!

1998: 40 discos de rock e metal que foram lançados há 20 anos1998
40 discos de rock e metal que foram lançados há 20 anos

Iron Maiden: Harris e Dickinson imortalizados em música do EdguyIron Maiden
Harris e Dickinson imortalizados em música do Edguy


Thrash Metal: 20 bandas brasileiras de qualidade inquestionávelThrash Metal
20 bandas brasileiras de qualidade inquestionável

Oh, não!: clássicos que foram estragados pelo tempoOh, não!
Clássicos que foram "estragados" pelo tempo

Andre Matos declara: O Angra tinha que acabar!Andre Matos declara
"O Angra tinha que acabar!"

As novas caras do metal: + 40 bandas que você deve conhecerBandas: Por que ninguém está indo a seus shows?Whitesnake: Polêmica capa de Lovehunter foi inspirada por outra?Motorhead: cover de "Stand By Me" com Lemmy e Lombardo

Sobre Ronan Dannenberg

Jornalista, gaúcho e gremista. Adora Rock'n'Roll, principalmente a esfera Heavy Metal. Realiza pesquisas dentro do assunto, principalmente dentro da identidade da música na comunicação. Analisa música como música, deixando de lado o gosto na hora da crítica, pois não se avalia algo pelo que se admira, e, sim, pela qualidade. É fã de Iron Maiden, Megadeth, Metallica (antigo), Angra, Helloween e Gamma Ray. Contudo, admira grupos dos mais variados e infinitos subgêneros do nosso amado Heavy Metal.

Mais matérias de Ronan Dannenberg no Whiplash.Net.