Angra: Show muito bonito e bem produzido no Opinião
Resenha - Angra (Bar Opinião, Porto Alegre, 13/10/2005)
Por Rust Costa Machado
Postado em 24 de outubro de 2005
Antes de ir direto ao ponto, vale lembrar que o Angra é uma banda que merece um respeito fora do comum. E não digo isso apenas pela originalidade e criatividade dos músicos, mas também pelo carinho que eles têm para com os fãs. Na tarde de autógrafos, que ocorreu na Livraria Cultura, no Shopping Bourbon Country, na mesma tarde do show, os membros da banda receberam seus fãs com dedicação, assinaram tudo o que eles carregavam consigo.
Às 21 horas o público já podia adentrar o Bar Opinião. Não demorou muito para a banda Scelerata, oriunda de Porto Alegre e formada por ex-integrantes da antiga Holy Fire subir ao palco e mostrar a que vem o debut "Darkness and Light", que está para sair. A intro "Land of the Sins" precede "Spirits Looking For..." da extinta Holy Fire. "Holy Fire", a música, é executada e tem seu refrão cantada em uníssono pelos presentes. Tocam em seguida "Eminence", música disponível em mp3 no site da banda, e emendam "I'm Alive", clássico do Helloween. Nesta, Carl Casagrande, vocal da banda, mostra a sua similaridade ao vocal de Michael Kiske. Mais uma da demo, desta vez "Spell of Time", que mostra a criatividade e versatilidade dos músicos, é tocada antes da última, que seria outro cover, desta vez do Iron Maiden. O clássico da donzela escolhido foi "The loneliness of the long distance runner", do álbum "Somewhere in Time". Destaque para o baixista Gustavo Strapazon, que encarnou muito bem o mestre Steve Harris.
O espetáculo do Angra começou com a queda da belíssima cortina do anjo de Rebirth, pouco depois das 23 horas, com o término da intro "Deus le Volt", do álbum "Temple of Shadows". A excelente "Spread your Fire" já começa agradando aos ouvidos mais criteriosos e exigentes, e então Edu anuncia que a noite seria especial, pois o álbum "Temple of Shadows" seria executado, na íntegra. Ainda assim, quando ele anuncia a próxima música, dizendo "Angels...", alguns ainda responderam "cry". Mas tudo bem... "Angels and Demons" mostra a integrada e impressionante cozinha formada pelo batera Aquiles Priester e pelo baixista Felipe Andreoli. A progressiva "Waiting Silence" é tocada, e parecia que se ouvia o CD, pois é tudo muito preciso. Edu empunha um violão e tocam a balada "Wishing Well". A próxima era "Temple of Hate", que continua tão pesada como no disco. "The Shadow Hunter" tem uma introdução feita no violão por Rafael Bittencourt, que ganha aplausos vigorosos dos que o assistiam, mostrando que bangers amam boa música, seja ela em guitarra super-distorcida, seja ela em violão clássico. A balada "No Pain for the Dead" é tocada. Nesta, todos se perguntavam se Falaschi faria as partes de Sabine (Edenbridge), mas quando a voz dela deve ser apresentada, todos saem do palco, que se mantém no escuro, enquanto se ouve o playback. Ficou legal, afinal. "Wings of Destination", que no original tem a voz de Hansi Kürsh, é a música da vez; quem faz a voz do dito cujo é Andreoli, que, por sinal, não deixa a desejar. "Sprouts of Time" mostra os vocais mais graves de Edu e "Late Redemption" tem todas as partes correspondentes ao brasileiro Milton Nascimento cantadas pelo público, emocionado. "Morning Star" fecha esta parte do set, juntamente com a faixa conclusiva do CD, "Gates XIII".
A banda sai por alguns minutos, mas se enganaram aqueles que pensaram que o show era apenas o álbum "Temple of Shadows". "Angels Cry" tem espaço garantido nesta parte do set, junto com outras da fase antiga como a fantástica "Nothing to Say" e a óbvia "Carry On" (sem a intro "Unfinished Allegro"), que não deixou à desejar quando comparada com a versão na voz de André Matos. Da fase nova, são tocadas "Heroes of Sand", e a belíssima "Rebirth", cantada por quase todos os presentes. Saem do palco, enquanto toca a Intro do álbum "Rebirth", "In excelsis". Voltam com tudo para fechar o set com o clássico da nova fase do Angra, "Nova Era".
Foi um show muito bonito e bem produzido. A parte conceitual não foi cansativa, simplesmente porque aquele álbum não tem falhas! King Diamond e todos os outros que escrevem histórias em seus álbuns deveriam adotar a tática, que funciona muito bem ao vivo. Os clássicos caíram bem, apesar de terem sido poucos e faltarem alguns de "Freedom Call", "Hunters and Pray" e "Fireworks". Agora é esperar um novo álbum, torcendo que a banda não perca o entrosamento e a fórmula.
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