Anthrax: Dois reviews sobre o show do Credicard Hall
Resenha - Anthrax (Credicard Hall, São Paulo, 25/02/2005)
Por Thiago Sarkis e Carol Oliveira
Postado em 25 de fevereiro de 2005
Publicamos abaixo dois reviews sobre o mesmo show realizado no dia 25/02 no Credicard Hall.
Por Thiago Pinto Corrêa Sarkis (Review e Fotos)
Desde o lançamento de "We’ve Come For You All" (2003), o Anthrax retomou o posto de banda grande na América do Sul e o vocalista John Bush finalmente recebeu o devido reconhecimento por seu trabalho. Só isso basta para figurarmos o quão ansiosos estavam os fãs brasileiros para ver o grupo ao vivo, tocando composições velhas e novas. Some a isso doze anos de espera, já que a última vez que Scott Ian, Charlie Benante & Cia. excursionaram pelo Brasil foi em 1993, uma ou duas semanas após o lançamento de "Sound Of White Noise" (1993), quando ninguém conhecia realmente o material novo do conjunto, exceção feita a "Only", clássico instantâneo do disco supradito.
Tudo foi diferente desta feita, pois inclusive o último CD, "The Greater Of Two Evils" (2004), já estava à disposição dos fãs há meses, familiarizando-os ainda mais com as interpretações do atual cantor aos antigos sucessos. Porém, o rumores sobre o retorno da formação original do conjunto com eventos já confirmados pelo mundo a fora dava um certo ar de desconfiança a tudo o que ocorria. Não era difícil olhar para o palco e imaginar que aquilo não seria a verdade em alguns dias ou semanas.
Numa conversa breve, Scott Ian nos disse: "nós não oficializamos nada. Não há realmente qualquer coisa confirmada no momento" e acrescentou: "(...) ninguém está deixando a banda. Pode acontecer, estamos vivos, e depois do que aconteceu a Dimebag, ficamos mais reflexivos, pensamos sobre o que passou... e bem, eventualmente pode acontecer realmente." Rob Caggiano é bem mais direto neste quesito, quando um fã se aproxima diz a ele para não deixar que a atual ‘line-up’ se desfaça. O guitarrista simplesmente responde: "diga isso a Charlie".
Precedendo o show, alguns problemas que a grande base de fãs do Anthrax no Brasil teve de enfrentar, a começar pelo Credicard Hall, distante de tudo e todos, de difícil acesso, e além de tudo com os preços dos ingressos indubitavelmente salgados, para ser polido. Também a chuva forte e duas bandas de abertura, as quais, por melhores que sejam, aos poucos cansam o público, já que prolongam o tempo de espera pela atração principal.
Hei de admitir, todavia, que tanto Threat quanto Scars realizaram boas apresentações e foram ótimas escolhas, perfeitamente adequadas à função de abrir as portas aos nova iorquinos. Ambas trouxeram sonoridades pesadas e sólidas, mas realmente não chegaram a levantar os cerca de quatro mil presentes, a não ser pelos covers, como a ótima versão do Scars para "Hell Awaits" do Slayer.
O Anthrax se atrasou e subiu ao palco por volta das vinte três horas e quarenta minutos. Um começo devastador calcado na velha escola com "Efinkufsin (N.F.L.)", "Got The Time" e "Caught In A Mosh", as quais deram um empurrão impressionante no público. Desempenho irretocável da dupla do Armored Saint John Bush e Joey Vera, dando energia extra a essas composições ao vivo.
Para manter o grande estrondo gerado nas três canções iniciais, a banda seguiu com a unânime "Safe Home", cantada em uníssono pelos fãs, e seguiu com "Inside Out", de "Volume 8 – The Threat Is Real" (1999). Mesmo aclamada e reconhecida pelo público, talvez tenha sido esta a canção que caracterizou o momento mais fraco da noite.
Retomar o ritmo foi tarefa fácil para eles com a variação constante de um arranjo gravado com o atual vocalista e outro da fase com Joey Belladonna. A série avassaladora iniciou-se com a vibrante faixa de abertura de "We’ve Como For You All", "What Doesn’t Die", seguida por "Antisocial" e "Nobody Knows Anything". Ao término desta Charlie Benante fez o solo de bateria perfeito: curto e eficiente! John Bush reapareceu, levando consigo os milhares de espectadores ao falar sobre o Brasil e impulsionar o grito de "Sepultura, Sepultura". Um pouco mais de conversa, e o baterista faz o trabalho de introdução para "Indians", usando parte da música "Breed Apart" do álbum "Roots" (1996) do Sepultura. Um dos melhores momentos do show, especialmente porque novamente realizou-se uma seqüência delirante com "Madhouse" e "Only".
Um pequeno intervalo e o Anthrax volta com "Be All, End All", seguido por aquele que foi, decerto, o instante de maior emoção de toda a apresentação, com as palavras de John Bush sobre Dimebag Darrell e o nome do ex-guitarrista de Pantera e DamagePlan ovacionado por todos. O sentimento profundo liberado naqueles minutos jorra na face de Scott Ian assim que ele começa a tocar "A New Level" (cover do Pantera). A expressão facial do líder da banda deixa claro o quão mexido está e o quanto ele se entrega à música e à memória do amigo assassinado em 08 de dezembro de 2004.
Dali pra frente, a chama não se apagaria. Enquanto a audiência ainda clamava "Dimebag", o Anthrax iniciava a composição mais antiga de sua carreira apresentada naquela noite, "Metal Thrashing Mad", tirada do álbum "Fistful Of Metal" (1984), dos tempos em que Neil Turbin detinha o microfone do grupo, o qual estava apenas dando os primeiros passos para uma bem-sucedida história que hoje todos conhecemos. Inacreditável o trabalho de John Bush nesta música, alcançando notas altas com garra inigualável e uma vontade espantosa. Para finalizar, outro marco na marcante trajetória do conjunto, no espetacular rap metal de "Bring The Noise".
Apesar de todos os elogios e considerações acima, há sim algo a reclamar... a duração do show. É aquele típico "foi bom enquanto durou", mas poderiam alongar um pouco o set list. Obviamente sempre vai faltar algo aos admiradores, porém, não há dúvidas de que o Anthrax deu uma escorregadela ao trazer apenas uma hora e meia de apresentação (se é que chegamos a isso), após doze anos longe de terras brasileiras, e podendo escolher pelo menos dois ou três entre um vasto leque de clássicos que ficaram de fora como: "Among The Living", "I’m The Law", "A.I.R.", "Keep It In The Family", "Room For One More", "Belly Of The Beast" e mesmo composições recentes de altíssima qualidade como "Any Place But Here". Falharam nesse ponto, mas que valeu a pena, ah... disso não duvide!
Por Carolina Oliveira
As expectativas em torno da segunda passagem do Anthrax pelo Brasil eram muitas e talvez a principal dela era se a banda seria capaz de atrair um considerável público mais de 11 anos depois do hit "Only" ter estourado por aqui, e nesse quesito pode-se dizer que a expectativa foi até superada. É claro que o Credicard Hall não estava lotado, afinal a casa tem capacidade para mais de 6 mil pessoas, mas a galera compareceu em peso, mesmo com a forte chuva que quase derrubou a cidade.
A primeira banda a se apresentar foi o Threat, que tocou para um público pequeno (muita gente ainda estava do lado de fora quando o show começou) mas bastante animado. Com covers do Pantera e Metallica, além de músicas próprias, fez um show excelente e pela quantidade de pessoas vestindo a camiseta da banda deu pra notar que o Threat já conquistou bastante fãs em São Paulo e tem tudo pra conquistar muitos outros pelo Brasil. Em seguida veio o Sacrs, que caprichou bastante na produção do palco para mostrar o EP "The Nether Hell", baseado na obra do poeta Dante Alighieri. Destaque para o cover de "Hell Waits" do Slayer.
Finalmente chegou a hora que todos esperavam, às 23h40 o Anthrax entra mandando logo de cara uma seqüência matadora: "N.F.L.", "Got the Time" e "Caught in a Mosh". Os clássicos foram muitos "Inside Out", "Antisocial", "Mad House", "Indians", "Be All end All" mas mesmo assim faltaram músicas como "I’m the Law". John Bush & Cia mostraram mais uma vez sua admiração pela banda brasileira Sepultura (Charlie até declarou, durante a coletiva, que gostaria de ter o Sepultura no tributo brasileiro ao Anthrax), executando a introdução de "Breed Apart". Na seqüência o maior sucesso da banda, "Only", levou a galera ao delírio. Outra homenagem, dessa vez a Dimebag Darrel, veio com o cover de "New Level" do Pantera. Em um dos momento mais marcantes do show, John puxou o coro "Dimebag, Dimebag..." e Scott Ian comentou sobre o estúpido assassinato, ocorrido nos EUA. Para o bis "Metal Thrashing Metal" e "Bring the noise". E no melhor da brincadeira, com apenas 1 hora e 30 minutos de show, o Anthrax se despede do público brasileiro com a promessa de voltar em dois anos. Tudo bem, não foi uma apresentação exatamente curta, mas meia horinha a mais não faria mal à ninguém.












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