Angra: O público santista já não aguentava mais a espera
Resenha - Angra (Mistura Fina, Santos, 21/07/2002)
Por Fernando de Santis
Postado em 21 de julho de 2002
O público santista já não agüentava mais a espera. A última vez que o Angra havia pisado em Santos, no litoral paulista, foi no final da turnê do disco "Fireworks", época em que a banda ainda contava com Andre Matos nos vocais. Desta vez, o Angra veio para Santos com um velho conhecido do público santista: Eduardo Falaschi, que viveu alguns anos na maior cidade do litoral paulista.
A casa de show "Mistura Fina", que é famosa por sempre estar promovendo bailes funk, desta vez teve como público, os amantes do bom e velho Heavy Metal. Os únicos incidentes foram os "furões de fila" em demasia e alguns vândalos acéfalos, que inventaram de abrir a porta de um vagão de um trem, que passava pela avenida um pouco antes do show, fazendo com que grande quantidade de grãos de soja fossem derrubados no asfalto. É por causa desse tipo de babaquice que muitos amantes do rock são rotulados como vândalos e maloqueiros. Atitude lamentável de alguns garotinhos metidos a rebeldes.
Já era quase oito e meia da noite, quando começou a rolar a introdução "In Excelsis". Os quase 1500 fãs do Angra aguardavam ansiosos a presença da banda no palco, e foi com "Nova Era" que o grupo entrou em cena. Praticamente não dava para escutar a voz de Edu, pois a galera cantava todos os versos, com muita vontade. "Acid Rain" veio na seqüência, sem deixar o ânimo cair. Edu após saudar o público, anunciou uma volta ao tempo, com o clássico "Angels Cry".
O show de Santos foi semelhante aos demais shows dessa atual turnê, com destaque para a impecável apresentação de "Unholy Wars", que contou com o belo trabalho de backing vocals de Felipe, Rafael e Kiko e "Hunters And Prey", que também emocionou o público, principalmente depois do solo, quando Edu cantou o refrão em português.
A apresentação da banda ainda contou com solos do jovem baixista Felipe Andreoli, que deu aulas de two hands e slaps, Kiko Loureiro que mostrou toda sua habilidade nas seis cordas e Aquiles Priester, que hipnotizou a todos, com seu solo de bateria super agressivo. A banda toda ainda ensaiou um "samba" no palco, que não agradou muito. "Reaching Horizons" cantada por Rafael Bittencourt foi um dos momentos mais interessantes do show.
Eduardo provou ao público de Santos que consegue levar os vocais das músicas da época de Andre Matos muito bem. Como destaque "Make Believe", "Metal Icarus", "Nothing To Say" (que foi o primeiro encore) e "Carry On" (que foi o segundo encore). Para não fugir a tradição dessa turnê, o Angra fechou o show com o cover dispensável de "The Number Of The Beast" do Iron Maiden. O grupo deixou tantos clássicos de fora do setlist para tocar esse cover sem graça... foi algo lamentável.
Apesar de alguns deslizes no setlist, como o cover previsível e o meio do show monótono, o Angra mostrou que ainda é a maior banda de Heavy Metal brasileira e que está com uma formação muito mais madura e interessante do que a anterior. Vida longa ao Angra!
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