Resenha - Dazaranha (John Bull, Florianopolis, 29/08/2001)
Por Rodrigo Simas
Postado em 29 de agosto de 2001
Conheci o Dazaranha em uma das minhas viagens para o sul do Brasil, mais precisamente em Florianópolis, capital da bela Santa Catarina, terra do Guga. Sai um dia com uns amigos e por acaso havia uma banda tocando no bar onde estávamos, e essa banda era o Dazaranha.
Nunca tinha ouvido falar nela e me lembro que, quando começou o show, estranhei pela quantidade absurda de pessoas que estavam no lugar só pra assistir a banda, cantando todas as músicas e agitando muito. Comecei então a prestar atenção e cheguei a uma conclusão óbvia: estava vendo uma grande banda, que infelizmente ainda não era conhecida por mim, mas que no dia seguinte iria procurar o CD para comprar.
Não deu outra, no dia seguinte fui em uma loja, e comprei o CD "Tribo da Lua". A partir daí não tem muito mais o que contar, fui em diversos shows nos anos que seguiram e comprei o primeiro CD relançado chamado "Seja Bem Vindo". Conheci os integrantes da banda na festa do Pinhão de 2000 em Lages (SC) e já até fiz uma entrevista com eles para a Whiplash! no começo deste ano.
Em comemoração ao aniversário de 9 anos da banda, o Dazaranha realizou 4 shows (1 por semana, nas 4 quartas-feiras do mês) memoráveis no bar John Bull, todos lotados, na linda Lagoa da Conceição, um dos cartões postais de Florianópolis. Cada show contou com participações especiais diferentes como a de Gerry na percussão (que foi da formação original da banda) e do vocalista da banda Bandit (também de Floripa), que cantou inclusive "Vagabundo Confesso", hino da banda e com certeza da própria cidade de Florianópolis.
Além disso tudo, em todos os shows várias músicas novas que vão estar no próximo CD (ainda sem data de lançamento) foram apresentadas. Entre elas "Vem Comigo" (que abriu os sets), a excelente "Carretão" e "Não Vou Vender" .
Pra quem não conhece ainda a banda (o que você está esperando??!) , o som do Dazaranha é uma mistura que vai desde ROCK, passando por POP, MPB, REAGGE e até alguns toques de HEAVY METAL, como na maravilhosa "Shau Pais Baptiston". A maioria das composições é feita pelo guitarrista base da banda, Moriel, tudo também muito bem acompanhado de letras "malucas" mas muito bem sacadas e do violino nervoso de Fernando Sulzbacher, que dá um toque mais do que especial às músicas, fazendo o Dazaranha (sem exagerar) estar entre as 5 melhores bandas do Brasil em atividade.
O show dos caras é uma celebração de todos esses 9 anos que já fizeram com que o nome Dazaranha se tornasse lenda no sul do Brasil e suas músicas verdadeiros clássicos. Duvida? Vá no show, e você vai ter a sensação que só você não sabe cantar as letras e que está presenciando um show de uma grande banda. Pois é, destaques não faltam, pois quem tem em seu set músicas como "Pagode do Revoltado", "Retroprojetor" ( uma das melhores, com uma letra no mínimo instigante), "Cama Brasileira", "Novos Ditados", "Muralhas Brancas", bom... é melhor eu parar, senão vou escrever o set inteiro do show.
Mas é em músicas com mais "punch" como a "quase heavy metal" "Barco Pesqueiro" (que até o vocalista Gazu brinca fazendo toda hora o sinal de heavy metal com a mão), "Shau Pais Baptiston" (já mencionada) e "Eh, País" que o lugar parecia que ia cair, tamanho a energia passada pela banda. Também há momentos emocionantes, quando são executadas composições como "Tribo da Lua" e "Vagabundo Confesso", onde cada pessoa dentro da casa parecia estar cantando.
Além disso o Dazaranha contou ainda com um som muito bom em todas as quatro noites, e como já dito anteriormente com uma presença em massa do público. Os músicos, já com muita experiência, sabem como contagiar o público, mostrando uma grande presença de palco durante as mais de 25 músicas que foram tocadas a cada dia de show, divididas em dois sets, que ainda contou com algumas covers, de Raul Seixas a Tim Maia.
Adauto (Baixo), Adriano (Bateria), Chico (Guitarra), Fernando (Violino), Moriel (Guitarra) e Gazu (Vocal) estão de parabéns e merecem toda a sorte no futuro. Que essa tribo da lua ainda seja muito iluminada e que ainda ilumine muitas outras pessoas que não tiveram o prazer de conhecer o trabalho desta grande banda. Parabéns ao Dazaranha e obrigado pelas quatro noites memoráveis. Nos vemos em Floripa.
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