Cartoon: Rock progressivo com inclinação à música clássica

Resenha - Cartoon (Lapa Multishow, Belo Horizonte, 07/04/2001)

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Por Thiago Sarkis
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O rock progressivo com inclinação à música clássica, e mesclado com jazz, hard rock, bossa nova e pop, entre outros estilos, é uma química perfeita para um show divertido, que não te deixa cochilar um segundo sequer. E o Cartoon provou isso em sua última apresentação em Belo Horizonte, deixando claro que, por incrível que pareça, pode ir além de seu impressionante debute, intitulado "Martelo".

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A festa no Lapa Multishow, no lançamento da Revista Poster, começou por volta de meia-noite com a aparição dos integrantes do Cartoon fantasiados de duendes, tocando como Os Gluncheys, que fora anunciada como a banda de abertura. Isso mesmo que você está pensando. Eles abriram o próprio show e ainda fizeram todo o cerimonial básico, saindo do palco e voltando uns dez/quinze minutos depois, como se nunca tivessem pisado ali antes. Vindo de Khadhu, Vlad, Bhydhu e Boxexa, normal. Apenas mais uma loucura, que nós não vamos e nem devemos contrariar.


Quando os quatro voltaram à cena, o que se pode ver foram músicos. E aí você fala: "mas isso é óbvio". Não, porque com este grupo a palavra "músicos" ganha outra conotação e vai além do básico de guitarrista, baixista, baterista, tecladista, etc. No palco, um baixista/vocalista tocando cítara e gaita. Um guitarrista detonando no baixo e tocando guitarra com os dedos, como se estivesse frente a um violão clássico e suas cordas de náilon. Um baterista que, além de seus trabalhos com percussão, ainda participava dos vocais, construindo contrapontos com o tecladista, que também toca violão, e todos os outros membros do GRUPO. Que bagunça, não? E isso foi só para descrever o que eles realizam. Imagine como é fazer o que eles fazem.


No repertório, interpretações de obras clássicas, músicas do álbum de estréia, como "Duend's", "First Lake Conclusion", "Abre Seu Olho, Irmão" e "Estagnação", além de composições de outros conjuntos/artistas. Destacando-se entre estas, "Roundabout", do Yes, e a inacreditável versão de "Bohemian Rhapsody", do Queen. Aliás, foi na execução da segunda que se firmou o momento mais emocionante e de maior contato entre público e banda, de todo o espetáculo. Nessa hora, lágrimas nos olhos e mãos na cabeça eram imagens facilmente detectadas no excelente público que compareceu ao Lapa Multishow.

Não faltaram convidados especiais, como o flautista Renato Savassi, da banda mineira Cálix, que além de tocar com o grupo, ainda foi o "apresentador" do show.


Ver o Cartoon tocando ao vivo é uma experiência inesquecível. Mesmo aqueles que conhecem o trabalho da banda, com o álbum "Martelo", pouco sabem e/ou podem imaginar a capacidade, criatividade e talento destes músicos. A banda é motivo de orgulho nacional. É rock progressivo no seu melhor. Como se, guardadas as devidas proporções (por favor!), estivesse saindo um Gentle Giant, um Happy The Man, ou um Jethro Tull, do Brasil. Ou seja, como se estivesse saindo do nosso país mais um clássico do rock progressivo, de musicalidade e qualidade indubitáveis.

Cartoon - http://www.bandacartoon.com.br
e-mail: cartoon@bandacartoon.com.br




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Sobre Thiago Sarkis

Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.

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