Resenha - Neil Young (PNC Art Center, Holmdel - NJ, 26/08/2000)
Por Márcio Ribeiro
Postado em 26 de agosto de 2000
Data do Show: 19 de Agosto de 2000.
Não levou mais do que trinta minutos para o palco ficar pronto e a banda entrar. Se o povo aplaudiu a entrada dos Pretenders, agora todos simplesmente enlouquecem. Todos de pé para receber este coroão, que voltou a ser apreciado pelo grande público jovem desde o seu disco Harvest Moon. A minha primeira impressão ao vê-lo foi como ver fotos de capas de alguns dos seus álbuns. Ele vestia o que parecia ser o mesmo chapéu da capa do álbum "Comes A Time", e portava a mesma Les Paul preta que você vê na contracapa do seu álbum "Live Rust". Até a alça da guitarra era ainda a mesma, só que sem o button do Jimi Hendrix.
Ele sorri, agradece a recepção e entra imediatamente em "Motorcycle Moma", um rocker sujo do seu álbum "Comes A Time". Sua presença em palco é fortíssima e a banda alimentava bem sua pegada instigante. Destaque para a presença de dois excelentes músicos veteranos, Donald 'Duck' Dunn no baixo e 'Lightning' Jim Keltner na bateria. Ao lado de Young por muitos anos estiveram Ben Keith, no pedal steel guitar, além de sua esposa Peggy Young e sua irmã Astrid Young nos backing vocals.
Depois de três canções, ele diminui a pegada e segue no violão acústico com uma série que vai desde "I Believe In You" até "Razor Love", passando por "Peace of Mind" e a mais recente "Buffalo Springfield Again". Passa então a tocar com sua Gretsch 6160, entoando, entre outros números, "Home Grown", "Walk On" e "Winterlong", para o delírio de muitos. Troca para outra guitarra, desta vez sua Gretsch White Falcon, arrebentando em canções fortes como "Words", e como na suave e muito aguardada "Harvest Moon". Depois de mais alguns números, termina o show passando para o piano, tocando seu clássico e sombrio "Tonight’s The Night".
Demora um pouco até voltar para o bis mas, quando retorna, está novamente com sua velha Les Paul negra, agradecendo e logo atacando sua embromada intro que invariavelmente desaba em "Cowgirl In The Sand." Se você conhece a versão original, diria apenas que a desta noite foi uma versão mais comprida. Se não conhece, essa música tem uma sucessão de solos, quase uma jam session no meio da canção, que se estende até Neil cansar e trazer a música de volta pro refrão. Depois fecha com mais um solo que se estende um pouco, para então a música acabar. Que p*ta fim de festa, que delírio, que barato!
No caminho de casa, só me resta ponderar seriamente na possibilidade de atualizar minha já vasta coleção de discos de Neil Young.
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