Manowar: A coerência no estilo

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Por Roberto Muñoz, Fonte: HivenNews, Tradução
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Nos 80’s os detratores do MANOWAR corriqueiramente acusavam o golpe na indumentária da banda. Foi na capa de “Into Glory Ride” que os músicos confirmaram proposição musical através do figurino. Mas poderiam os integrantes da banda vestir-se à lá DEVO, por exemplo?

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Ora, os temas apontam invariavelmente para uma temática mui distante do comportamento que o homem aponta como “burguês”. Porém, longe está também d’algo proletário. Ultrapassa a dicotomia “direita/ esquerda”. O MANOWAR refere-se, nas letras, a questões mais antigas, logo, mais próximas dos fundamentos. Âmbitos primitivos, homens guerreiros e espiritualizados, que viviam e respiravam um mundo simbólico

O trato vertical – a honra por meio da força espiritual da “Palavra”, a necessidade dos fundamentos serem respeitados, inclusive nos funerais – e a conduta viril – no “domínio de si-mesmo” diante de tudo que centrifuga, que afasta-o de seu centro, no Amor fraterno ao “irmão de guerra”, o respeito ao inimigo na campanha – são temas perenes porque alimentados pelo valor que dignifica a ação nobiliária.

E tais temas são apaixonantes porque pulsam na alma do ser humano, recôndito espaço, íntima parte do ser que almeja rotundamente por algo maior que toda essa vulgaridade pós-moderna que consome o ser ‘ainda’ humano neste século cibernético em que vivemos. Diria Joseph de Maistre que Deus faz os reis. Já Ortega y Gasset via no aristocrata do espírito um intelectual que ultrapassa a mesmice horizontal dos pragmatistas, racionalistas et caterva.

Alguém já viu alguma banda de heavy metal defender o estilo de ser burguês ou proletário? Eu nunca vi. Realmente, há no heavy metal uma virilidade sonoramente repercutida nunca ocorrida na história do Rock. E não trata-se da rapidez, do peso, ou do volume de som. Trata-se de uma Atitude que confirma a retidão da masculinidade na coerência de propósitos de mãos dadas com a Loyalty – funda-se desta maneira um império. “Hail to England” agradece tal virilidade. E a fama da lealdade do público de metal conhecida é por muitos.

Nem todas as simbologias aqui enunciadas são tratadas nas letras do MANOWAR, mas a idéia de uma virilidade exposta em atos não passa desapercebida por Joey DeMaio e turma. Nas rivalizações entre os fãs, o desconhecimento sobre algum determinado tema de uma banda pode acontecer, mas o preconceito do ignorante pedante em seu despeito a respeito do tema em pauta deve ser deixado de lado, não pode ser levado à sério. A vitória da unidade deve passar inevitavelmente pela coerência, afinal, são em momentos deste porte que a Cultura surge.

Poderia haver maior coerência? A Ordem de Malta é uma ordem católica que começou como uma Ordem Beneditina fundada no século XI na Terra Santa, durante as Cruzadas. Mas transformada rapidamente em ordem militar para melhor servir a seus protegidos. Atualmente, é uma organização humanitária soberana internacional. Sim, Joey de Maio é cavaleiro da Ordem de Malta. Na foto ele entrega um prêmio ao mérito para José Carreras, na Transilvânia. Como diriam os franceses, noblesse oblige.

Roberto Muñoz, escritor

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Sobre Roberto Muñoz

Roberto Muñoz é escritor, 49, gaúcho de Porto Alegre. Pós-graduado em Cinema/ PUC-RS, integrou a equipe de direção do curta-metragem “A Vida do Outro”, 1997, realizado pelos alunos do curso, filme premiado com Candango de melhor roteiro, 16 mm/ Festival de Brasília-1997 e com Kikito de melhor atriz, 16 mm/ Festival de Gramado-1998. Com três obras ainda inéditas sobre metafísica, poética e outros assuntos existenciais, o autor já tem artigos publicados no Jornal do Brasil, Correio do Povo e Zero Hora.

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