Rock nacional: como ele deixou a música brasileira mais branca e careta
Por Bruce William
Fonte: Gluck Project
Postado em 05 de fevereiro de 2016
Artigo de Fred Di Giacomo, publicado no Gluck Project, comenta a recente polêmica envolvendo Phil Anselmo, relacionando com o rock nacional dos anos 80, que era vendido como revolucionário por aqui mas no fim das contas apenas ajudou a gerar uma distorção na percepção das pessoas, que persiste até hoje. Leia o texto completo no link a seguir. Um trecho está mais abaixo.
Phil Anselmo (ex-vocalista do Pantera) fez uma saudação nazi e chocou o mundo gerando uma série de discussões sobre o heavy metal ser ou não um gênero musical reaça. Me lembrou de uma entrevista do Seu Jorge que dizia que "rock não é um gênero pro negro". Lembro que depois dessa entrevista, muitos brancos quiseram ensinar pro negro Seu Jorge como o rock havia sido criado por negros como Chuck Berry e Little Richard e eletrificado pelo negro Jimi Hendrix….
Eles estavam errados, claro, mas eu também estive a maior parte da minha vida.
•••
Quando era um moleque rebelde que me achava o lumpemproletariado em pessoa por ser mais pobre que meus coleguinhas de escola, eu julgava que o rock era a música da rebeldia, a trilha sonora da revolução. Stones, Nirvana, Ramones, Rage Against The Machine… Quer coisa mais contestadora que o rock n’ roll? Do alto da sabedoria da minha adolescência, eu achava que quem ouvia pagode, axé, sertanejo, funk e outros gêneros populares era ignorante. Eu também decidira que a música clássica branca e o jazz negro, que papai ouvia em casa, eram um saco, música chatíssima. Portanto, além de libelo libertário, o rock era um símbolo de alta cultura, letras elaboradas e complexidade musical. Eu não tinha dúvidas que Max Cavalera devia ser um músico melhor que João Gilberto. E não sabia que traduzindo as letras do AC/DC ou do Elvis eu ficava com algo próximo de um funk carioca falando sobre rebolado, sapatos de azul camurça, "pegar garotas", "comer garotas" e outras grandes questões filosóficas da humanidade. Também não fazia ideia que que as músicas dos Sex Pistols ou do Green Day eram muito mais fáceis de tocar que os solos do Chimbinha. Para mim, o rock era uma forma de religião e salvação. Especialmente o punk que era a coisa mais próxima do rap que um jovem branco poderia alcançar. O punk era o rock feito por suburbanos rebeldes, uma trilha sonora perfeita para minha vida de adolescente sofredor. Antes de descobrir o punk, eu até gostava das coisas que meus pais ouviam em casa: Caetano, Gal, Rita Lee, Adoniran, Luiz Melodia, etc. Depois disso, passei a achar toda a MPB cafona, atrasada, piegas e ultrapassada.
A crítica de rock da época, que eu lia avidamente, pregava a mesma coisa. O grande André Barcinski (gosto dos textos dele até hoje) não tinha saco para a "bunda-molice da MPB", Alvaro Pereira Jr, que escrevia na Folhateen e hoje é editor do Fantástico, dizia que as ÚNICAS coisas boas já feitas no nosso país eram Racionais, Mutantes e Sepultura. Detonar Caetano Veloso era moda desde a chegada do rock dos anos 80 e continua sendo o mote principal do, hoje senhorzinho, Lobão. Caetano, Gil e cia eram "afeminados", "atrasados", tinham "sótaque" e faziam um som "pobre". A bossa nova era chata. Eu gostava de Chico Science, mas meus amigos roqueiros o desprezavam. Bons para meus colegas juvenis eram Guns, Aerosmith, Metallica, Oasis, Pearl Jam, Offspring… No máximo o "pop rock nacional" (que muitos críticos brasileiros também desprezavam) de Legião, Raimundos, Ultraje a Rigor, Charlie Brown Jr., etc.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Pôster do Guns em Fortaleza gera reação da Arquidiocese com imagem de Jesus abraçando Axl
A canção para a qual o Kiss torceu o nariz e que virou seu maior sucesso nos EUA
Bruno Sutter disponibiliza show completo que ensaiou com o Angra; ouça aqui
Derrick Green posta foto pra lá de aleatória, em que aparece ao lado de Felipe Dylon
Dream Theater realiza show que será lançado como álbum ao vivo; confira setlist
Com Rodolfo Abrantes, Rodox anuncia retorno após 22 anos e reacende legado do hardcore nacional
O disco do Sepultura que tem vários "hinos do thrash metal", segundo Max Cavalera
10 discos que provam que 1980 foi o melhor ano da história do rock e do heavy metal
O maior álbum do Led Zeppelin para Jimmy Page e Robert Plant
Metallica presta homenagem a maestro da Orquestra de San Francisco
Dave Grohl garante que não se mete na carreira da filha Violet
Cinco músicas dos Rolling Stones com riffs excelentes que envelheceram muito mal
15 bandas de rock e heavy metal que colocaram seus nomes em letras de músicas
O álbum do AC/DC que tirou Malcolm Young do sério; "todo mundo estava de saco cheio"
Mike Portnoy comenta volta do Rush; "Precisamos que nossos heróis continuem tocando"

Megadeth, "Risk", "Dystopia" e a dificuldade em aceitar a preferência pessoal alheia
Você está realmente emitindo sua opinião ou apenas repetindo discursos prontos?
Arch Enemy, o mistério em torno da nova vocalista e os "detetivões" do metal
Três "verdades absolutas" do heavy metal que não fazem muito sentido
Está na hora dos haters do Dream Theater virarem o disco
Angra: Alguns problemas não se resolvem com sonho de doce de leite


