Lou Reed: ele era o verídico Underground
Por Josué Rowstock
Fonte: G1.
Postado em 19 de abril de 2014
Acendo meu cigarro e deixo tocar no vinil o LP, "Transformer", o segundo disco lançado por Lou Reed que conta com David Bowie nos Backing Vocals e na ajuda com a produção musical, que foi lançado em 1972 como o segundo álbum solo de Lou após Velvet Underground. De modo que somente assim, sentindo a poética musical de Lou Reed ficarei então mais a vontade para escrever sobre um artista que perdemos recentemente e que para alguns ainda dói escutar "Perfect Day" e lembrar que Lou não está mais entre nós em carne e osso.
Lou Reed é o verdadeiro underground, é o tipo de cara que faz música para pessoas que não se encaixam na sociedade, por mais que tentem. E Lou nunca se encaixou, sempre seguiu a esquerda de todos seus companheiros, tendo apenas "Walk on the Wild Side" chegado ao topo das paradas da Billabord, contudo encantando os "marginais" com músicas excepcionais como "Vicious", "Satellite of Love" e todas aquelas músicas onde o mesmo canta sobre o cotidiano sujo urbano das ruas que é mostrado em cada letra sua, onde o melhor licor poético começa a coagular sendo exprimido em forma de Rock n Roll.
Uma vez que influenciou gente como Iggy Pop, The New York Dolls e o "amigo" David Bowie, Lou continua influenciando nossa geração e as próximas que virão. De modo que já foi até considerado pela revista Rolling Stone como o 81 º melhor guitarrista de todos os tempos, porém se estivéssemos a falar sobre experimentações/letras poderíamos certamente ter Lou Reed como o primeiro em uma lista diversificada que poderia contar com Bob Dylan, por exemplo.
De fato, o verídico underground corroeu as veias de Lou Reed. Foram anos de excesso e de processo autodestrutivo dentro das esferas do Rock n Roll que fizeram do seu fígado picadinho de restos de nada. E mesmo com dinheiro e com um transplante o tempo não deixaria Lou sobreviver mais, levando o mesmo em 27 de outubro de 2013 e deixando sua imagem como um dos maiores ícones Pop and Cult que já pisara na Terra.
Todavia, escrevendo esta matéria os meus pulmões começam a sentir o gosto do tabaco e meu peito continua inflando a cada faixa que segue musicalmente no vinil onde Lou Reed concerteza será lembrado entre os grandes músicos que fizeram do underground uma forma ávida e colossal para os amantes das grandes experimentações que chegaram até mesclar com a banda Metallica em um disco muito criticado porém muito bom, na minha opinião.
Lou Reed ainda faz parte do mundo com seus discos e sua maneira pérfida de representar o mesmo através de sua poética musical. Toda vez que sua voz começar a soar não vai existir uma pessoa que não sinta no coração o verídico underground, mesmo que não goste, e pelo fato de não gostar vai sentir ainda mais. E talvez seja essa a mágica do artista, atravessar barreiras impostas dentro da "liberdade" do Rock n Roll. Pois Lou ultrapassou, viveu no limite dos limites e agora deixa como legado uma obra prima entre diversas obras essenciais e excêntricas, demasiado.
O disco parou de tocar, eu sigo ouvindo o LadoB e a matéria acabou por aqui. This is Perfect Day...
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