O guitarrista do panteão do rock que Lou Reed dizia ser "profundamente sem talento"
Por Bruce William
Postado em 31 de outubro de 2025
Havia quem preferisse a diplomacia. Lou Reed, não. Quando o assunto eram colegas de ofício, ele às vezes reagia com um tipo de franqueza que beirava a provocação. Em meio ao entusiasmo geral por um álbum conceitual lançado no fim dos anos 1960, Reed soltou a primeira estocada: "Jesus, como as pessoas caem nisso?"
A partir daí, ele deixou o alvo explícito. Sobre o principal compositor por trás daquele projeto, disparou: "Tão sem talento e, como letrista, é tão profundamente sem talento. E, para dizer o mínimo, filosoficamente entediante." O recado ia para Pete Townshend, cérebro do The Who e autor da narrativa de "Tommy."

Reed também debochou de trechos e referências. Ao comentar uma menção a Timothy Leary, ironizou: "Eu não pediria nem as horas para o Timothy Leary." Para ele, ressalta a Far Out, o problema não era só o formato de "ópera rock", mas o conteúdo que vinha junto: títulos, frases e a mensagem que o pacote tentava vender.
O contexto ajuda a entender o choque. Enquanto "Tommy" empurrava o The Who para um terreno teatral e grandioso, Reed vinha de outra escola: urbana, seca, mais próxima da crônica do dia a dia do que de parábolas metafísicas. O incômodo parecia menos com a ambição e mais com o tipo de ideia por trás dela.
O tom também pesou. Reed não aliviou, não recuou e não enfeitou a fala. Ao classificar um autor celebrado como "profundamente sem talento" e "filosoficamente entediante", ele cravou uma posição que, mesmo para os padrões da época, soava dura.
Essas declarações ficaram como registro de uma fratura estética daquele período: de um lado, a aposta do The Who em narrativas amplas; de outro, a visão cortante de Lou Reed sobre letras e conceitos que, para ele, não se sustentavam. Não há elogio escondido nessas falas, apenas um retrato de como divergências artísticas atravessavam entrevistas e reforçavam fronteiras entre mundos diferentes do mesmo rock.
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