Capital Inicial e outros: o "Punk" de Brasília
Por David Oaski
Fonte: Ideologia Rock
Postado em 05 de dezembro de 2013
Primeiramente preciso deixar claro que adoro as bandas oriundas da capital federal Brasília. Ouvi e ouço muito Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. Além de conhecer a história do embrião de duas dessas bandas, o Aborto Elétrico, banda que era composta pelos irmão que fundariam o Capital, Fê e Flávio Lemos mais Renato Russo, o carismático e controverso líder da Legião Urbana. Vale lembrar também que os integrantes dos Paralamas do Sucesso também cresceram e se conheceram na terra que abriga nossos políticos, apesar de terem formado a banda e se consolidado no Rio de Janeiro.
O fato é que sempre me incomoda a associação dessas bandas ao movimento punk. Eles não eram punks, nem no som, nem na atitude, é preciso deixar isso claro. O movimento punk surgido no final dos anos 70 na Inglaterra com o The Clash e os Sex Pistols e nos Estados Unidos com o Ramones sempre se caracterizou por ser formado por jovens de origem humilde, da classe operária britânica e norte americana, executando um som cru, direto, sem firulas, com letras que tratavam de todos os temas, mas principalmente das mazelas da sociedade. Tudo isso na contramão do rock progressivo que reinava as paradas da época, com suas melodias complexas e canções longas.
O máximo que se pode dizer é que as bandas do rock de Brasília foram influenciadas pelo punk rock, assim como quase todas outras bandas surgidas desde os anos 80. As temáticas de muitas das letras das bandas brasilienses citadas realmente tinha cunho social e político, mas isso não faz deles punks.
Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial é um dos que mais se refere ao movimento como punk de Brasília, porém sabe-se que ele e a maioria dos outros membros da banda tem origem de classe média alta, filhos de figurões como diplomatas, políticos e magistrados, tendo passado boa parte da infância e adolescência em outros países. Até que ponto eles realmente sofreram as mazelas da sociedade na época?
É preciso deixar claro que não quero aqui impor um debate classicista, afinal ninguém tem culpa de ter a origem que tem, tampouco podem deixar de protestar por serem de famílias abastadas, mas também é fato que eles não eram os rebeldes porra loca que pregam nas entrevistas e documentários sobre a época.
Com relação às melodias nem se fala, a banda que mais se aproximava da crueza do punk era o Plebe Rude, já os outros se aproximam muito mais da new wave ou do pós punk que do punk propriamente dito.
Punk nacional de verdade era o paulista, com bandas como Ratos de Porão, Olho Seco, Cólera, Inocentes, entre outras. Essas sim têm um som sujo, veloz, cru e agressivo, com letras honestas e com integrantes em sua maioria oriundos das periferias da cidade.
A questão aqui não é gosto pessoal, particularmente até prefiro as bandas brasilienses, mas numa contextualização histórica, o punk nacional deve ser lembrado pelas bandas que realmente eram fiéis ao movimento original. Fico imaginando os caras do The Clash vendo os "punks" de Brasília, eles iriam se mijar de rir.
Do it yourself.
David Oaski
Disponível também em:
http://rockideologia.blogspot.com.br/2013/12/o-punk-de-brasilia.html
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



64 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de novembro
A banda que Alice Cooper considera a que melhor representa o heavy metal
A lenda do thrash que considera Metallica melhor do que Motörhead: "Nada tão poderoso"
James Hetfield revela banda que disse "não" a convite do Metallica para turnê
O presente de Paul Di'Anno que Nicko McBrain guarda até hoje com orgulho
O roqueiro brasileiro que deu cano em Axl Rose; "preferi ir embora"
Os três baixistas que Robert Trujillo, do Metallica, considera seus maiores heróis
O álbum que Ozzy Osbourne queria gravar antes de morrer, segundo Zakk Wylde
O clássico dos Ramones inspirado por música de Alice Cooper
Pitty: cantora publica foto nua na internet e bate recorde de curtidas
Por que o hino beneficente do heavy metal não pegou, segundo Regis Tadeu
A enorme biografia que Tobias Forge, do Ghost, leu aos 8 anos e ainda guarda até hoje
Dimmu Borgir, Satyricon e Enslaved quebram recorde de público na Noruega
As cinco músicas que Slash escolheria para ouvir se o mundo estivesse acabando
Justin Sargent fala pela primeira vez como novo vocalista do Skid Row
Bon Jovi: o mistério de Tommy e Gina em "Livin' On A Prayer"
As bandas da "nova geração" que continuam lançando bons discos, segundo Dave Mustaine
As bandas que não têm nenhuma música ruim, segundo o crítico musical Regis Tadeu

Acender sinalizadores em shows é uma tremenda besteira
O rock e o heavy metal se misturam com a política, sim (e você provavelmente sabe disso)
Por que é importante que artistas se posicionem politicamente
O fã não é nenhum idiota, e merece mais respeito
Rock in Rio quer o nome do rock, mas não seu compromisso
Heavy Metal: Bem vinda, Nova Geração da Velha Escola



